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O que faremos com os "monstros" que matam inocentes em massa?
Terrence Saldanha

O que faremos com os "monstros" que matam inocentes em massa?

Guilherme Taucci, 17, um dos autores do massacre em Suzano (Foto: Facebook)
Guilherme Taucci, 17, um dos autores do massacre em Suzano (Foto: Facebook)

A Física aponta quatro forças fundamentais no universo. São elas a gravidade, a força nuclear forte, a força nuclear fraca e o eletromagnetismo. Nos meus devaneios, olhando para o céu noturno, gosto de pensar em uma quinta força fundamental, que se não interfere nas estrelas, interfere nos rumos da humanidade: a rejeição.

Sentir-se rejeitado é um estímulo doloroso para o ser humano, e as reações acarretadas a partir daí são imprevisíveis e podem ser explosivas. Tal reação à rejeição, penso eu, pode estar ligada a um instinto básico de sobrevivência que ainda carregamos em nossa memória genética.

Fazer parte de um grupo, de um bando, de uma sociedade é um atributo elementar para sobreviver. Quem não conta com o auxílio de outros para se proteger dos predadores tem menos chance na luta crua pela vida. Quem não faz parte de um grupo, vive à margem, é um pária, um marginal.

Daí que a energia dispendida pela rejeição é do tamanho da mágoa e da capacidade do rejeitado. Dependendo, ele pode arrastar o mundo para sua fogueira de ressentimentos. Converse com uma vítima de bullying, descubra seus verdadeiros sentimentos (que geralmente são enterrados bem fundo para esconder o estigma de “rejeitado) e se surpreenda com o tamanho da encrenca.

Claro que tais coisas não são “matemáticas”. O mundo está cheio de gente que sofreu rejeições atrozes e tocou suas vidas, inclusive virando o jogo e ajudando pessoas que passaram por experiências traumáticas semelhantes. São a maioria, temos motivos para acreditar.

O problema é quando o “fogo encontra a gasolina”.

Nas escolas, a luta de jovens contra a rejeição do grupo é comovente e desesperada. Um vale-tudo emocional que, se passa despercebido pelos educadores, pode ter terríveis consequências. Quem vem de famílias bem estruturadas costuma encarar bem essas pressões, mas, convenhamos, famílias bem estruturadas não são exatamente um ponto forte da sociedade atual.

Então vem a pergunta: o que fazer? Armar todo mundo e criar leis mais severas? Armas e leis mais severas contra alguém que já não dá valor à própria vida? Será que funciona?

Ok, vigilância sempre. Mas antes que o mal se instale, penso que a palavra de ordem também deveria ser acolhimento. “Acolher” deveria estar escrito na entrada das escolas. Na verdade, deveria estar escrita em toda parte. Acolher deveria fazer parte do currículo.

Um acolhido é um flagelado emocional a menos para acender uma fogueira de ressentimentos por aí.


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