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Meio sol amarelo
Luiz Trevisan

Meio sol amarelo

“Pode-se prever que num futuro não distante nosso litoral estará povoado de muquifos flutuantes e puxadinhos. Na tentativa de atrair inquilinos, imagino até a campanha publicitária para vender uma casa entre as ondas, e com música já pronta: “O mar é meu chão”, de Dori Caymmi e Nelson Motta, gravada por Sérgio Mendes”

Casal acusado de construir moradia irregular em área marinha pode ser preso e até condenado à pena de morte. Isso na Tailândia. Por aqui, dias atrás moradores de Iriri foram às ruas protestar contra construções irregulares à beira-mar, que na prática roubam o sol de todos, a partir de certa hora, isso quando também não interferem no ir e vir das pessoas. Moradores do balneário, por sinal o favorito do governador Renato Casagrande – reclamam da construção de prédio com 12 andares, entre outros, e de não ser consultada. Big House com a palavra...

Dias desses, circulando lá, me perguntei até quando o casario antigo que ainda existe em alguns nichos de Iriri resistirá à galopante verticalização da orla. Há na avenida principal – e talvez, a essa altura, já tenha sido incorporada por alguma imobiliária – uma dessas casas bucólicas de janelas azuis, varanda florida, sótão em forma de mirante, um pomar nos fundos, delícia. É a mais perfeita tradução da idílica casa da vovó de inesquecíveis verões e frutuosos outonos.

Ah, os lobbies das construtoras, a vista grossa de parlamentares e os Planos Diretores Urbanos manipulados já sombrearam muitas praias. Na Praia da Costa, Vila Velha, após certa hora, o sol da tarde já não é para todos, se põe antes diante da barreira de prédios altos. Porém aqui ninguém corre o mesmo risco do casal flagrado na Tailândia – ele americano, ela tailandesa – que resolveu flutuar no litoral uma moradia de acrílico e alumínio mantendo prudente distância da praia.

O casal faz parte do Ocean Bulders, um movimento de empresários financiadores desse tipo de moradia marinha fora dos limites das nações, em tese. Assim, surgem as chamadas “micronações” flutuantes sujeitas a lei nenhuma. Bem diferente daquelas moradias em embarcações ao longo dos canais de Amsterdã, onde exóticos moradores não se livram das taxas e leis triviais.

Diante do interesse mercantil dessas moradias vendidas como “micronações” – a “liberdade” embutida soando música aos ouvidos dos alternativos e solitários lobos do mar – pode-se prever que num futuro não distante nosso litoral estará povoado de muquifos flutuantes e puxadinhos. Na tentativa de atrair inquilinos, imagino até a campanha publicitária para vender uma casa entre as ondas, e com música já pronta: “O mar é meu chão”, de Dori Caymmi e Nelson Motta, gravada por Sérgio Mendes.

Certamente causará inveja à turma do “Fly me too the moon”, que volta e meia tenta vender lotes na lua seduzindo com a canção onde Frank Sinatra, num charmoso dueto com Tom Jobim, entoa: “Leve-me para a lua e deixe-me brincar entre as estrelas/Deixe-me ver como é a primavera em Júpiter e Marte...”. Quase irresistível, a gente balança e flutua. E quem tira os pés do chão, dança.


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