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O mundo sempre foi um pandeiro para Jorge Fernando
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O mundo sempre foi um pandeiro para Jorge Fernando

Por Luiz Carlos Merten

Jorge Fernando era um sujeito turbinado. O repórter sabe porque teve a oportunidade - o privilégio? - de vê-lo em pleno trabalho. Foram dois sets de cinema. Jorge Fernando tinha um pique muito grande. Dava instruções ao elenco, aos técnicos e depois, ao acompanhar a cena, talvez por ter sido ator, você podia ver que ele movia os lábios como se também estivesse dizendo o texto e aí, quando surgia algum improviso, ele se surpreendia e você podia ver a alegria estampada na cara. Jorge Fernando esteve dois anos afastado da TV, devido a um AVC. Voltou este ano na direção da novela Verão 90.

Era divertida, com uma pauta leve, positiva. Quem viu, e o repórter, convalescendo de uma cirurgia, assistiu a quase um mês de novela no hospital, só podia rir e se emocionar com o casal jovem, com as duas mães (a boa e a socialite, isto é, a má) e o vilão, na verdade, o irmão ambicioso, capaz de tudo, até de passar como rolo compressor sobre a própria família, para tentar chegar lá (no topo).

A novela talvez tivesse um componente autobiográfico para ele, porque contava a história de um trio que começou criança, na TV, e Jorge Fernando, que morreu aos 64 anos neste domingo, 27, iniciou-se em 1978 - há 41 anos - com Ciranda, Cirandinha

Luiz Carlos Merten: "Esse mundo sempre foi um pandeiro para Jorge Fernando, como foi para Oscarito, Grande Otelo" (Foto: Divulgação/TV Globo)
Luiz Carlos Merten: "Esse mundo sempre foi um pandeiro para Jorge Fernando, como foi para Oscarito, Grande Otelo" (Foto: Divulgação/TV Globo)


Tudo bem, ele não era criança, mas era muito jovem, adentrando o mundo do espetáculo, do showbiz. Logo aprendeu a dominar sua mecânica. Tornou-se cúmplice de atores e autores. E ele amava a comédia. Servindo ao texto de Silvio de Abreu, criou a memorável Guerra dos Sexos, em que Fernanda Montenegro e Paulo Autran contracenavam em cenas de pastelão - os dois mitos da representação dramática no teatro do País.

Anos depois, Jorge Fernando os dirigiu de novo, no remake, em 2012. Nos 90, alcançou sucessos memoráveis com novelas como Rainha da Sucata, em que Regina Duarte teve um de seus grandes papéis; Vamp, uma deliciosa paródia de vampirismo; e de novo Silvio de Abreu - Deus nos Acuda e A Próxima Vítima. Os dois sempre tiveram no DNA o gosto pela chanchada e pelo teatro rebolado como expressões brasileiras.

Esse mundo sempre foi um pandeiro para Jorge Fernando, como foi para Oscarito, Grande Otelo. E o Brasil parou no último capítulo de A Próxima Vítima, à espera da revelação do assassino. Misturando teatro e TV, fez história nas noites de domingo com o Sai de Baixo. Caco e Magda, Miguel Falabella e Marisa Orth, integraram-se às famílias brasileiras e o bordão 'Cala a boca, Magda!' adentrou o léxico nacional. Voltou a ser ator no seriado Macho Man e dirigiu a estrela Claudia Raia no musical Não Fuja da Raia.

No cinema dirigiu, Xuxa GêmeasSexo, Amor e Traição, com Malu Mader, Alessandra Negrini, Fábio Assunção e Murilo Benício. Foi ator em Se Eu Fosse Você 2. E dirigiu também A Guerra dos Rocha, remake brasileiro de um grande sucesso argentino - Esperando la Carroza. O filme não foi nenhum blockbuster, e foi pena porque Ary Fontoura, travestido como matriarca, poderia ter recebido todos os prêmios do ano. Estava excepcional.

A crítica e o público foram preconceituosos, porque, na França, anos depois, Guillaume Galienne venceu o César, o Oscar francês, com Eu, Mamãe e os Meninos, também criando uma personagem de travesti - e no Brasil Paulo Gustavo virou fenômeno de público com a Dona Hermínia de Mamãe É Uma Peça.


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