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Medos e sonhos dos jovens depois da pandemia

Medos e sonhos dos jovens depois da pandemia

Lorrany Martins | Arte: André Felix
Juventude no isolamento

Pesquisa com alunos do ensino médio e universitários mostrou que eles temem que o ensino remoto não tenha sido suficiente

De uma hora para outra, a pandemia do coronavírus exigiu o isolamento social e transformou quarto da casa em sala de aula. A presença física dos professores e dos colegas foi substituída pela interação virtual, no celular ou computador.

Agora, depois de mais de seis meses de isolamento, os sonhos de uma boa formação continuam, mas são ameaçados pelo medo de que o ensino remoto não foi suficiente. É o que mostrou um estudo da Empresa Júnior da UVV (EJUVV), em parceria com A Tribuna, feito com mais de 300 jovens do ensino médio e universitário.

Desses jovens, 96% continuaram os estudos de forma remota, seja com a ajuda da escola ou faculdade (86,3%), seja sozinho pela internet  (9,6%).

Sobre os  medos em relação aos estudos depois da pandemia, quase metade (44,4%) tem receio de não conseguir acompanhar todo o conteúdo já aplicado e o que será estudado. Não conseguir ter uma boa formação também assusta os estudantes (18%).

 “Os estudantes têm receio  de que não tenham qualidade de conteúdo suficiente na hora de ingressar no mercado de trabalho ou em uma faculdade, além de não conseguir manter o nível de aprendizado”, comenta o coordenador da pesquisa, o professor Fabrício Nunes.

Em relação aos sonhos, alcançar estabilidade financeira (32,3%) e desenvolver habilidades profissionais após formado (29,2%) são a preferência. “Vemos que os sonhos continuam  os mesmos. Apesar de parecer que a pandemia está travando a realização deles”, diz o professor.

A terapeuta Renata Costanzo ressalta que o aluno precisa lembrar e entender que uma boa formação não depende exclusivamente dos professores e das aulas, depende de cada um.

“Se o aluno não decidir que quer aprender, ele não vai aprender. O aprendizado depende muito mais do aluno do que qualquer outro elemento ou pessoa”.

Gustavo Boaventura, idealizador do Método Experiências de Aprendizagem Social e Emocional (Base), explicou que a emoção e a motivação são muito importantes para o processo de aprendizagem.

“As pesquisas mostram que as emoções e o processo de aprendizagem andam cada vez mais próximos. Sem emoção, é impossível aprender. O problema parece ser a motivação que esses adolescentes e jovens têm para estudar”.

Fábio Nunes/ AT

Dedicação

O isolamento social se mostrou difícil para todos. Porém, muitos jovens conseguiram se adaptar e agora planejam o futuro, mesmo sem saber ao certo como serão as mudanças na universidade e no mercado.

Os universitários Aline Brandão, 18, Rodrigo Timachi, 24, Gabriele Timachi, 20, e Bruno Olm, 19, estão se preparando para o futuro e querem realizar grandes sonhos. “Me preocupo hoje se vou ser uma boa profissional. Quero ser a melhor pessoa que puder. Para isso, me dedico muito”, disse Aline.

Os sonhos continuam os mesmos. Apesar de parece que a pandemia está travando a realização, eles continuam. Acho que os alunos têm noção de que isso é uma fase. Vai passar”

Fabrício Nunes. coord. da pesquisa

Dados da Pesquisa

Fonte: Empresa Júnior da UVV (EJUVV).

Maioria se sente pressionada

As incertezas no isolamento social e as dificuldades de adaptação ao ensino remoto não fizeram com que os alunos desistissem do ano letivo. Mas, a pesquisa feita pela Empresa Júnior da UVV (EJUVV), em parceria com A Tribuna, mostrou que 82,3% se sentem pressionados ou ansiosos em relação ao futuro acadêmico. Além disso, grande parte se sente mais desconcentrada (39,4%). Outros 27,6%, mais ansiosos.

“Os resultados mostram que está difícil para esse estudante se concentrar em casa para os estudos. Relacionando a outro dado da pesquisa, vemos que mais de 60% dos entrevistados moram com 3, 4 ou 5 pessoas. Acredito que o que está faltando é privacidade no ambiente de estudo. Em casa há várias coisas que distraem”, comenta o coordenador da pesquisa, Fabrício Nunes.

Psicopedagoga, especialista em neuropsicologia educacional e gestão escolar, Jussara Misael avalia que o jovem brasileiro nessa faixa é extremamente cobrado, o que gera pressão e ansiedade.

“A pandemia intensificou essa cobrança, por nos tirar da zona de conforto. Hoje, não temos certeza de como será o amanhã. Incertezas rondam nosso dia a dia, e nossos jovens sentem essa pressão dentro da família”.

Rita Schane, psicopedagoga e supervisora pedagógica do Sistema de Ensino Aprende Brasil, lembra que a insegurança no isolamento social foi para toda a sociedade, principalmente para os jovens que vão prestar vestibulares e Enem.

“A ansiedade dos alunos é reflexo da pandemia. Quem tem de fazervestibular e Enem, está inseguro. Os professores estão ensinando e os alunos estão aprendendo, mas de uma forma diferente, um modelo que a gente ainda não conseguiu colher os resultados, se é melhor ou pior”.

Ana Paula Marcon, psicopedagoga e gestora dos anos finais do Colégio Positivo, em Curitiba, destaca que as emoções afetam no processo de ensino e aprendizagem. “Para tentar diminuir um pouco toda essa pressão, é importante tentar manter uma rotina saudável, mesmo que dentro de casa”.

