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“Ninguém encara a morte e volta da mesma forma”, afirma Reynaldo Gianecchini

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“Ninguém encara a morte e volta da mesma forma”, afirma Reynaldo Gianecchini


Gianecchini volta ao horário nobre na pele de um playboy mau caráter em “A Dona do Pedaço”  (Foto: Globo/ Raquel Cunha)
Gianecchini volta ao horário nobre na pele de um playboy mau caráter em “A Dona do Pedaço” (Foto: Globo/ Raquel Cunha)
Não foi algo planejado. Ele não buscava o estrelato ou o título de galã. Mas, há 20 anos, Reynaldo Gianecchini estreou na televisão em horário nobre em um papel de destaque e conquistou corações. “Foi preciso coragem. Eu sabia que não estava pronto. Também enfrentei muitas críticas”, ressalta.

Para ele, “quem tem coragem tem sempre boas histórias para contar”. E, aos 46 anos, o “garoto de Birigui que jamais imaginou trabalhar na televisão” contou algumas das suas em uma conversa franca com o AT2.

Entre elas, está a sua batalha pela vida ao enfrentar um câncer há 8 anos. “Ninguém encara a morte e volta da mesma forma. Ainda bem! Uma experiência de quase morte tem que nos transformar. Bobo daquele que não muda, que passa por isso e não entende o que está acontecendo”, afirma.

Pronto para voltar ao horário nobre na pele de um playboy mau caráter em “A Dona do Pedaço” na próxima segunda-feira (20), Giane, como é chamado, confessou gostar de viver vilões. “É sempre mais divertido viver tipos amorais, tortos”.

Quando conversamos pela última vez, você tinha acabado de viver o Anthony, de “Verdades Secretas”. E, na última cena dele, você quebrou a internet. Está chegando mais manso agora, certo?

Reynaldo Gianecchini (Risos) É verdade, esse trabalho foi muito bacana. Mas, bom, a gente nunca sabe o que vai acontecer em novela, né? Ainda mais com o Walcyr (Carrasco, autor da novela). Então não sei se estou chegando mais manso. O Walcyr é muito criativo. Eu gosto muito da forma como ele escreve. Ele vai soltando os personagens, as situações. O Régis é um personagem que peca na questão do caráter. Mas ele é divertido, mais solar. Ele não tem aquela densidade dos vilões maquiavélicos, sabe? Ele é mais solar, mais engraçado. Por enquanto. Vamos ver até aonde ele vai, até aonde o Walcyr vai levá-lo. (Risos)

Você dá bons vilões, ou melhor, cafajestes. É mais interessante?

(Risos) Que bom! Sim, é sempre mais divertido viver tipos amorais, tortos. É mais divertido porque o vilão tem várias camadas, é mais colorido. É difícil encontrar tantas camadas em um mocinho. O vilão pode tudo. Ele realmente não tem compromisso com qualquer regra, não precisa ser certinho. Na vida real a gente sempre procura ser do bem, ser correto. Mas, na ficção, é mais interessante não ser legal.

Também já fez mocinhos. E o Gianecchini? É o genro que mamãe pediu a Deus ou tem o seu lado mau?

(Gargalhadas) Acho que todos nós somos uma mistura de tudo. É uma grande mentira nos colocar em um rótulo. Se colocar em uma autoimagem fechada, em uma gaveta, é uma ilusão. A gente tem um pouco de tudo dentro da gente. Cada um tem os seus desafios na vida, as suas fases. Mas uma coisa que eu prezo muito é o caráter. Não há desculpa para a falta de caráter. Também é bom uma auto-observação. Estou sempre olhando para mim mesmo, minhas falhas, e procuro não escorregar. Também tenho muita empatia pelas pessoas. Busco sempre compreender o outro. Ter caráter e empatia é essencial.

Como escorpiano, tem o sexto sentido aguçado?

Muito! Como um bom escorpiano, tenho muita intuição e uma percepção aguçada. Dificilmente me engano. E, como um bom escorpiano, eu não sou sempre bonzinho. Mas também não sou terrível. (Risos)

Agatha (Moreira), que dividirá a cena com você, diz que quer ser apedrejada. E você?

(Risos) Eu não sei. Acho que a personagem da Agatha é muito mais sem coração, é bem diferente do meu personagem. Eu consigo ver um lado legal no Régis, acredito no coração dele. Acho que ele não será tão odiado. Mas tudo bem se for. Quando você provoca é sinal que está fazendo um bom trabalho. Eu adoro quando o personagem cai na boca das pessoas. Fiz alguns personagens que geraram reações extremas, as pessoas vinham falar comigo, comentavam. E também aconteceu de fazer outros que não tiveram tanta repercussão. No final das contas, é bem mais divertido quando o personagem provoca, causa alguma reação. Seja ela qual for. Então, se for para ser apedrejado, que seja! (Risos)

Já são vinte anos na televisão. Hoje encara a repercussão de seus papéis de forma diferente?

Muito! Tudo é muito diferente hoje. Quando você está começando na carreira, tudo é muito novo. É difícil lidar com tamanha exposição, com tanta gente de olho, com tantos comentários. E, quando você é novo, você dá muita importância a tudo. Você é jovem, tudo é novo. Você é ansioso, é difícil. Eu era muito duro comigo mesmo. Com a maturidade, tudo fica mais fácil. Você vê que tudo é uma grande bobagem. Quando você está mais maduro, não é tão dependente de julgamentos. Então a vida vai ficando muito mais leve, divertida. Hoje, eu não me chateio com nada. Eu sou muito mais focado no que eu quero para a minha vida, nas relações que eu desejo manter, nos desafios que pretendo transpor. Então, hoje, tudo é diferente.

