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[especial] - Pesquisa maioria quer voltar aos estudos

Maioria quer voltar aos estudos e virar chefe

Levantamento feito na Grande Vitória aponta que 78% da população pretendem voltar para a sala de aula este ano e 54% querem ser líderes

Verônica Aguiar
ESPECIAL: Pesquisa

Um total de 78,44% dos moradores da Grande Vitória quer voltar a estudar este ano para melhorar a carreira. Da mesma forma, 54,69% da população desejam, um dia, se tornar chefe. Os percentuais foram apontados em um estudo realizado pelo Centro de Pesquisas da Faculdade Pio XII, a pedido de A Tribuna.

Foram ouvidos 320 entrevistados, em Vitória, Vila Velha, Cariacica e na Serra, em dezembro. As entrevistas foram feitas pessoalmente por 20 alunos da instituição de ensino. Para o coordenador do Centro de Pesquisas da Pio XII, Robson Carlos de Souza, o desejo de estudar mostra que as pessoas estão atentas à necessidade de qualificação.

“Existem filas de desempregados e ao mesmo tempo há vagas, mas faltam pessoas qualificadas.”

Já quanto ao desejo de ser chefe, o principal motivo foi aumentar a renda, resposta de 61,71%. “Querer se tornar líder é um sinal positivo. Mostra engajamento. Mas a motivação atrelada só a ganhos financeiros tem pouca duração”, alertou a diretora de relacionamento com o associado da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), Kamilla Matos.

Para 19,44% dos que querem ser chefes, o desejo vem com o objetivo de mostrar seu valor como líder. “Se esse desejo não estiver atrelado à vaidade, e sim ao comprometimento de realizar um trabalho que atinja as metas da organização e desenvolva a equipe é muito positivo”, complementou Kamilla.

Melhorar resultados da equipe é o que cria a vontade de 13,71% dos ouvidos no levantamento. O número demonstra que, muitas vezes, os empregados observam que o time tem grande potencial que não está sendo explorado.

Por fim, ficar livre do chefe deixa 5,14% de olho no posto. “Quem quer ficar livre do líder atual pode conseguir. Mas, não é por ser líder que não estará subordinado a outros na organização”, lembrou.

Para diretora da Kato Consultoria, Roberta Kato, a liderança envolve propósito. “O líder é cobrado e avaliado pelos resultados. Precisa lidar com pressão, conflitos, ter uma escuta ativa e conviver com cobrança da equipe por empatia. Muitos que se tornaram líderes com o foco no financeiro depois acham que custou caro demais.”

O conjunto de comportamento que o líder apresenta é um exemplo a ser seguido”

Kamilla Matos, diretora da ABRH-ES

Muitos que se tornaram líderes com o foco no financeiro depois acham que custou caro demais”

Roberta Kato, diretora da Kato

Carreira

Atendente de uma casa de câmbio, Wagner Coser de Asssis, 36 anos, acredita que se sairia bem como chefe, pois, segundo ele, teria facilidade em estimular a equipe.

O morador de Vila Velha destacou que vê muitos lados positivos na posição. “O chefe tem mais autonomia para colocar suas ideias em prática e o salário geralmente é melhor.”

Ele acredita que em plena crise conseguiu manter seu emprego devido ao esforço e dedicação ao trabalho.

Dados da pesquisa

Fonte: Médicos e especialistas consultados.

Mudança de emprego nos planos de 46% da população

Deixar o emprego atual é o desejo de 46,88% dos entrevistados que participaram do levantamento sobre mercado de trabalho feito pelo Centro de Pesquisas da Faculdade Pio XII.

A resposta foi a segunda mais apontada pelos entrevistados quando questionados sobre qual realização mais desejam para a carreira este ano. Somente terminar cursos para melhorar a carreira superou o desejo de trocar de emprego.

Desarmonia com o chefe, clima organizacional pesado, salário baixo, entre outros problemas fazem o capixaba querer mudar de emprego. Mas segundo o consultor de RH e diretor da Acroy, Elias Gomes, querer novos ares é um bom sinal.

“Em 50% dos casos esse desejo vem por causa da insatisfação com a empresa na qual trabalha”, lembrou. Ele explicou que querer mudar significar querer ascender ou melhorar nos mais diversos aspectos profissionais e pessoais.

O levantamento também apontou que 40% dos entrevistados querem mudar de profissão. Isso acontece, muitas vezes, por vontade trabalhar em algo que realmente ama, não pelo retorno financeiro, mas por realização pessoal. “Esse desejo geralmente é motivado pela insatisfação com a profissão escolhida, pois quem ama o que faz trabalha com prazer.”

