O esclarecedor exame de urina

Exame de urina é um método diagnóstico antigo. Utilizado desde o século II, ele tem a vantagem de ser indolor, de fácil coleta e resultado rápido, o que o torna menos penoso que as análises de sangue, que só podem ser coletadas através de agulhas.
A avaliação urinária fornece pistas importantes sobre doenças, principalmente nos rins e nas vias urinárias. O achado de sangue, glicose, piócitos e diversas outras substâncias na urina aponta para patologias que ainda se encontram assintomáticas.

Mesmo com aparência normal, a urina pode conter alterações, como a presença microscópica de sangue, por exemplo.

A uroanálise também pode ser usada para detectar drogas no organismo.

A pesquisa de elementos anormais e sedimentos urinários, denominado EAS, é o mais comum. Glicose, proteínas, hemácias, leucócitos, cetonas, bilirrubina, urobilinogênio, nitritos, cristais, células epiteliais e cilindros, podem ser pesquisados na urina.

A densidade avalia a concentração de sais minerais na urina. Quanto menos água houver, maior será sua densidade. Urina concentrada indica desidratação.

Ao contrário do sangue, a urina é naturalmente ácida. Dietas pobres em proteína animal e ricas em frutas cítricas e derivados de leite, além do uso de alguns medicamentos, podem deixar a urina alcalina.

A elevação da acidez urinária pode indicar alterações nos túbulos renais. Outras situações que aumentam a acidez da urina são as dietas hiperproteicas, o uso de diuréticos e a presença de diarreia.

Em condições normais não existem evidências de glicose na urina, surgindo apenas quando seus níveis sanguíneos estão altos. Pessoas diabéticas apresentam perda de glicose pela urina.
Basicamente, a presença de glicose na urina indica excesso de açúcar no sangue ou doença dos rins.

Em situações naturais, não existem proteínas na urina. Quantidades pequenas costumam surgir diante de febre, exercício físico, estresse, emocional e desidratação.

Em casos mais graves, como infecção urinária, lúpus eritematoso, doenças do glomérulo renal e lesão renal pelo diabetes, grandes quantidades de proteínas são encontradas na urina.

O achado de sangue na urina pode indicar infecções, cálculos ou complicações renais.
Leucócitos são células de defesa. Sua presença na urina sugere infecção, mas pode estar presente em várias outras situações, como traumas e uso de substâncias irritantes.

Corpos cetônicos são produzidos quando o organismo está com dificuldade em utilizar a glicose como fonte de energia. Quando encontrado na urina, evidencia diabetes, jejum prolongado, dietas rigorosas, febre e hipertireoidismo.

A presença de bilirrubina e urobilinogênio na urina sinalizam para doença hepática ou hemólise, destruição anormal das hemácias.

Quando presentes na urina, bactérias transformam nitratos em nitritos. Nitrito positivo é um sinal indireto de crescimento bacteriano.

Cristais na urina, principalmente de oxalato de cálcio, fosfato de cálcio ou uratos amorfos, não têm importância clínica. Ao contrário do que se possa imaginar, a presença de cristais não indica propensão à formação de cálculos renais.

Em alguns casos, entretanto, a presença de cristais pode ser um sinal de alguma enfermidade, como acontece na Gota, onde existem cristais de ácido úrico.

A presença de células epiteliais na urina é normal.
Cilindros hialinos na urina pode ser um sinal de desidratação.
Muco na urina tem pouca utilidade clínica.
Outras avaliações também podem ser realizadas através da urina, mostrando que esse líquido carrega em si um pequeno e valioso laboratório humano.

Em medicina, coisas simples, muitas vezes não avaliadas, ditam a realidade.

João Evangelista Teixeira Lima é clínico geral e gastroenterologista.

A coluna "Doutor João Responde" é publica às terças-feiras em A Tribuna.


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