Você começou em uma novela das oito, em um papel importante. Demandou bastante coragem, não? Não ficou aterrorizado?

Fiquei. E acho que você falou certo. Foi preciso muita coragem para bancar tudo isso. Estrear em uma novela, em horário nobre, com um protagonista. Acho que eu realmente fui muito corajoso. Há muitas escolhas na vida da gente e foi uma escolha minha. Mas, claro, foi tudo muito difícil, muito duro, porque, ao topar tudo isso, precisei lidar com as críticas. Enfrentei muitas críticas e eu mesmo sabia que não estava pronto. Era muito novo. Mas tive coragem, dei a cara a tapa, me joguei aos leões. E aprendi muito com tudo aquilo. Foi ótimo. Tudo certo.

Ainda era o galã. Acha que se livrou desse rótulo? Buscou livrar-se dele?

Honestamente? Eu não penso muito sobre isso não. Não é algo que eu reflita sobre, ou que eu tenha buscado me livrar. Tá tudo certo ser o galã, desde que isso não te limite, não te obrigue a ser somente isso. Se isso não te colocar em uma gavetinha, tudo certo. Eu fui para o teatro, fiz tipos como o Pascoal, que era um anti-herói, embora tivesse algo de sedutor. Fiz um pouco de tudo na minha carreira. Essa coisa da beleza sempre esteve meio presente, mas eu jamais me limitei ao papel de bonitinho, sem conteúdo, aquele que não tem mais nada. A minha vida jamais girou em torno disso e eu não penso realmente sobre isso. Também não acho que há problema. Às vezes parece até que tem que pagar um pedágio por ser bonito. Como se a pessoa tivesse que provar algo. Tá tudo certo. Beleza nunca foi assunto para mim, nunca me limitou. E nem é tudo isso. Não tem esse tamanho e jamais teve. Eu nem me acho esse galã todo.

Mas você é uma medida de beleza. Quem fala “o sujeito é um Gianecchini” quer dizer que ele é muito bonito.

Eu sempre achei isso um exagero na verdade, sabia? Isso é uma imagem construída em cima de uma fantasia, de uma ilusão. É baseada em um personagem, ou em uma ideia de glamour, de que a nossa vida é algo fora do comum. Não é. Na minha vida, eu sou muito pé no chão. Eu não embarco nessas historinhas, não. Minha vida é muito simples e o meu dia a dia não tem nenhum glamour.

Vi que você comemorou o reencontro com Juliana (Paes), que começou a carreira na mesma novela. Há um clima de nostalgia? Chegou onde imaginou?

Eu não sei, viu? (Pensa um pouco) Não sei nem se eu imaginava como estaria dentro de vinte anos, se eu planejava. Eu acho que a vida é tão louca, ela vai te apresentando situações, desafios. Sei que o garoto de Birigui nunca imaginou que um dia trabalharia na televisão. Mas não sei exatamente o que eu esperava.

Quando eu e a Juliana nos encontramos, o que rolou, e que foi muito legal, foi um “flashback” daquela época. Lembro o quanto nós dois éramos tímidos na profissão, o quanto queríamos acertar. E vejo como a vida é legal, quantas voltas ela dá. Hoje eu vejo a Juliana, essa atriz incrível, que eu admiro tanto, que tem essa força como mulher, como profissional. É muito gostoso ver toda essa evolução dela. Acho que quem tem coragem sempre vai ter boas histórias para contar. Está sendo muito gostoso bater essa bola com ela, um prazer enorme.

Você disse que “a vida é tão louca” e ela te deu um grande desafio: um câncer. Isso mudou a sua vida ou esse é um clichê?

Nossa, mudou muito! Radicalmente. Completamente. Bobo daquele que não muda, que passa por isso e não entende o que está acontecendo. A minha vida mudou completamente depois da minha doença. Temos as nossas escolhas, nossas prioridades. Tudo isso muda, tudo começa a ser pensado diferente. Até em minha profissão, eu mudei. Porque a nossa ferramenta é o nosso interno, é o que trazemos de dentro da gente para trabalhar nos personagens. E eu sou outra pessoa. Tenho outros recursos.

Também acho que aprendi a relaxar mais, a não focar nos resultados. Hoje em dia eu não estou interessado em prêmios, em ter um resultado positivo, por exemplo. Não me cobro isso. Quando eu começo um trabalho, o que eu quero é ter qualidade nas minhas relações, quero me divertir, quero me desafiar e aprender. A vida é movimento, nada é estático. E eu jamais vou dizer “já sei”. Estou sempre ali para aprender, para descobrir. Inclusive para me descobrir como ator. Qualquer resultado será consequência disso. E o que eu observo é que, dessa forma, os resultados têm sido muito positivos. Tudo tem sido muito melhor. Tudo isso veio depois da minha transformação, depois que eu comecei a enxergar a vida de forma diferente, depois da minha doença. Ninguém encara a morte e volta da mesma forma. Ainda bem! Uma experiência de quase morte tem que nos transformar.

Então é mais feliz hoje do que aos 20 e poucos anos?

Sem dúvida! Eu gosto muito mais de mim hoje, aos 46, do que aos vinte anos. Hoje estou mais pronto para viver a vida com prazer. A maturidade te permite relaxar, curtir a vida melhor. Quando a gente é jovem não tem muito controle, se rende à ansiedade. Sei aproveitar a minha vida hoje. A vida é bem melhor aos 40.


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