Se desesperar com a ansiedade e com o futuro incerto não adianta, é o que garante a psicóloga Rubia Passamai Navarro.

“O futuro é incerto para todos. O que está ao nosso alcance é criar oportunidades no presente e se esforçar para fazer o melhor com o que temos à disposição neste momento. Cuidar da saúde mental é muito importante para que essa ansiedade e esse peso não se transformem em transtornos”.

A pandemia intensificou essa cobrança, por nos tirar da zona de conforto. Os jovens sentem a pressão dentro da família”

Jussara Misael, psicopedagoga

Kadidja Fernandes/ At

Lições para a vida em meio ao caos

Em um ano de muitos momentos de decisão para o futuro, além do pré-vestibular, a estudante Nicole Ferraço Perim, de 17 anos, teve de enfrentar a pandemia, e a ansiedade foi quase inevitável.

“O pré-vestibular em si já é uma pressão enorme, e ainda passar por isso em um momento de pandemia está sendo muito difícil. Devido a essa adaptação, era tudo muito incerto para os alunos, não tínhamos a data do Enem e de outros vestibulares e não sabíamos se voltaria as aulas” .

Mesmo em meio às dificuldades, tirou lições preciosas. “Estava bem insegura, mas depois que consegui me adaptar um pouco comecei a enxergar de outra forma e ver que essa situação de caos é um aprendizado para o meu futuro!”, salientou.

divulgação

Superando os limites

Flaviane Araújo, de 25 anos, é assistente administrativa e ainda faz Administração e Marketing na Multivix. Conciliar pandemia, estudos e trabalho não foi uma tarefa fácil, mas ela conta que se surpreendeu com o seu crescimento.

“Em meio à situação que estamos vivendo de pandemia, conciliar trabalho e estudos foi bem complicado. As minhas duas graduações exigiram muita mais dedicação. Mas observei nessa situação a oportunidade de testar as minhas capacidades e pude compreender que, com muita força de vontade, sou capaz de conquistar os meus sonhos”, disse.

acervo pessoal

Dedicação maior

A universitária Thaysla Zampa Parmagnani, de 21 anos, está em seu último período de Nutrição na Unisales e tem o sonho de montar seu próprio consultório. Ela conta que, como está no final do curso e já teve as aulas práticas, não se sentiu tão prejudicada com as aulas online e se adaptou bem ao ensino.

“Mas, mesmo assim, me senti um pouco mais ansiosa e indisposta. Me dedico muito porque um dos meus maiores medo em relação à carreira é de não ser uma boa profissional, não conseguir entregar o melhor de mim e o melhor que o paciente merece ter”, disse.

Divulgação

Empenho

Eduarda Layber, 22 anos, está no 8º período de Odontologia na Multivix e disse que no início da pandemia se assustou com a mudança de rotina repentina, mas que com o tempo, se adaptou bem.

“Posso dizer que esse período em relação aos meus estudos foi bom para mim, pude manter e até incrementar. Consegui me adaptar bem, dentro do possível. A pandemia não mudou a minha forma de estudar, só me fez intensificar os estudos. E reafirmou meu pensamento de que professores capacitados e alunos dedicados fazem toda a diferença”.

Acervo Pessoal

George Catunda: “Desafio agora é implantar o ensino individualizado, com a escola se adequando a cada aluno”

“Maior ganho será não ter educação como era antes”

Afirmação é do especialista George Catunda. Para ele, não deverá haver retrocesso nos avanços obtidos durante a pandemia

O ano letivo em 2020 está entrando na reta final, mas poderá ser lembrado não apenas pelo isolamento social, mas também como o ano em que começou uma revolução nas metodologias de ensino. É o que afirmam  especialistas em educação.

Estudiosos acreditam que a pandemia obrigou a um processo de aceleração para a implantação de metodologias de ensino remoto em todo o mundo. Diretor da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), George Bento Catunda acredita que o maior ganho da pandemia para a educação foi esse avanço, que ele afirma não ter retrocesso.

“Maior ganho será não ter a educação como era antes, principalmente quando conseguirmos a adoção completa do ensino híbrido, de não deixar nenhum aluno para trás.  O desafio agora é avançar, implantar o ensino individualizado, com a escola se adequando a cada aluno, a cada realidade”, destaca.

A Abed divulgou uma pesquisa sobre as atividades remotas na educação básica em 2020. Dos alunos entrevistados, 72,61% consideram que pioraram as atividades remotas se comparadas às aulas presenciais e, 51,53% dos pais tiveram a mesma opinião.  

“Esse momento de ensino remoto foi fundamental e extremamente importante e teve um papel crucial de manter os estudantes na escola. Isso salva futuros”, destaca.  

Eduardo  Costa Gomes, vice-presidente do Sindicato das Empresas Particulares de Ensino (Sinepe-ES), diz que a construção de um projeto deve levar em consideração fatores muito mais importantes do que só o conteúdo.

“Se fosse só o conteúdo, qualquer modelo daria certo. A escola não existe por causa de conteúdo, ela existe por causa da sua potência de formação”.

 A  subsecretária da pasta de Educação do Estado (Sedu), Andrea Guzzo, destaca que a pandemia evidenciou a necessidade da inclusão digital, principalmente na rede pública.

“Há uma necessidade urgente de uma inclusão digital. Acredito que estamos em um momento de mudança, não tem como esquecer que houve a pandemia. A educação já mudou e trouxe outras possibilidades”.

A psicopedagoga Rita Schane acredita que tudo que é novo traz novas possibilidades de aprendizagem.

Publicado em 11 de outubro de 2020

Reportagem: Lorrany Martins

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