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Mãe múltipla
Luiz Trevisan

Mãe múltipla

Neste Dia das Mães, data sempre repleta de frases feitas, emoção verdadeira ou embalada a vácuo, soa humor negro a “saidinha” da prisão de Suzane Richthofen, que cumpre pena de 39 anos em Tremembé, SP, por ter assassinado os pais. Ganhou sete dias de liberdade para festejar o... Dia das Mães, favorecida por uma legislação macabra. O absurdo equivale a liberar o assassino de John Lennon para assistir a um musical sobre os Beatles. E lembra uma tirinha do cartunista Jaguar, publicada no antigo Pasquim, numa época em que contestar não era tão mal-falado.

A ilustração do cartunista mostrava um navio naufragando, ratos deixando o porão, muita gente na água, enquanto no convés restaram apenas mãe e filho diante de uma única bóia. Em lágrimas o filho abraça a mãe, comovido, apanha a bóia, coloca no próprio pescoço e se joga no mar gritando: “Mãe, é uma só!”. Fecha o pano, que adata pede outro tom, tipo a rainha do lar do avental todo sujo de ovo, do padecer no paraíso, do desdobrar fibra por fibra.

O fato é que há mãe e filho de todo tipo, amorosos e desnaturados, próximos ou desgarrados. Incluindo filhos que parecem não ter tido mãe em tempo algum. E os que foram gerados por aquela que é oposto da santa recatada e do lar e, ainda assim, mãe. Tem a mãe que não pariu, mas acolheu. E tem quem pariu e sumiu. Mais aquela, melancólica, diante do ninho vazio. Também tem ex-mãe, barriga de aluguel, para descolar algum que o negócio não anda nada bom.

Experiências atuais da biogenética projetam cruzamento de embriões de duas ou mais mulheres para gerar feto mais saudável. Parece ficção científica, mas estamos a caminho de manipulações destinadas a gerar pessoa meio-máquina, tipo Avatar, e assim alcançar maior resistência e desempenho nas jornadas onde os fracos não têm vez. Das mutações de gênero em progressão na sociedade, e do chamado poliamor, em alta nas novas gerações, tudo se pode esperar. Mãe e pai múltiplos, trans, até futura gravidez masculina, quem sabe?

A atriz Carol Castro, mãe recente, encarna o papel da maternidade tradicional com plenitude. “Transbordo amor e alegria todos os dias”, assegura. Mas sua colega de função, Samara Felippo, mãe de duas, segue roteiro diferente. Ela tem postado nas redes sociais, e criado polêmica, sobre o que reputa “romantização da maternidade”, que não fala do lado B. Ela aponta que se convencionou mãe como o ser “obrigado a aceitar tudo, calar e jamais, jamais dizer que não gosta daquilo”. Salienta que “amo minhas filhas, mas não amo tanto ser mãe”. Pra resumir, vestiu e postou na camiseta: “Ser mãe é treta”.

Por conta, anda colhendo aplausos e vaias. Como último ato, a corajosa atriz pontua que não quer receber presentes no Dia das Mães, por causa do consumismo gerado pela data, da exploração comercial existente. Muita gente também pensa assim. E, de resto, toda hora, todo dia é dia da mãe. Exceto para aquelas que terceirizam a função por meio de babás, algumas por necessidade, outras por comodismo, outras ainda devido ao pai ausente. Mesmo estando presente. Enfim, mãe é quem cria.

Porém, se o apelo ao consumo for irresistível, abrace os clichês da data e dê à sua mãe algo mais útil do que um jogo de panelas ou par de pantufas. Por exemplo: livro é sempre presente luminoso, principalmente nesta época de obscurantismo rondando e livrarias fechando portas. Embora mães em pleno exercício não tenham muito tempo para isso. Outra sugestão é algo para salvar a pele, não exatamente um creme, mas um bom repelente. Isso mesmo, repelente contra mosquito, pois a dengue voa baixo e o malathion, produto utilizado no combate, está em falta no mercado. Pausa para a vinheta “Isso a Globo não mostra”, rs,rs. E seguimos distante de uma vacina eficaz.

Para mamães jovens, livre-se da tentação do patinete elétrico, que virou febre nas ruas e, no entanto, carece de regulamentação, em meio ao trânsito cada vez mais perigoso. Não custa repetir que mãe, mesmo sendo super e múltipla, ainda é uma só. 

 (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)


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