Na sequência de desejos vem o de manter o emprego atual (33,13%), o que pode significar uma insegurança em relação à economia ou mesmo satisfação com o posto; além de ser promovido (28,13%); deixar o emprego e abrir a própria empresa (27,50%); mudar de função (23,44%) e fazer mestrado ou doutorado (22,50%).

Aprendizado constante é valorizado pelas empresas

Independente do desejo na carreira, seja ele ser chefe, se manter no emprego atual, trocar de cargo, de empresa, ser promovido ou abrir o próprio negócio, algumas habilidades são curingas, ou seja, podem ajudar em diferentes situações.

Em um mundo cada vez mais tecnológico e com mudanças cada vez mais rápidas em todos os segmentos a única certeza que temos é a da mudança, destacou a diretora Kato Consultoria, Roberta Kato.

Por isso, segundo ela, aprender constantemente tem sido uma habilidade cada vez mais valorizada pelas organizações.

“É a competência de autodesenvolvimento, onde o profissional busca estar sempre conhecendo e aplicando novos conceitos. Isso amplia a capacidade de entrega e consequentemente traz ganhos para o empregado e para empresa”, destacou.

Antonio Moreira/at

Renato Lauar virou líder aos 22 anos e resolveu abrir a própria empresa

Desejo de liderar equipes é a nova tendência entre jovens

A nova geração não tem o mesmo olhar em relação ao chefe que as gerações passadas. E essa mudança de visão tem contribuído para que o desejo de liderar equipes seja uma nova tendência entre os jovens.

O chefe deixou de ser uma pessoa que tem um cargo dado por uma empresa cuja função estava associada à cobrança e punição para assumir uma posição de líder que envolve, motiva, cria engajamento e é um modelo de conduta.

De acordo com a especialista em pessoas e carreiras Gisélia Freitas, jovens estão buscando a liderança de duas formas distintas. “Para desenvolver suas competências e manter a empregabilidade. E para ter projeção na carreira e um ganho salarial melhor”, explicou.

À medida que tem maior escolarização os cidadãos começam a criar ambições maiores. “Antes muita gente não tinha acesso a um curso superior. Hoje, com maior acesso a ele, a ambição aumenta”, observou a diretora de relacionamento com associado da ABRH-ES, Kamilla Matos.

Formado em Administração e Comércio Exterior, Renato Lauar, 32 anos, começou a liderar aos 22. Ele já conduziu até 35 pessoas e, atualmente, resolveu abrir a própria empresa, atuando com consultoria financeira e consórcio.

“Minha primeira experiência foi um grande desafio. Comecei liderando quatro pessoas, que eram mais experientes. Acredito que tenha conseguido a confiança delas com carisma e conhecimento do que eu estava falando”, contou.

Para ele, ser lider é entender que há pessoas que dependem de você e que você precisa inspirá-las. Ele destacou que entre os principais desafios está entender o que motiva cada colaborador. “Alguns se motivam por prêmio, outros por reconhecimento ou retorno financeiro”, diferenciou.

Para ele liderar é uma grande escola. “Conquistar a admiração da equipe é um desafio diário, afinal as pessoas têm comportamentos diferentes fazendo o mesmo trabalho. A liderança traz mais conhecimento em um ano do que uma faculdade em cinco” calculou. “Isso é tanto no aspecto de lidar com colaboradores quanto em relação a entender como o mercado está no momento.”

Antonio Moreira/at

Robson: crescimento profissional

Questão de responsabilidade

Não ter o espírito de liderança necessário. Esse foi o argumento usado por 9, 38% dos entrevistados da pesquisa sobre mercado de trabalho para explicar o motivo de não querer ser chefe.

Outros 4,38% chegaram a alegar que admiram o chefe e não conseguem nem cogitar a possibilidade de chegar ao lugar dele.

Para o responsável pelo estudo, Robson Carlos de Souza, aquele que não quer ser chefe não quer responsabilidade, por exemplo, de gerir pessoas. “É uma questão de perfil, de personalidade.”

Ele contou que o número o pegou de surpresa, já que achou que seria menor. “As pessoas deveriam estar mais propensas a novos desafios. Acredito que elas devam refletir sobre isso”, argumentou ele que também é professor de Administração.

Muitas vezes também as pessoas subestimam a própria capacidade, deixando escapar entre os dedos oportunidades que possivelmente conseguiriam aproveitar, por não se sentirem capazes.

Outros argumentos foram: estou satisfeito com minha função atual (30,34%) e não gostaria de ter mais responsabilidade do que já tenho (39,3%).

