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Mercantilização do ensino e trabalho docente
Tribuna Livre

Mercantilização do ensino e trabalho docente

Este é um momento propício para se abordar a expansão desordenada do ensino superior privado brasileiro e suas implicações nas políticas curriculares, bem como no cotidiano do trabalho docente.

Mostra-se pertinente a discussão sobre o financiamento da educação superior, um tema bastante atual e que remonta ao final da década de 1980.

À época, defendia-se o que hoje se propõe como nova política pública – inclusive no polêmico programa “Future-se”, recentemente anunciado pelo Ministério da Educação (MEC).

Nesse programa, está contido, assim como esteve no passado, o autofinaciamento da educação superior, considerado sob a ótica preferencialmente privada, com o Estado na mera condição de supervisor da estrutura educacional. A promoção da mercantilização do ensino superior cresceu significativamente ao longo dos anos, segundo autores especializados, oscilando entre a privatização parcial e a total. Nesse contexto, verifica-se impressionante expansão das Instituições de Ensino Superior (IES) privadas e com fins lucrativos, que ofertam vagas com financiamento público em diferentes cursos de graduação.

Assim, a partir da análise do Relatório do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp) – 2010-2015, constata-se um período de “bonança”. A consequência dessa expansão fica evidenciada na criação de cursos em descompasso com as necessidades e demandas reais de diferentes regiões do país, com a oferta de vagas anuais em excesso, salas de aula lotadas, alta empregabilidade para docentes e, ao mesmo tempo, baixos salários, formação profissional aligeirada e criação de inúmeros cursos na modalidade a distância.

Do ponto de vista do cotidiano da sala de aula, evidencia-se a regulamentação e o controle das avaliações; o padrão de provas com questões prontas (banco de questões) aplicadas aos estudantes; o treinamento para o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade); a premiação ao docente que eleva o “nível” de aprendizagem; as metodologias escolhidas pelas IES e utilizadas pelos professores; e a unificação de diferentes turmas em apenas uma para maximizar a oferta semestral com redução do quantitativo de docentes, uma estratégia de mutilação do currículo e da formação profissional.

Um primeiro olhar de observadores alheios ao magistério avaliaria tais ações como facilitadoras do trabalho docente. No entanto, a interpretação mais apurada e consciente do papel do professor no ensino e na aprendizagem revela que se trata de ações que reduzem o ensino a um trabalho simples, acessível à instrumentalização e à utilização de pessoas para a aplicação de conteúdo, metodologias e avaliações. Esse modo como as IES de natureza privada mercantil lidam com a oferta de vagas na graduação desconsidera a docência como trabalho, bem como as suas complexidades.

O trabalho docente decorre de múltiplos saberes que se relacionam com o contexto da prática pedagógica, com a dimensão relacional e coletiva das situações de trabalho e dos processos de formação, com a ambiência da aprendizagem, com o contexto sócio-histórico dos alunos, com o planejamento das atividades, com a condução das aulas nas suas múltiplas possibilidades e com a avaliação da aprendizagem. Assim, percebe-se que esse modelo de ensino superior de viés mercantilista e seus formatos padronizados apresentados há décadas como novidade, definitivamente já não atendem mais aos educadores e, tampouco, à sociedade.

Zenólia Christina Campos Figueiredo é professora do Centro de Educação Física e Desportos da Ufes e doutora em Educação.

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