Música

Marcado por controversa premiação, Globo de ouro abraçou diversidade em 2019


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Entre a celebração de uma corrente de amor defendida pelo cantor Freddie Mercury, representado no ganhador do Globo de Ouro de melhor filme Bohemian rhapsody, e os bastidores tumultuados de uma produção idolatrada nas bilheterias (que galga lucro de US$ 743 milhões), coube ao produtor do longa-metragem, que presta tributo ao líder da banda Queen, Graham King estar no palco para receber “o espetacular e inesperado” maior prêmio da noite destinado ao cinema. Ele agradeceu a Mercury (morto em 1991): “Obrigado por nos mostrar o poder de abraçar seu verdadeiro eu”.

Defendendo o impacto do prêmio na carreira da fita, Brian May (guitarrista e compositor do Queen), que é produtor musical executivo do longa, aproveitou o pódio para tripudiar a repercussão negativa em grande parte da crítica, em entrevista, disparou: “Para ser honesto, o erro que alguns dos críticos fizeram foi o de recorrer ao trailer e, de lá, tirar conclusões precipitadas. Quando as pessoas reivindicam algo, é difícil que removam a percepção inicial. Alguns críticos assumiram, porém, com leveza: ‘Na verdade, estávamos errados’”.

Ainda nos bastidores da festa, o premiado ator Rami Malek foi categórico, endossando a singularidade de Freddie, e acrescentou que “nada se oporia a nossa vontade (da equipe) de demonstrar amor, de efetivar a celebração pretendida e de ofertar a adulação da qual ele sempre foi merecedor”. A autenticidade do legado de Mercury (ainda que incompleta no transcorrer de Bohemian rhapsody) ancorou os discursos dos premiados.

Os menos de 100 jornalistas internacionais, que votam para o Globo de Ouro, estenderam o tapete vermelho para uma das zebras da noite, que, desde as indicações do prêmio, se delineava: competir longe da categoria de musical (e ladeada pela concorrente Nasce uma estrela) foi mais do que uma glória para Bohemian rhapsody.

A situação abriu frente para injustiçados, no caso os detentores das mensagens progressistas (e de extermínio de racismo) apregoadas pelo cinema de Spike Lee (Infiltrado na Klan), Ryan Coogler (da aventura com estofo Pantera Negra) e Barry Jenkins (de Se a rua Beale falasse). Candidato em apenas duas categorias, revertidas em prêmios, Bohemian rhapsody é um projeto que se arrastava desde 2010, quando do anúncio de produção a ser encabeçada por Sacha Baron Cohen, que abandonou a obra em 2013. Na ocasião, ele disse entender a intenção do Queen de “proteger o legado da banda”.

Escalado para o protagonismo, Rami Malek entrou para o set em 2016, sob o comando de Bryan Singer, diretor que viria a amargar demissão, em 2017, e seria substituído por Dexter Fletcher (do futuro longa Rocketman). Coube ao produtor Graham King defender os prêmios de um filme cujo diretor alegou problemas de saúde estendidos a familiares (e que não teriam tido respaldo do estúdio Fox). Certo é que a imagem de Singer estava maculada, por acusações de conduta sexual inapropriada.