O valor das centrais de abastecimento

Henrique Casamata é engenheiro e vice-presidente da Abracen (Foto: Leonardo Bicalho)
Henrique Casamata é engenheiro e vice-presidente da Abracen (Foto: Leonardo Bicalho)
A agricultura mundial passou por profundas transformações a partir da 2ª Guerra Mundial, com reflexos nas décadas de 1950 e 1960. Nos Estados Unidos a “Revolução Verde” resultou no aumento da produção e a produtividade agropecuária, a partir da utilização de insumos químicos, sementes geneticamente modificadas, expansão do sistema de irrigação e também intensa mecanização, possibilitando que a preparação do solo, o plantio e a colheita fossem realizadas em grandes áreas.

As mudanças constatadas na área rural brasileira resultaram da política de modernização, iniciada na década de 1950, implementadas com a finalidade de aproximar o setor agrícola do setor urbano/industrial, de forma a amortizar os reflexos do êxodo rural, intensificado a partir da década de 1970.

Nesse contexto, as centrais de abastecimento, as conhecidas Ceasas, foram criadas nos anos 1960, via organização de rede de abastecimento, envolvendo diretamente o produtor, o comprador e o vendedor em um único espaço estrategicamente bem localizado, com a finalidade de oportunizar o comércio de produtos agrícolas pelos pequenos e médios produtores, de forma a garantir diretamente o abastecimento do mercado de hortifrutigranjeiros.

A regulamentação do Sistema Nacional de Abastecimento (Sinac) ocorreu em 1972, sendo substituída pela Associação Brasileira de Abastecimento (Abracen) em 1986, com o papel de integrar as Ceasa’s dentro de uma proposta de aperfeiçoar os serviços prestados pelos entrepostos atacadistas divulgando e promovendo a troca de experiências e conhecimentos acumulados entre as Associações com a finalidade de promover o mercado hortifrutigranjeiro.

Atualmente, nesses espaços comercializam-se hortifrutigranjeiros oriundos de diversas regiões do país e até de outros países, tendo papel fundamental de interligar a produção de diversas regiões, proporcionando o abastecimento do mercado de forma mais rápida e eficiente. Outra atuação importante das Ceasas está na divulgação de informações de mercado agrícola e formação de preços, por tratar-se de um mercado muito dinâmico, onde os preços variam diariamente conforme oferta x demanda dos produtos comercializados.

De acordo com os números da Abracen, em 2017 as Ceasas movimentaram 34 bilhões de reais e cerca 17 milhões de toneladas de hortifrutigranjeiros. A Ceasa/ES contribuiu com cerca de 500 milhões de quilos e cerca de um bilhão de reais, gerando cerca de 15 mil empregos diretos e indiretos.

Resta incontroversa a importância das Ceasas, que se constituem num poderoso instrumento estratégico de gestão proativa, estimulando a produção e o consumo de hortaliças, frutas e demais produtos naturais e atípicos.

Ao longo desses mais de 40 anos, as Ceasas cumpriram seu papel com louvor. Chegamos ao século XXI com necessidades inerentes à época. O arranjo produtivo da comercialização dos hortifrutigranjeiros precisa ser o agente protagonista dessas mudanças. Perpassa pela rastreabilidade, embalagem, acondicionamento, inovação, além dos procedimentos tributários como nota fiscal eletrônica.

Henrique Casamata é engenheiro e vice-presidente da Abracen


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