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Os cuidados necessários com o pé diabético
Doutor João Responde

Os cuidados necessários com o pé diabético

Abençoados pés, que nos apoiam e nos levam de um lado para o outro. Dependemos deles para não dependermos de ninguém para caminhar. São os pés que nos ligam a terra, simbolizando suporte, absorvendo energia.

A palavra pé, que vem de “podos”, significa criança. Cuidar dos pés é tomar conta do ser que o habita, protegendo suas raízes, onde tudo começa.

Se todo ser humano deve aprender a cuidar dos pés, os diabéticos devem protegê-los com mais afinco, afinal uma das complicações mais temidas da glicose elevada é o pé diabético, principal motivo de amputações, depois dos acidentes.

Ao se ferir, é comum o diabético não sentir nada. Machucando o pé, ele apenas vai perceber quando tirar o sapato. Mesmo sendo medicado, o ferimento não melhora, evoluindo para infecção.

Em casos extremos, o quadro se agrava tanto que poderá exigir amputação de uma parte do membro.

Além do corpo não conseguir curar um machucado tão simples, o indivíduo demora a perceber o agravamento da lesão.

Diabetes mellitus é uma doença de evolução lenta. Caso não seja controlada adequadamente, ela irá provocar lesões em todo o organismo.

Pé diabético é uma das complicações mais comuns nos diabéticos, sendo o resultado de um conjunto de alterações que a enfermidade provoca nos membros inferiores, incluindo lesões nos nervos, distúrbios na circulação arterial, redução da imunidade e danos na anatomia dos ossos do pé.

Níveis de glicose continuamente elevados provocam injúrias nos nervos periféricos, gerando um quadro denominado neuropatia diabética.

Pacientes com neuropatia diabética perdem a sensibilidade dos pés, tendo dificuldade de sentir dor e de distribuir corretamente o peso do corpo sobre os membros inferiores.

Estes fatores levam a uma pressão anormal em regiões dos pés durante o ato de caminhar, gerando ferimentos na pele, tecidos moles, ossos e articulações. Diabéticos mal controlados são susceptíveis de desenvolver úlceras nos pés.

Ao longo do tempo, ocorrem repetidas lesões nas articulações e enfraquecimento de certos músculos, provocando deformidades nos pés.

Danos nos vasos sanguíneos, que nutrem os pés do diabético, diminuem o fluxo de sangue, provocando isquemia, contribuindo para a formação de úlceras e prejudicando a cicatrização de feridas.

Em certos casos, a lesão vascular é tão grave que evolui para gangrena. Alguns diabéticos, infelizmente, acabam por necessitar amputar um dedo, ou mesmo todo o pé, devido a esta complicação.

Outro fator que envolve o pé diabético é o comprometimento do sistema imunitário, facilitando a ocorrência de infecções e tornando difícil a cicatrização de feridas.

Devido à má circulação sanguínea, os antibióticos não conseguem chegar ao local da infecção, havendo risco de disseminação para a corrente sanguínea, desencadeando septicemia.

O reconhecimento e o manejo precoce dos fatores de risco são importantes para reduzir o aparecimento de ulcerações e lesões graves do pé.

O principal fator de risco é a persistência de níveis persistentemente elevados de glicose, responsáveis pelo surgimento do pé diabético.

O perigo de complicações aumenta com o uso de calçados não adequados para diabéticos, principalmente se o paciente apresentar manchas vermelhas, pontos dolorosos, dormências, bolhas, calosidades, pé chato e joanete.

Fumantes devem ser orientados que o cigarro provoca danos aos pequenos vasos sanguíneos dos pés, favorecendo a progressão da lesão vascular e dificultando o processo de cura das lesões existentes.

A diabetes se alastra silenciosa, fingindo que é inofensiva, até que se torna desastrosa. O diabético que não se cuida, terá doces lembranças e um amargo futuro.

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