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O desafio de tratar a dependência química
Tribuna Livre

O desafio de tratar a dependência química

A dependência química é uma doença complexa, já considerada um dos maiores desafios de saúde pública no País. Diferentes pesquisas mostram o aumento do uso de drogas em todas as classes sociais. A ONU estima que 158,8 milhões de pessoas, ou 3,8% da população entre 15 e 64 anos, consumam drogas no mundo.

E o Brasil é o maior mercado de derivados de ópio (como a heroína) na América do Sul, com estatísticas que apontam que cerca de 600 mil pessoas consomem a droga – considerada altamente viciante, já que uma pequena dose pode ser capaz de aumentar os níveis de dopamina do usuário em cerca de 200%, só para citar um exemplo.

A questão é que o caminho para a dependência química tende a ser curto enquanto o percurso que leva à recuperação é longo, custoso e multifacetado, com características específicas de acordo com as drogas envolvidas, o perfil do indivíduo, entre outros inúmeros fatores sociais, biológicos e comportamentais.

Em comum, uma realidade alarmante que precisa ser enfrentada e que gera demandas que passam pela saúde, pelo mercado de trabalho e pela segurança pública, por exemplo.

Já está posto que os melhores programas de tratamento são aqueles que reúnem uma combinação de terapias e outros serviços para atender as especificidades de cada caso.

Trata-se da primeira orientação do Instituto Nacional de Abuso de Drogas, que defende 13 princípios de tratamento e define como “número 1” a premissa de que um único tratamento padronizado não é apropriado para todos os indivíduos.

Combinar locais de tratamento, intervenção e serviços para os problemas e necessidades de cada paciente em particular é indispensável para garantir o retorno pleno e produtivo à família, ao local de trabalho e à sociedade.

Os 13 princípios defendem uma abordagem médica, psicológica, social, vocacional e legal individualizada e personalizada. Cabem aos profissionais de diversas áreas avaliarem, de forma permanente e conjunta, as combinações de tratamento durante o processo de recuperação.

Princípios que abordam a duração e a medicação também devem considerar a individualidade de cada um, sua idade, gênero, etnia e cultura.

Importante perceber que outros princípios que falam, por exemplo, de terapias comportamentais, internações e métodos de desintoxicação também defendem a avaliação integral do dependente.

Fundamental é reafirmar que restaurar o funcionamento pleno do dependente químico requer um trabalho em equipe, que deve estar preparada para avaliar as necessidades múltiplas do paciente.

Tratar a dependência química não é apenas curar os efeitos que as drogas causam no indivíduo e, sim, reorganizar o indivíduo por completo.

Governo e sociedade já entenderam que a prioridade é desintoxicar, tratar e auxiliar os dependentes químicos a voltarem ao convívio social. Que a dependência química é uma doença crônica e grave, traz complexidades em seu tratamento e tem sido ampliada com o aumento do desemprego, da pobreza e da desigualdade social.

São desafios de saúde que envolvem muitas áreas e infinitos esforços. Refletir, abrir espaço para o debate e assumir responsabilidades, buscando os melhores caminhos, deve ser um compromisso de toda a sociedade. 

Luis Henrique Casagrande é psiquiatra e presidente da Associação Capixaba de Clínicas Psiquiátricas do Espírito Santo.

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