Luiz Fernando Brumana

Luiz Fernando Brumana

"Nasce uma estrela": um filme de sons e silêncios

 (Foto: Divulgação)
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Quando foi anunciado o filme com Lady Gaga já se esperava uma grande adesão do público. Afinal, sua qualidade como cantora arrebata multidões de lotar estádios. Então, por que não faria o mesmo no cinema? Nasce uma estrela surgiu com esse respaldo, mesmo o roteiro já tendo sido filmado mais de uma vez  — cinco, ao todo. A penúltima em 1976 tendo como atriz principal Barbra Streisand

Ter uma cantora como protagonista, portanto, não é uma ideia inovadora, vale lembrar que Whitney Houston se consagrou em O Guarda Costas (1993) e Beyoncé surpreendeu em Dreamgirls (2006). É como se cada pop star, em algum momento, se arriscasse no cinema. Este é o filme da Gaga e não podemos falar que foi uma aventura. Seus dotes interpretativos já ficaram evidentes após receber indicação ao Emmy e ter participado da série American Horror Story. Portanto, não seria surpresa se ela beliscar uma indicação ao Oscar no próximo ano.

 (Foto: Divulgação)
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O filme é dirigido por um ator renomado de Hollywood, Bradley Cooper. Ele estreia na direção e acumula um dos papéis mais importantes para a trama. Conseguiu fazer ambos bem e talvez, por estar no leme, acabou dando espaço demais ao seu personagem, o que deixou a protagonista em segundo plano em alguns momentos.

Cooper canta e não faz isso mal. Mas Gaga é impressionante em todas as cenas musicais. Consegue assim retomar as rédeas da história de uma garota que trabalha em restaurante e sonha em ser cantora. Mesmo a Ally, sua personagem, sendo meiga, o oposto da Mother Monster, alguns trechos fazem lembrar a cantora que chocou o mundo ao ir ao VMA com um vestido de carne.

Cada um, Cooper e Gaga, assim, acaba se destacando em sua seara. Pela interpretação, ele se evidencia por centralizar quase todo o drama do enredo. Há quem critique eventuais exageros, mas nada que comprometa. Cooper também pode chegar a ser indicado ao Oscar.

 (Foto: divulgação)
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A direção foi boa, a fotografia primorosa (desde a cena inicial com o nome do filme), mas o destaque ficou mesmo com a mixagem de som, principalmente pelo contraste que oferece ao espectador. É um filme musical com pop e rock, portanto com sons ensurdecedores de guitarras e baterias. Em outras cenas, todavia, um longo silêncio é utilizado para evidenciar a tensão, o medo e a angústia dos personagens. Também não há como deixar de exaltar a trilha sonora, que é um espetáculo a parte.