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Novidades para aliviar e tratar 12 tipos de dores

Novidades para aliviar e tratar 12 tipos de dores

Surgimento de técnicas, remédios e cirurgias têm ajudado no combate à enxaqueca e em problemas na região lombar e no pescoço

Lorrany Martins
ESPECIAL: qualidade de vida

A dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, segundo a Associação Internacional do Estudo da Dor. Quando é de forma aguda, ou seja, de curto prazo, serve como alerta para mostrar que há algo errado no corpo. Já quando dura semanas, passa a ser considerada uma doença crônica, e são necessários tratamentos específicos.

De acordo com uma pesquisa divulgada pela Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED), 37% da população sofre com alguma dor crônica. Felizmente, cada vez mais novidades surgem para o tratamento das dores que mais incomodam os pacientes, como enxaquecas, dores na região lombar, no pescoço, entre outras.

Cirurgias minimamente invasivas, novas técnicas científicas e substâncias, como os derivados de maconha, têm surgido em pesquisas e no mercado para ajudar no tratamento dessas dores.

“A lipoenxertia (enxerto de gordura) vem sendo usada para aliviar os sintomas da dor neuropática, como a enxaqueca”, pontuou o cirurgião plástico Paolo Rubez.

Paolo, que é especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University, sediada em Ohio (EUA), explicou que a novidade ainda está sendo estudada.

“A teoria mais aceita é de que há uma redução dos níveis de dor através dos efeitos anti-inflamatórios e de regeneração tecidual das células-tronco derivadas do tecido adiposo”, disse o especialista.

Segundo o neurocirurgião e especialista em dor Paulo Mariano, um exame que tem ganhado destaque para o auxílio no diagnóstico de dores crônicas, principalmente para fibromialgia, é a termografia.

“É feita uma foto em infravermelho do corpo da pessoa e são analisadas as diferenças de temperatura. Nessas imagens, as regiões mais quentes revelam estruturas inflamadas. Assim, conseguimos inferir o diagnóstico da tão falada fibromialgia, doença antes considerada invisível”, explicou o neurocirurgião.

Outra novidade, que será tema de um curso em março no Estado, é a proloterapia. Segundo o neurocirurgião e especialista em Dor Lúcio César Hott Silva, a técnica causa uma regeneração celular que ajuda no tratamento de dores em ligamentos e tendões.

Saiba mais

O que é dor?

Experiência multidimensional relacionada a aspectos físicos e emocionais. A dor aguda é útil, pois alerta para necessidade de assistência médica, porém, a dor crônica não tem nenhuma função e é considerada doença.

A dor é classificada de acordo com a localização, o tipo (difusa ou localizada), a intensidade (fraca, moderada ou forte) e a periodicidade (aguda ou crônica).

Além de afetar a qualidade de vida, a dor é a principal causa do absenteísmo (falta ao serviço) e custo social com perdas financeiras para as empresas e o sistema de trabalho.

Duração

Dor aguda

Dura curto período (de minutos a semanas) e se associa a lesões em tecidos e órgãos decorrentes de inflamação, infecção e traumatismo. Desaparece quando diagnosticada e tratada corretamente.

Dor crônica

É prolongada (meses ou anos) e se associa à doença crônica ou dor aguda não tratada de modo adequado. Pode ser influenciada por fatores psicológicos, cognitivos, comportamentais, sociais, familiares, vocacionais e neurofisiológicos.

Categoria da dor

Nociceptiva é a dor aguda provocada por alguma lesão como corte, fratura, pós-operatória, artrose e outras.

Neuropática é a dor crônica devido à lesão do sistema nervoso que se manifesta por sensações de queimadura, descarga elétrica ou formigamento.

Psicogênica é a dor relacionada à perturbação emocional, como enxaqueca, dores estomacais e contraturas. Seu diagnóstico é dificultado por não haver lesões ou causas visíveis.

Fonte: Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor.

Ondas de choque

A paratleta de alto rendimento Eloisa Fernandes, de 37 anos, teve de conviver com a dor no ombro durante algum tempo. Mas, para conseguir o melhor desempenho na modalidade de tiro esportivo, teve de fazer um tratamento de ondas de choque.

“A dor era causada por uma ruptura no tendão, que aconteceu quando era atleta de natação. Justo no braço que uso para atirar e isso atrapalhava sustentar o equipamento, ter a precisão, além de causar muitas dores”, disse.

