O nó na garganta

Quem viu a bola entrar no gol? Não foi nosso, foi da Bélgica. Foram dois. Fizemos um, mas não deu.

De pistola, o torcedor brasileiro se torna triste. Logo agora que o gosto amargo do 7 a 1 estava quase saindo da boca. Quando a taça do hexa estava na ponta dos dedos.

O grito de gol ficou na garganta, junto com a tristeza que quase sufoca. As mãos amparam o rosto, tentam esconder as lágrimas que escorrem e o semblante de decepção.

Mais uma vez saímos nas quartas de final. Mais uma vez um país de cores vermelha, amarela e preta nos tira o sonho.

E agora? Como vai ser? O que faltou? Será que foi minha culpa? Não vesti a mesma camisa dos outros jogos, não sentei no mesmo lugar, não assisti à partida como no primeiro jogo da Seleção em campo.

Logo hoje. Hoje que o jogo estava bonito, tinha mais garra daqueles meninos, mais domínio de bola, muito mais chutes ao gol. Mas a bola teimosa não entrava. Não entrou. Ficamos para trás. Eles avançam. E nós? Lamentamos, choramos.

Nem o Canarinho Pistola, nem o Yuri, o russo misterioso, nem a meia da sorte ou o álbum de figurinhas. Nem os pulos para São Longuinho, a vela debaixo da TV. Nada funcionou.

Nos resta, então, seguir em frente. Voltar à rotina com os olhos vermelhos de chorar. E esperar que o Catar nos traga sorte maior que a Rússia. Vamos guardar o nó na garganta e saber que, de certo, aprendemos que nem sempre se ganha.

Valeu, Tite!

Por Lorrany Martins