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Os 30 anos da derrubada do Muro de Berlim
Tribuna Livre

Os 30 anos da derrubada do Muro de Berlim

Amanhã completar-se-ão 30 anos da queda do maior símbolo da "cortina de ferro" que se abatera sobre a Europa logo após a Segunda Guerra Mundial, o Muro de Berlim. A Guerra Fria chegava ao fim, e anunciava-se uma nova Ordem Mundial.

Em certo período, o marxismo - a ideologia dos países socialistas, como a Alemanha Oriental - assemelhou-se a uma fé austera mas persistente que guiaria as populações através do deserto, por meio de árduos esforços e sacrifícios que só seriam recompensados bem mais tarde. Em suma, o socialismo oferecia mais justiça em troca de menos liberdade.

O marxismo atraía a todos os que detestavam a desigualdade e a desumanidade do sistema capitalista. Os marxistas conquistaram muito espaço nas regiões mais atrasadas do mundo, incluindo países europeus. Ainda assim, foram os tanques soviéticos que espalharam regimes comunistas pelo Leste Europeu, incluindo na Alemanha Oriental, na sequência à derrota dos nazistas, em 1945.

A falência do “Socialismo Real” nos anos 1980, foi melancólica. A razão principal de tal fracasso foi que, afinal, não pôde competir técnica e economicamente com o Ocidente liberal. Assim, perdeu as corridas armamentista e consumista. Diante da inquestionável derrota na Guerra Fria, Gorbachev, da União Soviética, e demais líderes socialistas, decidiram-se pela abertura.

Porém, logo descobriram que, quisessem ou não, não havia como deter ou limitar o processo sem usar métodos mais drásticos do que os que estavam dispostos a usar.

Nesse sentido, em 1989, cresceu a reivindicação de maior autonomia, ou mesmo independência, nas repúblicas bálticas da União Soviética, na Moldávia e até na Ucrânia. Em setembro, formou-se na Polônia o primeiro governo da Europa oriental desde 1954 livre dos comunistas. No início de outubro, o Partido Operário Socialista Húngaro aprovou a sua própria dissolução.

Enquanto isso, toda a Alemanha Oriental era sacudida por intensas manifestações de rua. A polícia acabou por desistir de dispersá-las: as multidões eram enormes e a vontade de dispersar demasiado fraca. No dia 6 de novembro, caiu o governo da Alemanha Oriental. Três dias depois, o comitê central do Partido Comunista do país anunciou que o Muro de Berlim seria desmantelado e que a fronteira entre a República Federal da Alemanha e a República Democrática Alemã seria aberta na manhã seguinte. Isso precipitou as multidões em direção ao famigerado muro, que então foi derrubado.

Entre 1989 e 1991, quando o Socialismo Real foi varrido do Leste Europeu e da própria União Soviética, praticamente ninguém foi suficientemente zeloso ou leal para lutar pela ordem e pela própria fé. Num ritmo impressionante, a velha nomenklatura se transformou em capitalistas chauvinistas ou oportunistas. Segundo Ernest Gellner, nunca um navio naufragante foi abandonado com mais júbilo e unanimidade, nunca uma experiência foi condenada mais conclusivamente.

Quando a liberalização chegou, e a adesão formal à fé marxista deixou de ser imposta, houve um surpreendente e amplo abandono da ideologia e uma fria indiferença em relação a ela. Provam-no as ruínas do Muro de Berlim, para as quais os olhares do mundo inteiro hoje se voltam.

Raphael Leite Teixeira é historiador

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