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Crise vai fazer empresas acelerarem o uso de robôs

Crise vai fazer empresas acelerarem o uso de robôs

Caroline Freitas
Tecnologia

Processo vai evitar que produção seja parada por novos imprevistos, e profissionais terão de se reinventar para viver em uma nova realidade

Conforme avança a tecnologia, a tendência é de que algumas tarefas feitas por humanos passem a ser realizadas por máquinas. Entretanto, o processo, que deveria ocorrer de maneira gradual, vai ser acelerado diante da crise causada pela pandemia do novo coronavírus.

Isso porque a Covid-19, que ainda avança quase sem controle pelo mundo, fez com que as empresas percebessem que nem sempre podem contar com a mão de obra humana, sujeita à contaminação, entre outros riscos.

Assim, o que antes era visto como uma estratégia para modernizar o processo produtivo, passa a ser uma forma de impedir que a produção seja parada ou reduzida em caso de novos imprevistos.

“A economia está sofrendo profundamente com a pandemia, e as empresas estão percebendo que vão precisar se adaptar rapidamente. As grandes indústrias já estão bem avançadas em relação à automação robótica, já as empresas de pequeno e médio porte vão ter que se apressar”, avaliou o consultor empresarial Dória Porto.

Tomar essas decisões visando à melhoria de processos operacionais pode ser a diferença entre continuar de pé ou fechar as portas diante de novos imprevistos.

“Hoje, máquinas já são acionadas para podar árvores, drones realizam entregas, entre outras funções. E cada vez mais o uso da mão de obra inteligente vai ser maior, em comparação com o trabalho braçal. Não tem retorno. É um mundo diferente que está vindo por aí”, pontuou o coordenador do Fórum Mais Negócios da Federação das Indústrias do Espírito Santo, Durval Vieira de Freitas.

Embora a produção industrial seja a principal afetada, outros segmentos também devem passar por mudanças, como o setor logístico.

“Além desses segmentos, já se percebe que o atendimento de call center vem se tornando cada vez mais robotizado, empresas de recrutamento também utilizam robôs em partes importantes de seus processos seletivos, e até o sistema de delivery que conhecemos hoje deve ser modificado”, avaliou o CEO da Heach RH, Élcio Paulo Teixeira.

Nesse contexto, modificam-se também os profissionais, que vão precisar se reinventar para adequar-se à nova realidade.

Kadidja Fernandes - 20/09/2019

Eliana: “Essencial se requalificar”

“Será preciso ter mais atitude para se manter empregado”

A redução da mão de obra humana frente à tecnologia é considerada inevitável. Ainda assim, conforme alguns cargos vão desaparecendo, novas posições surgem no lugar. E, nessa transição, terá mais chance de conseguir uma nova vaga quem tomar uma atitude consciente de se requalificar.

Para a vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Estado (ABRH-ES), Neidy Christo, os profissionais precisam manter-se antenados e dispostos a agir diante de qualquer sinal de risco. “Não é de hoje que se diz que os robôs estão ocupando o espaço humano, mas quantas pessoas efetivamente recebem essa informação e tomam uma atitude?”

Diante disso, é necessário que o profissional analise o contexto em que está inserido, avalie os cargos que estão sendo extintos, e verifique o que pode fazer para manter a empregabilidade.

“É essencial que a pessoa busque se requalificar para se adequar à nova realidade. Quanto mais qualificada, maior a chance de ter emprego”, frisou a diretora da Center RH, Eliana Machado.

Divulgação

Roberta: teletrabalho no pós-crise

Home office definitivo já é avaliado por empresas

O isolamento social necessário diante da pandemia do coronavírus fez com que as empresas colocassem muitos funcionários em home office. Agora, as organizações já avaliam adotar o trabalho à distância de forma definitiva.

Uma das gigantes de tecnologia no Brasil, o Twitter informou no último dia 12 que, mesmo após o fim da pandemia, a possibilidade de trabalhar em casa será permanente para aqueles que preferirem o modelo e estiverem em cargos que permitam o trabalho remoto.

Essa mesma possibilidade já é estudada por empresas do Espírito Santo, segundo especialistas em Carreira e Recursos Humanos.

“O teletrabalho era tendência, tornou-se necessidade e permanece pós-crise. As pessoas estão percebendo que não é preciso estar fisicamente na empresa para serem produtivas. Inclusive, estou fazendo um estudo para duas empresas que vão atuar no modelo híbrido”, contou a diretora da Kato Consultoria e Treinamento, Roberta Kato.