Ela contou que fez o tratamento quando foi convocada pela seleção brasileira para disputar uma Copa do Mundo, nos Emirados Árabes. “As dores amenizaram muito. Aquele ano, de 2018, foi um dos melhores. Bati o recorde das Américas na competição”.

As dores e os tratamentos

1 Lombalgia

A lombalgia, dor na região lombar, é uma das que mais acometem a sociedade moderna e pode se tornar crônica.

Uma das novidades para o tratamento desse tipo de dor são cirurgias minimamente invasivas, que requerem uma pequena incisão ou incisões e dilatação do músculo, permitindo que o cirurgião separe os músculos ao redor da coluna vertebral, em vez de cortá-los. A técnica também pode ser usada para outros tipos de dores.

O tratamento de Plasma Rico em Plaquetas (PRP) tem mostrado bons resultados no tratamento da dor, mas ainda é usado de forma experimental. A técnica usa o sangue do próprio paciente para regenerar o tecido. Do sangue, é separado o plasma, as células dos leucócitos e macrócitos, para que sejam e injetados na lesão. A vantagem é utilizar células do paciente, além dos efeitos anti-inflamatórios.

Outra técnica que tem sido estudada é o aspirado de medula óssea, chamado de BMA. Quando aspira a medula, aspira macrócitos, linfócitos, que têm papel importante na defesa do corpo, além de uma porcentagem de células de regeneração. Esse tipo de tratamento tem muitas células anti-inflamatórias que aliviam a dor, além de provocar a regeneração.

2 Enxaqueca

A enxaqueca também está entre as dores mais comuns entre os brasileiros. Estudos têm mostrado que o enxerto de gordura no local da dor, tem ação anti-inflamatória. Com isso, a técnica trata a dor neuropática.

Há também nova cirurgia minimamente invasiva para descomprimir e liberar os ramos dos nervos trigêmeo e occipital, que estão envolvidos nos pontos de dor da enxaqueca.

A anvisa aprovou este ano, um novo medicamento de anticorpo monoclonal, que deve chegar ao Brasil no começo do ano que vem, que atua na inibição da atividade do CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina), que está relacionado com as dores da enxaqueca e da enxaqueca episódica.

O galcanezumabe, com o nome comercial de Emgality, da farmacêutica Eli Lilly é uma injeção que deve ser aplicada uma vez por mês.

Outra novidade é o Dorflex Uno, que possui alta concentração de analgésico e promete ser o primeiro da categoria de enxaquecas disponível não só no formato de comprimido, como também efervescente.

3 Fibromialgia

A estimativa é que 10 a 15% dos pacientes de reumatologia tenham fibromialgia. Uma novidade que vai ajudar no diagnóstico mais preciso da doença é um exame de termografia. É feita uma foto em infravermelho do corpo do paciente e são analisadas as diferenças de temperatura para se correlacionar com determinadas condições de dor.

A estimulação transcraniana tem sido indicada para casos específicos da doença. Consiste em uma técnica que, por meio da aplicação de uma corrente contínua de baixa intensidade sobre o crânio, é capaz de modular a atividade cerebral e interferir no desempenho de diferentes funções do sistema nervoso central.

Mulheres têm maior incidência de dores de cabeça, enxaquecas. Já os homens têm maior incidência de dores na coluna”

Roberta Ramos, ortopedista

4 Endometriose

A doença é um distúrbio em que o tecido que normalmente reveste o útero cresce fora do órgão e causa muitas dores. A estimativa é que essa doença acometa cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva.

Uma novidade para amenizar as dores que a doença causa é o Sayana (acetato de medroxiprogesterona), que promete ser o primeiro anticoncepcional com sistema de autoaplicação trimestral aprovado no Brasil. Ele é comercializado pela Pfizer e foi indicado para o tratamento da dor relacionada à endometriose.

5 Artrite

É uma inflamação nas articulações, que causa dor e rigidez e que podem piorar com a idade.

O Olumiant (baricitinibe), da farmacêutica Eli Lilly, é um novo medicamento oral indicado para o tratamento de pacientes adultos com artrite reumatoide ativa moderada a grave, com resposta inadequada ou intolerância a um ou mais antirreumáticos modificadores da doença.

O canabidiol e o THC, derivados da maconha, têm mostrado resultados satisfatórios no tratamento das doenças reumáticas, como a artrite e artrose. Além de atuar no controle da dor, pode ajudar em outros efeitos da doença. O limitante é o preço, porque não pode ser plantado no Brasil. Novas regras entram em vigor em 2020.

