Lições de um verão "infernal"

Vista geral da Praia do Morro, em Guarapari (Foto: Rodrigo Gavini/AT)
Vista geral da Praia do Morro, em Guarapari (Foto: Rodrigo Gavini/AT)

Janeiro marcou um dos verões mais quentes em 25 anos no Estado, provavelmente em mais de um sentido. Brigas tomaram conta de algumas praias, principalmente em Guarapari, no rastro de caixas de som infernais e superpráticas que colocaram preferências musicais muitos decibéis acima do bom senso.

Governantes e legisladores podem retirar lições preciosas dos episódios grotescos registrados pelas câmeras dos celulares e pelas reportagens de A Tribuna:

1 – A tecnologia avança rápido. As leis, nem tanto. Na sociedade moderna, a noção de que o meu direito termina onde começa o do próximo não é lá muito bem entendida. Praia é espaço público e todo mundo se acha dono, mas não é bem assim. A melhor frase que sintetiza essa falta de entendimento é a do banhista que disse com todas as letras: “Quer sossego? Vai pro mato! Praia é curtição!”.

Pois é. Se não houver leis disciplinando seu uso em espaços públicos, as tais caixas de som têm tudo para virar o combustível para intermináveis arranca-rabos nas praias nos próximos verões. E o Carnaval vem aí!

2 – Consumo de droga na frente de quem não aprova é sim um problema. Não está se discutindo legalização ou repressão, mas há um impasse na convivência entre esses grupos em locais públicos. Esse é um aspecto que precisa ser disciplinado (e o foi por guardas e PMs, em algumas praias, após reportagens de A Tribuna). Mas além do aspecto comportamental há outro mais perigoso: a disputa entre vendedores. Onde há mercado, há concorrência entre fornecedores. E convenhamos, a briga aí não se resolve com menor preço e sim com armas mais longas. No balneário de Iriri, anos atrás, quando o Carnaval virou uma terra sem lei (felizmente isso mudou!), tivemos mortes de inocentes e de bandidos por questões ligadas a drogas. É um filme com final tristemente conhecido, portanto.

3 – Turismo pede passagem. Há exceções maravilhosamente honrosas. Mas em geral, vê-se que o Espírito Santo tem de comer muito feijão nessa área. A quantidade de turistas circulando por aqui foi assombrosa, mas ainda se vê o espírito de improvisação no ar. E o pior é que o insatisfeito tem um efeito multiplicador enorme. Quem não gostou, dificilmente volta e ainda desanima outros tantos.

Verão é um senhor negócio e já deveriam ter começado os preparativos para o próximo.