O Natal de quem ama futebol

A decoração das casas só muda em duas ocasiões: Natal e Copa do Mundo. Em tempos de bandeira do Brasil pendurada na varanda, até o carro entra na onda e ganha uma miniatura para o vidro.

As cores usadas nessas datas são bem diferentes, mas um aspecto é igual: a união. Todo mundo se reúne em casa, na área de lazer do prédio ou no bar para acompanhar as partidas de futebol.

O primo que prefere jogos de computador, a tia que não acompanha futebol, a mãe que se desespera até na fase de grupos e o cunhado que foca no churrasco e esquece que a Seleção já está em campo. Um leva bebida, o outro chega com gelo, alguém faz o acompanhamento e tem também sobremesa. Igual Natal!

Os grupos de amigos se juntam e cada um leva outro amigo. Quando param pra ver, já tem umas 30 pessoas em volta da mesma mesa do bar.

O incrível da Copa é que você não precisa saber escalação, regra de impedimento e títulos. Só é necessário ficar empolgado e torcer muito. É a ocasião perfeita para comemorar até sem motivos. Churrasco em plena terça-feira? Permitido!

É um clima tão divertido que nada chega aos pés. Nem o carnaval. A Copa é democrática, feita para crianças, jovens, adultos e idosos. Não importa idade, classe social, local onde mora, time que torce, se gosta de futebol.

É por isso que parece Natal, amplamente celebrado no país inteiro e responsável por juntar as pessoas. Junta até países do mundo inteiro, com as mais diversas culturas e estruturas. Geopolítica fica de lado e é o que interessa mesmo é jogar bola com qualidade e raça.

Na Rússia, em 2018, quem manda é o espírito de fraternidade. Parecido com o que a gente vive todo 25 de dezembro.

Por Mayra Scarpi