6 Dor no pé

A dor no pé pode ter causas variadas. Mas, uma das novidades é a criocompressão, indicada para processos inflamatórios e lesões crônicas no pé, na perna, ombros e quadril. Uma máquina infla um manguito (parecido com o manguito de medir a pressão) e que é colocado na articulação que está dolorida. Ao mesmo tempo que comprime, drenando a área, ele gela (fica próximo a 0ºC), levando a analgesia. Vale ressaltar que a compressão é marcada em mercúrio.

Sem caminhar na praia

A artesã Luziana Chicon, 52, conviveu por muito tempo com uma dor no pé que não conseguia tratar. Durante três anos, a dor aumentou ao ponto de ela não conseguiu mais caminhar na praia. Foram vários médicos, bota ortopédica, palmilhas especiais e anti-inflamatórios, até que conseguiu um tratamento de ondas de choque.

“A dor afeta tudo na gente, por isso, fiz um tratamento multidisciplinar e com ondas elétricas que me curaram. Hoje, levo uma vida normal, voltei a caminhar e a dançar, que adoro!”.


7 Dor crônica no tronco

Uma das novidades para o tratamento da dor crônica no tronco é a plataforma Intellis, que é um sistema de neuroestimulação implantável, indicado para a estimulação medular (SCS) no ciclo de tratamento da dor.

O indivíduo tem um eletrodo estimulador implantado no espaço epidural na coluna e o aparelho transmite impulsos elétricos préprogramados sobre as fibras posteriores da medula gerando uma corrente elétrica para “cobrir” a sensação de dor.

8 Na coluna cervical

A Cervicobraquialgia é uma dor na coluna cervical, região do pescoço, com irradiação para o braço, devido à compressão de raízes nervosas que saem dessa região.

A EMS lançou o Benziflex Lis, que age como analgésico e relaxante muscular. A ação analgésica é proporcionada pelo clonixinato de lisina, comprovadamente eficaz no tratamento de várias síndromes dolorosas, incluindo a dor muscular; enquanto que a ação sobre os músculos esqueléticos se deve ao cloridrato de ciclobenzaprina, um agente relaxante muscular de ação central.

9 Tendinite

É uma Condição em que o tecido que liga o músculo ao osso fica inflamado. Uma novidade para os casos mais graves é a proloterapia. Trata-se de irritar um ligamento ou tendão que não estão mais inflamados, mas apenas criando um processo de dor contínua. Com o processo de cicatrização da lesão criada, acaba também a dor crônica. O tratamento pode ser usado para outros tipos de dores crônicas.

10 Dores nas mãos

O excesso do uso do celular tem sido identificado como um potencial fator de risco para distúrbios músculo-esqueléticos relacionados ao uso de telefones celulares, sendo que o polegar é o que mais sofre.

Uma das novidades é o aparelho iPalm, da Basall. O equipamento portátil alivia a tensão com uma massagem por pressão de ar (bolsas pneumáticas) e compressa quente.

11 No pescoço

A EMS lançou este ano o genérico cetoprofeno de liberação prolongada. O medicamento é anti-inflamatório, analgésico e antitérmico, tendo como uma de suas indicações o tratamento de dores como as associadas à lesão de nervos da região do pescoço à axila, lombalgia (dor na região lombar), dor ciática (dor causada pela compressão do nervo ciático) e outras.

Outra novidade é o aparelho iNeck, desenvolvido pela Basall, que tem um sistema de pinças múltiplas que pressionam os pontos de acupuntura e músculos do pescoço para promover relaxamento corporal.

12 Dores agudas

Para o tratamento de dores agudas, de curto prazo, a novidade é o Toragesic um anti-inflamatório não hormonal, que atua através da inibição da cicloxigenase (enzima) e, consequentemente, da síntese de prostaglandinas, que causa dor e inchaço.

Fonte: Médicos e laboratórios consultados.

A dor nunca deveria ser desprezada. Quando um paciente passa a ter um padrão de dor que não tinha, ele deve procurar um médico”

Cláudio Correa, neurocirurgião

Ramon Dias, neurologista, explicou que o canabidiol (um dos derivados da maconha) atua no controle da dor. Antonio Moreira/ AT

Derivado de maconha é discutido

Medicamentos derivados de maconha têm sido muito discutidos dentro da medicina. Segundo médicos, pesquisas têm mostrado resultados promissores para várias doenças, inclusive as dores crônicas.

Por isso, pacientes no Brasil estão entrando na Justiça para conseguir o direito de fazer o cultivo da planta para fins medicinais.