O CEO da Heach RH, Elcio Paulo Teixeira, alerta porém que essa mudança não se dará da forma brusca como aconteceu. “As empresas deverão preparar os colaboradores dentro de um programa estruturado, com regras e acordos estabelecidos, manuais e, ainda assim, deverão manter parte do trabalho in loco.”

Algumas mudanças

Transição

Conforme o mundo avança pela Quarta Revolução Industrial, também chamada Indústria 4.0, a redução da mão de obra humana e a automatização robótica de processos produtivos tornaram-se inevitáveis.

Esperava-se, até então, que essa mudança ocorresse gradualmente e fosse motivada pelo desejo de crescimento das empresas.

A pandemia do novo coronavírus, que tem afetado a economia de modo geral, levou diversas empresas a paralisarem ou reduzirem a produção ainda que temporariamente. Isso tende a fazer com que esse processo seja adiantado, desta vez para garantir a sobrevivência das empresas em caso de novos imprevistos.

Cargos

Em maior ou menor grau, todos os segmentos serão afetados pela automação robótica.

As profissões com maior risco de substituição, entretanto, são as de nível operacional, voltadas à realização de tarefas padronizadas e repetitivas.

Cargos na produção industrial, no setor logístico, call center, recrutamento, estão entre os que serão transformados.

Já os cargos que envolvem tomada de decisões, criatividade, realização de atividades personalizadas, devem ganhar maior destaque, inclusive com surgimento de novas vagas que requeiram tais habilidades.

Qualificação

Os cargos que vão ganhar destaque pós-pandemia requerem, principalmente, o uso da mente. Assim, requalificar-se é essencial.

Além da formação formal, seja por meio de graduações ou cursos técnicos, há opções de cursos livres e chance de aprender até por meio de webinários (seminários virtuais).

Divulgação

Uso de robôs na montagem de veículos: tarefas padronizadas e repetitivas serão as mais afetadas pela automação robótica

Fontes: Durval Vieira Freitas, Eliana Machado, Élcio Teixeira, Neidy Christo e Roberta Kato.

Divulgação - 27/07/2019

Neidy Christo: “Foi preciso uma pandemia para aprovar a telemedicina”

Mais serviços digitais oferecidos à população

Mudanças no setor público também estão em curso. As medidas de combate ao novo coronavírus, que incluem distanciamento social, levaram órgãos estaduais e municipais a ampliarem a oferta de serviços digitais e estruturarem algumas outras mudanças.

Conforme pontuou o economista Marcelo Loyola Fraga, diversos setores do setor público passaram a trabalhar em casa devido à pandemia, uma mudança que não apenas economiza recursos da administração pública em um momento de queda da arrecadação, como aumenta a qualidade de vida de servidores e da população em geral.

Isso porque essa nova configuração levou os órgãos públicos a oferecerem mais serviços digitais, que agora estão à disposição sem que seja necessário sair de casa, e sem que seja preciso lidar com papeis e mais papeis.

“Isso não apenas economizará milhões do orçamento, como tambem vai agilizar as demandas para a sociedade em geral”, destacou o economista.

O Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES), por exemplo, disponibilizou 30 novos serviços no formato digital que passaram a ser feitos diretamente no site do órgão, como comunicado de venda, renovação de CNH (Carteira Nacional de Habilitação), agendamento de exames teóricos, entre outros.

Atualmente, somente os serviços de transferência de propriedade e primeiro emplacamento de veículo são feitos presencialmente ou por meio de despachantes.

A comunicação de crimes também mudou. A Delegacia Virtual (DeOn) da Polícia Civil do Estado (PC-ES) passou por mudanças e agora pode ser utilizada para registrar quase todos os casos, sem precisar ir a uma delegacia física.

Nos municípios, além de atendimento por telemedicina, diversos serviços podem ser acessados por telefone ou e-mail.

Esses tipos de mudança, segundo a vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Espírito Santo (ABRH-ES), Neidy Christo, são bem-vindas.

“Apesar disso, há um atraso. É algo que já deveria ter começado a ocorrer bem antes. Foi preciso uma pandemia para que aprovassem no Brasil a telemedicina, ou para que a oferta de serviços públicos digitais fosse ampliada.”

Divulgação/PMV

Alberto: melhora no atendimento

Servidores vão trabalhar em casa após pandemia

Para reduzir custos e dinamizar serviços, diversos servidores da Prefeitura de Vitória vão trabalhar de casa mesmo após o fim do período de isolamento social.

A princípio, a mudança será destinada a servidores em áreas estratégicas, a exemplo de profissionais em cargos administrativos, analistas e gerenciamento de projetos, que lidam com muita burocracia.

