O que o Flamengo e a Seleção Brasileira de 82 têm em comum?

 Zico e o Ceifador em campo. (Foto: Montagem a partir de reproduções da internet)
Zico e o Ceifador em campo. (Foto: Montagem a partir de reproduções da internet)

Em campo, a resposta é... nada! Fora das quatro linhas, porém, um drama parecido se desenrola e pode ser resumido pela expressão “que pena”, ou “que desperdício”.

Explico. Uma das teses que surgiram após a “Tragédia do Sarriá” aventa que, se a Seleção de 82, de qualidade incontestável, tivesse conseguido o campeonato mundial na Espanha, talvez uma geração seguinte de jogadores brasileiros se balizasse pela busca do bom futebol, pelo vistoso e não só pelo determinado. Dificilmente, pois, se ouviria falar em “era Dunga”. A reconciliação entre esses dois vetores, resultado e brilho, só viria 20 anos depois na Copa de 2002.

E o Flamengo nisso? Bem, a tragédia é que uma administração que conseguiu um dos mais brilhantes desempenhos gerenciais à frente de um clube futebol brasileiro, que conseguiu resgatar sua credibilidade e suas finanças através de uma boa governança venha a ser justamente aquela com uma retumbante sequência de fracassos em termos de títulos e resultados dentro do campo. Assim como em 82, pode-se dizer “que pena”.

Que bom seria se esse exemplo administrativo do clube carioca contaminasse outras agremiações esportivas pelo País afora. Mas temo que os resultados pífios nas quatro linhas sejam péssimos para esse marketing do bem. Assim como o resultado de 82 foi péssimo para o futebol de qualidade no Brasil nos anos seguintes.