Em Minas Gerais, os tribunais de Justiça de Juiz de Fora e Uberlândia já autorizaram o cultivo da planta para uso exclusivo de pacientes a duas famílias.

“O canabidiol (um dos derivados da maconha) atua no controle da dor crônica e neuropática. Hoje, o grande empecilho dessa terapia acaba sendo o custo. A importação da substância acaba sendo um limitante. No entanto, alguns pacientes, de fora do Estado, têm conseguido liminares para o cultivo e, a partir desse, a extração do óleo”, observou o neurologista e anestesiologista, Ramon D’ Ângelo Dias.

Ele explicou que, entre os canabinoides, que são os derivados de maconha, há dois principais produtos, que são o canabidiol (CBD ) e o tetraidrocanabinol (THC).

“Eles vão atuar, basicamente em dois receptores do paciente, o CB1 e CB2. O primeiro está distribuído dentro do sistema nervoso central e também no sistema nervoso periférico. É, principalmente, através dele, que conseguimos o controle da dor”, disse o neurologista.

O advogado especialista em Direito Médico Celso Papaleo explicou que hoje o paciente que precisa dos produtos à base de maconha no Brasil deve pedir à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) uma autorização de importação. No entanto, para o plantio, é preciso autorização judicial.

“Junto à prescrição médica, é preciso escrever um pedido, destinado ao juiz do juizado criminal da área onde ocorre o cultivo, com um relato detalhado do estado de saúde do paciente, além de fundamento jurídico”, explicou.

No início deste mês, a Anvisa liberou a comercialização de produtos à base de maconha no Brasil em locais autorizados. As novas regras entram em vigor em março.

O neurocirurgião Cláudio Fernandes Corrêa lembra que os medicamentos à base de maconha ainda estão em pesquisa e devem se muito bem analisados pelos médicos. “Ainda precisamos ver mais resultados das várias pesquisas que estão sendo feitas ao redor do mundo”, ressaltou.

Entenda

As regras

Hoje, o paciente que precisa de produtos à base de maconha no País deve pedir à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) uma autorização de importação. Desde janeiro de 2015, a agência permite que estes produtos sejam trazidos do exterior quando comprovada a necessidade do paciente.

No início deste mês, a Anvisa criou uma categoria chamada “produtos derivados de Cannabis”. Esses produtos receberão uma autorização sanitária para que possam ser comercializados no Brasil, exclusivamente em farmácias e drogarias. No entanto, os produtos não poderão ser elaborados em farmácias de manipulação e a sua indicação será exclusiva de médicos. A norma entrará em vigor em março de 2020.

No entanto, a maioria da diretoria da agência rejeitou a proposta de regulamentar o plantio da maconha para fins terapêuticos.

Fonte: Anvisa e pesquisa AT.

Problema na coluna é o que mais afasta do trabalho

A lombalgia, dor na região da coluna lombar, que envolve os músculos, nervos e ossos das costas, é a dor que mais afasta do trabalho, sendo a causa de quase 5% de todos os afastamentos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

As informações são de um levantamento feito pelo órgão nacional e destacado pela reumatologista e especialista em Dor do Fleury Medicina e Saúde, Ana Beatriz Andrêo Garcia.

No entanto, a “A Dor do Cotidiano” – Ibope Conecta I, mostrou que a dor de cabeça é a queixa de dor mais comum do brasileiro.

“Hoje a dor é considerada o quinto sinal vital na medicina, junto às aferições de pressão arterial, frequência cardíaca e outros. Este sintoma interfere diretamente no humor, sono, capacidade de trabalho e de lazer, com grande impacto na qualidade de vida”, destacou.

Segundo o ortopedista Thanguy Friço, a maioria das dores não tem uma causa única.

“Atualmente, a pressão sobre as pessoas causa muita ansiedade, o que pode ser um dos grandes fatores tanto em relação ao aumento da dor na cabeça, quanto das dores do sistema músculoesquelético”, destacou o ortopedista.

“Apesar da doença, decidi viver”

O aposetando Maurício Rodrigues Lauriano, 51, mesmo fazendo tratamento para artrite reumatóide há 10 anos, não perdeu o otimismo e a fé na vida. Ele garante que a positividade deixa os resultados do tratamento ainda melhores.

“Hoje, faço tratamento com imunossupressores. Eu descobri que a dor não vai parar se ficar deitado, então decidi viver. Aprendi que a dor me lembra que estou vivo e que preciso continuar”, afirmou o aposentado.