Fala Leitor

Eu gostaria de ser chefe. Acredito que inspiraria a equipe e teria mais comodidade em relação ao horário de trabalho”

Letícia de Castro, 33 anos, educadora

Admiro muito meus colegas de trabalho, porque eles são pessoas esforçadas que amam o que fazem no salão de beleza”

Gleide Sueli, 45 anos, cabeleireira

Admiro alguns colegas e outros não. Minha admiração por alguns é por serem pessoas boas e fáceis de lidar”

Isaias da Silva, 31 anos, garagista

Tendo qualificação temos mais chances de nos manter no mercado. Se tivesse tempo, eu faria mais cursos”

Euclides Dantas, 52, assistente administrativo

Habilidade que se aprende

As habilidades técnicas e comportamentais de liderança podem ser desenvolvidas, de acordo com especialistas em gestão de pessoas. Para isso, é importante apostar naprendizagem contínua.

Para o consultor de RH Elias Gomes um bom caminho é fazer cursos e desenvolver competências como comunicação, relacionamento interpessoal, inteligência emocional e negociação.

Para ser um bom líder é preciso ser reconhecido como tal, ou seja, ter a confiança da equipe em seu trabalho. Além de ser capaz de engajar, inspirar, motivar os colaboradores a darem o seu melhor.

De acordo com Elias, entre os maiores desafios de um líder hoje em dia está montar a equipe e manter uma alta performance.

A diretora da Kato Consultoria, Roberta Kato, destacou que o líder é conector, ou seja, ele investe na construção de uma relação com o colaborador de forma que possa contribuir para o crescimento no âmbito técnico e comportamental.

A diretora de relacionamento com associado da ABRH-ES, Kamilla Matos, lembrou que o líder é o representante da equipe. “O conjunto de comportamento que ele apresenta é um exemplo a ser seguido. Muitos se demitem do gestor e não da empresa. Ele é o responsável direto pela qualidade do resultado e do clima.”

Os chefes na maioria das vezes são o principal motivo para que colaboradores talentosos deixem o trabalho. “É por isso que as empresas estão investindo muito na formação de líderes, porque eles são responsáveis por reter esses talentos na corporação”, acrescentou a especialista em pessoas e carreira Gisélia Freitas.

Estudar e desenvolver competências como comunicação e inteligência emocional é o caminho”

Elias Gomes, especialista em RH

Kadidja Fernandes/AT

Taissa: apreço pela simpatia

Maioria admira superiores e os colegas de trabalho

Um levantamento realizado em Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra, pelo Centro de pesquisas da Faculdade Pio XII, apontou que a maioria dos entrevistados admira os colegas de trabalho (85,94) e o chefe (69,69%).

A vendedora Taissa Pereira Leite, 24, contou que aprecia os colegas pela personalidade, competência e simpatia. Já em relação aos chefes, destacou: “É um casal simpático e acolhedor.”

Ela confessou que não tem vontade de ser chefe onde trabalha, mas que gostaria de, um dia, abrir o próprio negócio. Já o servidor público Jardel Romão, 44, admira os colegas por serem capacitados e de excelente convívio.

Considerando que a média de idade dos entrevistados para a pesquisa é de 41 anos, a psicóloga e especialista em pessoas e carreira Gisélia Freiras, explicou que essa geração, chamada a geração X, é acostumada com uma liderança mais institucional e processual.

Isso significa que não busca na liderança características como a geração atual, que quer, por exemplo, um líder carismático e participativo.

Ela também avalia que no Espírito Santo há muitas empresas familiares. “Com gestão e sucessão familiar, existe uma resiliência muito maior”, destacou a especialista.

Análise

Fernando Piva, diretor de Comunicação da ABRH-ES

“Comunicação é fundamental para mobilizar as pessoas”

“Diante de seus desafios, o líder precisa buscar o autoconhecimento para ter consciência de seus pontos fortes e os que precisam ser desenvolvidos. E deve conhecer os perfis dos integrantes de sua equipe para delegar atividades ao time de acordo com essas características complementares, para que sua visão de futuro, que deve estar alinhada com a da organização, seja alcançada.

Nesse processo, a comunicação é fundamental para mobilizar as pessoas de forma mais fluida, gerenciando suas expectativas, respeitando suas diferenças e adotando estratégias para o alcance dos resultados. A forma e a frequência em que o líder fornece feedbacks à equipe fortalecerão o seu comprometimento, motivando-as para as realizações.

Nessa caminhada, a coesão e a confiança são importantes para a construção de relações interpessoais sadias e propiciam um clima positivo de trabalho.”

Publicado em 12 de janeiro de 2020

Reportagem: Verônica Aguiar

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