Mesmo aqueles servidores que têm algum expediente presencial, seja por sistema de rodízio, ou de modo permanente, terão que adotar novos procedimentos para aumentar a eficiência e reduzir o custeio.

“O prefeito já decidiu que, na eventual retomada, não vai ser como era antes. Boa parte dos serviços vai continuar sendo feito à distância, por meio da Prefeitura Digital. Já temos identificados setores hoje que podem ficar 100% online no futuro e vão permanecer assim”, explicou o secretário de Gestão, Planejamento e Comunicação de Vitória, Alberto Salume.

“Pensamos, por um momento, que isso não fosse funcionar, mas o que temos percebido é que, em alguns setores, o número de atendimentos realizados está sendo inclusive maior que antes do período de pandemia.”

O secretário de Desenvolvimento da Cidade e responsável pela Subsecretaria de Tecnologia da Informação de Vitória, Márcio Passos, afirmou que as mudanças, inclusive, já permitiram zerar o uso de papel pela prefeitura.

As prefeituras de Vila Velha, Serra e Cariacica foram questionadas por e-mail sobre a possibilidade manterem servidores em home office, mas não responderam.

Algumas mudanças

Governo estadual

Detran

O Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES) disponibilizou 30 novos serviços no formato digital que passaram a ser feitos diretamente no site do órgão, reduzindo a necessidade de o cidadão se dirigir até uma unidade para atendimento presencial.

Com esses serviços, o Detran-ES totaliza 53 serviços online dentro do programa Detran 100% Digital. Atualmente, apenas os serviços de transferência de propriedade e primeiro emplacamento de veículo são feitos presencialmente ou por meio de despachantes.

Delegacia online (DEON)

Com as novas orientações de isolamento social, a DeOn passou por mudanças e, desde 23 de março, pode ser utilizada para registrar quase todos os casos, sem a necessidade de ir até uma delegacia física.

Só não são aceitos registros de homicídios, sequestros, estupros e furtos e roubos de veículos. O cidadão que precisar registrar um Boletim de Ocorrência deve acessar: delegaciaonline.sesp.es.gov.br.

Agência Virtual Sefaz

A maioria dos serviços oferecidos para os contribuintes da Secretaria do Estado da Fazenda (Sefaz) podem ser acessados na Agência Virtual (AGV), sem a necessidade da presença dos mesmos nas agências físicas. Trata-se de um sistema próprio da Sefaz, que substitui os serviços das Agências da Receita Estadual (AREs).

Sistema E-DOCS

É o sistema de gestão de documentos arquivísticos digitais do governo estadual. Já é adotado por órgãos como a Secretaria de Gestão e Recursos Humanos (Seger), Secretaria de Desenvolvimento (Sedes), Procon e outros.

Municípios

Telemedicina

Diversos municípios do estado já oferecem atendimento médico básico por meio de serviços de telemedicina, isto é, atendimentos não presenciais, seja por telefone, ou internet. A disponibilidade deve ser verificada junto às secretarias municipais de Saúde.

Divulgação

Serviço digital do Detran

Fontes: Detran, Sefaz, Seger, Polícia Civil e pesquisa AT.

Mais que nunca, as empresas vão precisar ter automação, agilidade e resiliência para sobreviver a essa nova realidade

Dória Porto, consultor empresarial

Será preciso mudar hábitos e procedimentos não somente agora, mas na sequência, após a pandemia

Marcelo Loyola Fraga, economista

análise

Eduardo Pinheiro Monteiro, especialista em Tecnologia da Informação

“Digitalização já vem afetando ocupações fundamentais”

“Situações extremas acabam criando oportunidades, uma vez que a criatividade humana é desafiada pela busca de novas soluções que atendam demandas da tecnologia, saúde, educação, trabalho, entretenimento, entre outras.

Foi assim durante as grandes guerras mundiais e está sendo agora com a pandemia do coronavírus. Passado o choque inicial pelo isolamento social, na atual fase de adaptação a inovação acaba sendo a resposta para suprir todas as necessidades impactadas no dia a dia.

O mundo nunca mais será o mesmo, pois o processo de digitalização, que já estava em curso, vem sendo acelerado e já afeta ocupações fundamentais, como trabalho e educação. Uma pesquisa recente, que demonstrou que 65% dos internautas brasileiros que já trabalhavam ou estudavam agora o fazem de casa, acabando de vez com a resistência à virtualização.

Em um mundo em que tudo se torna virtual, a velocidade da internet se torna mais importante que a velocidade do seu automóvel.”

Publicado em 17 de maio de 2020

Reportagem: Caroline Freitas

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