Espiritualidade e otimismo podem reduzir a dor

Visões positivas e de esperança ajudam o paciente na adesão aos tratamentos e melhoram o resultado, segundo especialistas

Ter uma visão positiva da vida, acreditar que vai dar certo e praticar a espiritualidade são alguns dos aspectos comportamentais que os médicos dizem que podem ajudar a reduzir a dor no paciente em tratamento.

De acordo com o anestesiologista e especialista em dor André Felix, a espiritualidade, vista como uma relação entre forças superiores e as capacidades humanas, para além das religiões e de seus específicos credos, é uma variável que vem demonstrando resultados, tanto com dados objetivos como subjetivos nos tratamentos.

“Visões positivas e de esperança têm impacto significativo em melhorar sintomas, favorecer a adesão aos tratamentos convencionais e em desenvolver estratégias efetivas para controle de crises álgicas e de outras manifestações clínicas”, explicou o médico.

Segundo ele, fortes correlações e associações vêm evidenciando que pessoas mais espiritualizadas percebem a dor crônica como uma oportunidade de desenvolvimento humano e espiritual.

“Tem ficado cada vez mais evidente que espiritualidade e religiosidade têm um significado relevante para pacientes que sofrem de dor crônica e que esta variável influencia estratégias de enfrentamento e automanuseio da dor”.

O acupunturista e ortopedista Ricardo Ottoni destacou ainda que a espiritualidade influencia qualquer tipo de tratamento, “pois tem efeito sobre nossa mente e consequentemente sobre nosso sistema nervoso central. Lembrando que espiritualidade não necessariamente significa religião”.

Para a ortopedista e acupunturista Roberta Ramos, a espiritualidade e as crenças são determinantes para o tratamento e a cura das doenças, inclusive ativando ou desativando os genes envolvidos.

“Pesquisas já mostraram que pessoas espiritualizadas tendem a ser mais saudáveis, por ter um estilo de vida mais equilibrado, adoecendo menos e procurando menos os serviços de saúde”, destacou.

Ela concluiu: “Então, respeitando a crença de cada um, independente de religiosidade, a abordagem da espiritualidade é fundamental ferramenta no tratamento de qualquer processo de adoecimento, doloroso ou não”.

Saiba mais

O que é espiritualidade?

A espiritualidade é um conjunto de valores morais, mentais e emocionais que norteiam pensamentos, comportamentos e atitudes nas circunstâncias da vida de relacionamento intra e interpessoal.

As definições de espiritualidade muitas vezes são confundidas com a religiosidade, no entanto, os médicos explicam que são conceitos diferentes.

Meditação, preces, orações, comportamentos otimistas de perdão, gratidão e propósito de vida, são todos considerados práticas de espiritualidade.

Algumas formas de praticar

Otimismo

Enxergar o lado bom da vida, sorrir e ter pensamentos positivos liberam hormônios que ajudam a manter o corpo saudável e aliviam a dor.

Perdão

O perdão amplia as possibilidades de comportamento, construindo melhores estratégias adaptativas e contrapondose aos sentimentos de ansiedade, raiva e hostilidade que são prejudiciais ao tratamento da dor. Além disso, melhora o suporte social, as relações interpessoais e os autocuidados de saúde.

Fonte: Médicos consultados e pesquisa AT.

Pacientes são alvos de preconceito até na família

A dor tem sido muito estudada pela Medicina e cada vez mais compreendida pelos médicos. No entanto, no dia a dia, muitos pacientes que têm dor crônica sofrem preconceito, até mesmo da família.

“Dor é sempre uma coisa chata, tanto para quem sente quanto para quem ouve (a queixa). Então, existe preconceito sim, infelizmente, o que posterga e dificulta a melhora do paciente”, disse o neurocirurgião e especialista em dor Paulo Mariano.

O ortopedista Lourimar Tolêdo acredita que a doença em que há maior índice de preconceito seja a fibromialgia. “Quem sofre com fibromialgia precisa lidar com o preconceito de quem não entende como sintomas podem tão incômodos, como dor constante, generalizada e incapacitante e que não têm uma causa definida nem diagnóstico por exames”.

Para o neurocirurgião Cláudio Fernandes Corrêa, a dor é subtratada porque muitas vezes é desprezada, o paciente é desacreditado. “A dor nunca deveria ser desprezada e nem ser ligada a sinal de fraqueza. Quando um paciente passa a ter um padrão de dor que não tinha, ele deve procurar um profissional médico”.

Os médicos alertam ainda para a automedicação, que pode esconder riscos de outras doenças.

Publicado em 23 de dezembro de 2019.

Reportagem: Lorrany Martins

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