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Meningite, uma doença grave
Doutor João Responde

Meningite, uma doença grave

Em 1977, apesar de ainda estar cursando o quinto ano de Medicina, fui chamado para consultar um adolescente que apresentava dor de cabeça e febre. Ao examina-lo percebi que se tratava de uma infecção séria e, mesmo sem dispor de muita prática clínica, achei conveniente entrar com antibiótico, enquanto o encaminhava para avaliação de um especialista.

O paciente acabou melhorando e, dias depois, a mãe o levou ao neurologista. Após exames de sangue e procedimentos radiológicos, foi detectado um quadro de meningite meningocócica. Ao saber que o adolescente havia tomado Doxiciclina, o profissional exclamou, informando que aquele medicamento, utilizado precocemente, salvou a vida do rapaz. Desde então, tornei-me uma espécie de herói para essa família.

Meningite é a inflamação das membranas que envolvem o cérebro. Existem vários tipos de meningites, sendo a maioria provocada por vírus ou bactérias.

Embora menos frequente, fungos, alergias a determinados medicamentos e cânceres também podem gerar essa temida patologia.

Meningite viral é causada por diversos tipos de vírus. Embora seja a forma mais comum, é pouco perigosa. Muitas vezes, ela nem exige tratamento. Os vírus causadores da meningite podem ser transmitidos via alimentos, água e objetos contaminados, sendo mais frequente entre o fim do verão e o começo do outono.

Meningite bacteriana é a mais grave de todas. Ela ocorre, geralmente, quando a bactéria entra na corrente sanguínea e migra para o cérebro. Infecção no ouvido, fraturas e cirurgias podem disseminar o germe.

Responsável por quadros de otites e pneumonias, o pneumococo é a bactéria mais comum que transmite meningite. Felizmente, existe vacina para prevenção dessa enfermidade.

Outra bactéria comum é a Neisseria meningitidis. Ao penetrar na corrente sanguínea, após infecção no trato respiratório, ela torna-se muito contagiosa.

Em crianças, o Haemophilus influenzae é a principal causa de meningite.

Atualmente, sua ocorrência é controlada por meio de vacinas. Caso não haja prevenção, a doença pode se desenvolver a partir de uma infecção no trato respiratório.

Meningite fúngica, embora menos comum, pode evoluir para cronicidade. Seus efeitos costumam ser idênticos aos da meningite bacteriana, inspirando cuidados, embora não seja contagiosa.

Os primeiros sinais de meningite são facilmente confundidos com os sintomas típicos da gripe. Cefaleia, febre, rigidez na nuca, vômitos, confusão mental, sonolência, intolerância à luz, anorexia e manchas pelo corpo, são alguns deles.

Dependendo da causa, meningite pode levar a complicações graves, inclusive à morte. Por isso, é muito importante que, ao primeiro sinal da doença, deve-se procurar um especialista para que ele possa fazer o diagnóstico. Confirmada a doença, a terapêutica deve começar imediatamente.

O tratamento de meningite depende da etiologia. Quase sempre é dispensável em meningites virais, pois a doença costuma desaparecer após algumas semanas.

Os únicos meios de terapia indicados são repouso, ingestão de líquidos e uso de medicamentos para aliviar as dores. Em alguns casos, antivirais podem ser administrados.

A intervenção em meningites bacterianas deve ser imediata, objetivando reduzir o risco de futuras complicações. O antibiótico depende do tipo da bactéria causadora da infecção.

Quando a causa da meningite não é esclarecida, administram-se, imediatamente, medicamentos antivirais e antibióticos, já que meningites causadas por vírus e bactérias são os tipos mais frequentes da doença.

Quatro décadas depois daquele episódio, vejo a sorte continuar ao meu lado; pois quanto mais estudo, mais sorte eu tenho.
 


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