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Kant e o juízo de gosto na arte contemporânea
Tribuna Livre

Kant e o juízo de gosto na arte contemporânea

Flávio Santos Oliveira (Foto: Tribuna Livre)
Flávio Santos Oliveira (Foto: Tribuna Livre)
Há muito se discute se o sentimento suscitado pela fruição da obra de arte origina-se da apreciação do acordo ou desacordo para com parâmetros estéticos, ou se é intrínseco ao indivíduo, como resultado de idiossincrasias, que moldam o seu gosto, e que, portanto, exercem influência no ato de julgar.

Decerto, o gosto tem assumido excepcional importância nos dias de hoje graças, sobretudo, ao fecundo debate trazido no bojo da arte contemporânea. A difusão do acesso à internet, por outro lado, tem ampliado sobremodo as possibilidades de contato com o mundo artístico, o que tem revelado, outrossim, o quão atual é a discussão proposta por Immanuel Kant (1724-1804) sobre o juízo de gosto.

Segundo a antropologia kantiana, “o gosto é um juízo a respeito de nossa forma de julgar”. Em outros termos, ele revela de onde provêm os elementos constitutivos do nosso juízo. Nesse sentido, “quando se julga um objeto artístico a partir do juízo dos outros, ou quando se julga sem nenhum distanciamento em relação aos desejos e preferências fortemente personalizadas, que constituem nossas idiossincrasias e experiências pessoais, na verdade não se julga livremente”.

Nisso reside, igualmente, a noção de desinteresse usada por Kant, a qual sugere que no ato de julgar a beleza artística, meu juízo deve determinar-se apenas pelo sentimento de prazer, o que revela a intenção por julgar o objeto em liberdade, isto é, isento de qualquer determinação ou preconceito.

Muitos acreditam, por causa disso, que a beleza é algo subjetivo, dependendo do ponto de vista de cada um. Nesse caso, o refinamento do juízo de gosto, ou seja, a percepção clarividente de onde provêm os elementos que constituem o juízo sobre arte, afigura-se como possibilidade factível de realização do ideal cosmopolita de um mundo comum.

Tal entendimento levanta, todavia, uma questão fundamental, a saber, em que medida é possível um juízo de gosto, em se tratando de manifestações artísticas, que de certo modo vão de encontro aos valores de cunho cultural e moral.

A artista Ana Smile, por exemplo, transforma imagens de Nossa Senhora em personagens como Chapolin, Coringa, Frida Kahlo etc. De fato, é inegável que isso se configura obra de arte. É indiscutível, também, que isso abre precendentes que dificultam sobremaneira uma comunicação universal por meio da arte. Nesse caso, basta lembrar o fim trágico do cartunista francês Stéphane Charbonnier, que representava artisticamente imagens de Maomé.

Por fim, cumpre frisar que, para Kant, o juízo de gosto, com que afirmo que algo me apraz, é sempre subjetivo. Enquanto o juízo estético, com que afirmo que uma coisa é bela, deve valer para todos. A explicação disso reside no fato de que o desejo de universalizar o sentimento de prazer ocasionado quando se ouve uma música ou se ler uma poesia decorre do fato de que nenhum pensamento determinado pode ser dado adequadamente de modo a esgotar, por meio da linguagem, o conteúdo de uma representação da imaginação, tornando-a inteligível.

Seria sobre esse sentimento de liberdade no jogo harmônico entre a imaginação-não-determinada e o entendimento livre, que repousa o prazer único capaz de ser universamente comunicável, sem, contudo, fundar-se sobre conceitos.

A isso Kant denomina o belo..

Flávio Santos Oliveira é doutor em História pela Ufes

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