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"Judy: Muito Além do Arco-Íris", por Adilson de Carvalho Santos

Entretenimento

Crítica

"Judy: Muito Além do Arco-Íris", por Adilson de Carvalho Santos


René Zellweger interpreta a personagem principal (Foto: Reprodução / Instagram)
René Zellweger interpreta a personagem principal (Foto: Reprodução / Instagram)

Uma das artistas mais talentosas de sua geração teve uma vida pessoal completamente oposta ao glamour de uma estrela de cinema. Seus últimos dias de vida estão retratados na cinebio “Judy", que chega às nossas telas depois de aclamação internacional. O filme de Rupert Goold permite um rápido olhar em uma carreira brilhante prematuramente interrompida em junho de 1969, eternizando seu nome no panteão Hollywoodiano. Seu primeiro nome está anunciado no título do filme, o sobrenome é Garland ... Judy Garland.

A Peça

O filme não teve aprovação de Liza Minelli, filha de Judy, que também não comentou sobre “The End of the Rainbow”, a peça de Peter Quilter, que estreou em 2005 na Sidney Opera House na Austrália. O sucesso da peça a levou para o West End Londrino, chegando na Broadway em 2012, e adaptado agora por Tom Edge.

René Zellweger, de 50 anos, interpreta Judy Garland aos 47 anos, quando chega a Londres para uma série de apresentações depois de quase 5 anos sem filmar. Em Londres Judy se divorcia de seu quarto marido, depois de três anos juntos. Nesse momento, conhece o jovem Mickey Deans, que se tornaria seu quinto marido a partir de Março de 1969. Esse não seria, no entanto, o final feliz sonhado como mostrará o filme, que traz Zellweger, a eterna Bridget Jones, em uma atuação assombrosa, possivelmente justificando uma futura indicação ao Oscar. A atriz canta, fala, se move, reencarna a estrela biografada com forte apelo emocional, à medida que o roteiro segue os últimos meses de Judy durante sua estadia em Londres entre o final de 1968 e o início de 1969 para uma série de apresentações que se tornaria seu canto do cisne em meio a um divórcio complicado, problemas financeiros e o descaso da indústria Hollywoodiana que transformou Ethel Frances Gumm em Judy Garland há mais de 30 anos antes dos eventos mostrados no filme. Junto com o filme a trilha sonora a ser lançada terá Rene Zellweger em dueto com Sam Smith, grande admirador da estrela.

As Canções

René passou um ano ensaiando para o papel treinando seus dotes vocais com Eric Vetro, renomado técnico vocal de estrelas como Ariana Grande e Katy Perry, que também trabalhou na produção dos sucessos “Os Caminhos da Floresta” (2014), “La La Land" (2016) e “A Bela & A Fera" (2017). Embora René já tivesse exercitado seus dotes vocais cantando e dançando no premiado “Chicago" (2014), viver um ícone como Judy Garland tornou-se um desafio hercúleo dada a intensidade vocal de quem marcou a história do cinema entoando e encantando gerações com “Get Happy", do filme “Casa Comida & Carinho” (1952), uma letra que fala de superação e alegria de viver, que marcou sua despedida da MGM em 1952, estúdio para o qual trabalho grande parte de sua vida. De sua fase no estúdio do Leão gravou “Somewhere over the rainbow" para “O Mágico de Oz” em 1939, imortalizando inocência e fantasia que em nada se assemelhava as agruras do star system ao qual pertenceu. Quando filmou a segunda é melhor versão de “Nasce Uma Estrela” em 1954, para a Warner, uma história de ascenção e queda (recentemente reformada com Lady Gaga e Bradley Cooper) que parecia espelhar sua própria trajetória. Da trilha deste ouvimos “The Man That Got Away”, uma canção sobre abandono, sentimento que parecia acompanhar a estrela em cada um de seus relacionamentos.

 (Foto: Reprodução / Youtube)
(Foto: Reprodução / Youtube)

Antes dos Eventos Mostrados

Judy foi uma criança prodígio, dividiu o protagonismo de uma série de fitas com Mickey Rooney até ser escolhida para viver a Dorothy de “O Mágico de Oz”. Era um sucesso atuando, cantando e dançando, mas era depreciada constantemente pelo próprio Louis B.Mayer, chefão do estúdio.

Ainda que casada com o grande diretor Vincent Minelli, que a conduziu por sucessos como “Agora Seremos Felizes” e “O Pirata”, Garland nunca conseguiu se livrar de uma carência crônica que a acompanhava desde que nasceu em 1922. Não se achava bonita, bebia compulsivamente e se viciou em barbitúricos que gradativamente debilitavam sua saúde. Só o talento nunca a abandonou.

Toda sua vida Judy experimentou o sucesso artístico na mesma medida que seguidas vezes sofria revezes. Seu primeiro álbum alcançou a posição de número 3 na Billboard 200. “Judy at Carnegie Hall” figurou por 73 semanas na lista da Billboard (incluindo 13 semanas na posição número 1), ganhando disco de ouro, além de ter ganhado 5 Grammy Awards (incluindo Álbum do Ano e Melhor Performance Vocal Feminino). Contudo, entrou para a história do Oscar ao protagonizar na vida real uma das maiores injustiças já cometidas pela Academia: Judy estava internada depois de ter dado a luz, enquanto seu nome era apontado como o favorito para o prêmio de melhor atriz por “Nasce Uma Estrela”. Os repórteres invadiram seu quarto no hospital, mas a vencedora anunciada acabou sendo Grace Kelly. O constrangimento e a decepção abriram mais uma chaga no coração da estrela, um sentimento de rejeição que ela nunca conseguiu superar. Sua última atuação foi em “Na Gloria e Na Amargura” de 1963, título que parecia lhe sugerir um epitáfio. Em 2001 foi produzida a mini-série “Minha Vida com Judy Garland – Eu & Minhas Sombras” com Judy Davis vivendo o papel principal que lhe garantiu naquele ano o Globo de Ouro de melhor atriz em Minisérie.

Certamente que o filme de Goold não consegue fazer um apanhado mais aprofundado na vida deste ícone do cinema Hollywoodiano, mas alcança um foco respeitoso para que a atual geração possa descobrir quem foi Judy, permitindo que sua essência toque o ritmo do coração tal qual na maravilhosa “The Trolley Song”, e quem sabe nos descobrir muito além do arco-íris, no lugar ao qual pertence as lendas como Judy.


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