Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.


Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

esqueceu a senha? Assinar agora
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.

O medo na padaria e o perigo na vida de um policial
Tribuna Livre

O medo na padaria e o perigo na vida de um policial

Hélio de Carvalho Freitas Filho (Foto: Tribuna Livre)
Hélio de Carvalho Freitas Filho (Foto: Tribuna Livre)
Em meados de fevereiro de 2017, na paralisação da Polícia Militar do Espírito Santo, grande parte da população sentiu os efeitos negativos da ausência da ostensividade das forças policiais, resultando na disparada da violência e dos números de homicídios e roubos.

Muitas situações de terror foram testemunhadas pela população, uma delas vivenciada por mim junto à minha família, numa simples ida à padaria em meu bairro. Devido à natureza da atividade que tenho, policial federal, no entanto, o caso ocorreu sob uma perspectiva diferente.

Na parte interna da padaria pairava no ar um incômodo clima de inquietação devido às sucessivas notícias de crimes, quando a frágil normalidade foi rompida com homens, mulheres e crianças correndo para dentro do local e tentando esconder-se ao fundo. O dono do estabelecimento explicou que estavam ocorrendo arrastões na rua e que o indivíduo ao seu lado, à paisana, portando arma de fogo, era um Policial Militar.

Ao identificar o terror nos rostos das pessoas e a gravidade da situação, resolvi agir e tive de fazer um enorme esforço para soltar a mãozinha de minha filha, que suava de nervoso. Olhei para ela e disse: ‘tome conta da sua mãe, fique aqui, eu volto para apanhar vocês’. Minha esposa estava aflita, porém compreendeu instantaneamente a necessidade do momento.

Apresentei-me, com o distintivo já em volta do pescoço, ao colega policial. Em fração de segundos foi estabelecida uma parceria entre dois indivíduos que jamais tinham se visto, ambos tendo em suas mãos pistolas e se lançando voluntariamente ao obscuro e iminente enfrentamento. Saímos à rua caminhando firme em direção ao foco do problema, na contramão da população.

A esta altura, já tomada pelo pânico, as pessoas tinham atitudes diversas: umas corriam, outras choravam, algumas prestes a desmaiar, e havia quem aplaudisse nossa chegada. Transeuntes indicavam que os assaltos estavam acontecendo no ponto de ônibus próximo. Alcançamos o foco, e de certa forma, debelamos o problema, visto terem os bandidos fugido em suas motos após a reação policial. Resgatada a tênue tranquilidade, regressamos, porém persistia a angústia de ter deixado minha família num lugar fragilizado pelas circunstâncias para sair em defesa de outros que sequer conhecia.

Retornei íntegro conforme prometi à minha filha, contudo, a reflexão é inevitável. Que profissão é essa que pelo juramento proferido, mesmo estando num aparente dia de “folga”, o policial, seja Federal, Civil ou Militar, se lança ao perigo? Que não faz distinção entre as forças policiais mesmo com a possibilidade de tiro do bandido? Um ofício árduo em que o apoio daqueles outrora vitimados pode rapidamente transformar-se em acusações e censuras por uma atitude mal realizada num intervalo mínimo de tempo para tomada de decisão e de execução?

Eu não espero compaixão do bandido, mas desejo reconhecimento da sociedade à tão espinhosa profissão e, principalmente anseio que haja coerência e respeito por parte do Governo Federal e dos parlamentares, em manter a atividade de risco da função policial, conforme disposto no inciso II, do parágrafo 4º, do art. 40 da Constituição Federal. Ou será que ainda persiste alguma dúvida quanto ao risco dessa digna e diferenciada profissão?

Hélio de Carvalho Freitas Filho é agente federal e vice-presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Espírito Santo


últimas dessa coluna


Exclusivo

Netflix versus cinema. Vocês ainda não viram nada

Nova Iorque, 6 de outubro de 1927, Picadilly Theatre. Na tela, diante de um público que desconhecia o que lhe aguardava, o ator branco Al Jolson, pintado com tinta preta, interpreta um cantor de jazz …


Exclusivo

Teletrabalho e a possibilidade legal da empresa reduzir custos

O teletrabalho é previsto no Capítulo II-A da CLT, porém, empresários e trabalhadores ainda têm dúvidas sobre essa modalidade contratual, também chamada de home office. O teletrabalho nada mais …


Exclusivo

Violar prerrogativas é amedrontar a sociedade

O advogado mineiro Sobral Pinto foi definitivo: “A advocacia não é uma profissão de covardes”. E não é mesmo. Enfrentar o Leviatã cada vez mais inchado e poderoso, somadas às angústias dos condenados…


Assistentes sociais no combate ao racismo

Vivemos uma conjuntura marcada pela intensificação da retirada de direitos sociais e de mudanças drásticas na direção das políticas públicas. São mudanças defendidas a partir de um discurso que visa …


Primeira estrada do Estado completa um século

Ao transitar pelas inúmeras estradas de rodagem que interligam os mais remotos rincões do nosso Estado, pouca ou nenhuma memória nos vem à tona para nos remeter a um passado relativamente recente, de …


Agricultura e economia nacional: passos para o desenvolvimento

Atualmente, o Brasil ocupa lugar de destaque como exportador de vários produtos agrícolas, razão pela qual se afigura como um dos principais atores na redefinição da ordem mundial do comércio …


A importância dos conselhos de fiscalização profissional

Em tempos de discussão acerca da manutenção dos conselhos de fiscalização das atividades profissionais e até mesmo a dúvida que permeia a sociedade quanto à necessidade da existência de tais …


A onda do naturismo cristão

Está chegando ao Brasil mais uma onda norte-americana do campo religioso. Criada em 1984, na cidade de Ivor, Pensilvânia, a Igreja White Tail se destaca por ser uma comunidade nudista. O …


E os médicos ainda são culpados?

A velha história se repete. A crise que acomete a assistência aos pacientes no PA de Alto Lage, em Cariacica, foi creditada, há pouco tempo, pelo prefeito daquele município, em entrevista a emissoras …


Por que os jovens bebem tanto?

É uma triste realidade. Os adolescentes têm bebido cada vez mais e, o que é pior, cada dia mais cedo. Quais seriam as causas? Onde encontrar a origem do problema? São perguntas que todos fazem, mas …


Olá, !

Esse é o seu primeiro acesso por aqui, então recomendamos que você altere o seu nome de usuário e senha, para sua maior segurança.



Manter dados