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Herpes-zóster, esse filho da catapora
Doutor João Responde

Herpes-zóster, esse filho da catapora

Varicela é uma virose que afeta a criança e o adolescente, cujo nome foi criado para assustá-los na hora do médico informar que se trata da conhecida catapora. No primeiro dia de infecção, o vírus se instala para arruinar a pele, com suas “pipoquinhas”.

No começo, o processo é discreto, surgindo uma espinha do nada. A vítima estoura e ela some. Com o problema resolvido, o adolescente vai para a escola, talvez usando um disfarce para esconder a lesão.

No segundo dia, ampliando seu campo de batalha, o vírus deposita mais espinhas no rosto e em outras partes do corpo. Estourá-las não ajudará em nada, pois surgirão duas no lugar.

No terceiro dia, seriamente preocupado com a vaidade, a vítima nota o quadro piorar, observando bolhas surgirem por todos os cantos.

Envergonhado, o adolescente já pensa em colocar uma sacola de supermercado na cabeça e começar a rezar para que ninguém pergunte a razão daquilo.

No quarto dia, o vírus já se espalhou em outras células da pele, fazendo a vítima quase ter uma pele de espinhas cobrindo seu rosto.

No estágio final, o adolescente mal consegue sair de casa por causa da maldita varicela, digo, catapora. Entretanto, caso não complique, a doença irá desaparecer, permitindo a vaidade continuar embalando sua juventude.

A enfermidade desaparece, mas poucos ficam sabendo que o agente responsável por ela irá, para o resto da vida, fixar residência no corpo, podendo, no futuro, retornar com outro nome: herpes-zóster.

Com o tempo, a vítima esquece-se das bolhas na pele e acha que a doença nunca mais vai incomodar. Anos depois, surge um formigamento incômodo nas costelas.

A catapora, vencida pelo sistema imunológico da pessoa, se esconde no corpo a espera de um momento oportuno para voltar.

Surge o herpes-zóster, uma nova tentativa por parte do vírus adormecido, que não se consegue eliminar do corpo que albergou a varicela.

Conhecida como cobreiro, o vírus do herpes-zóster se aloja em um gânglio nervoso, permanecendo incubado por tempo indeterminado.

Um detalhe curioso é que, como esse patógeno agride uma raiz nervosa, ele afeta apenas um lado do corpo.

O que provoca a reativação do vírus incubado não é conhecido. Acredita-se que o enfraquecimento do sistema imunológico possa desencadear o despertar do vírus.

Seguindo o caminho do nervo onde está alojado, ele causa bolhas semelhantes às da catapora.

Entretanto, nesse caso, as lesões são localizadas apenas na região onde se encontra o nervo afetado.

O herpes-zóster não é transmitido pelo ar, apenas pelo contato, já que os vírus ativos só estão presentes dentro das bolhas, na pele e no nervo. Com o passar dos dias, o sistema imunológico elimina a doença.

O único risco de contrair herpes-zóster é ter albergado o vírus da catapora no passado.

A neuralgia presente no herpes-zóster é causada pelo sistema imunológico se defendendo do vírus.

Essas sensações nervosas não estão relacionadas a estímulos exteriores.

Quando o vírus acorda e começa a percorrer o nervo que será afetado, é possível que haja coceira na região onde surgirão as futuras bolhas.

O formigamento é outro sinal de irritação nervosa, que indica o início do herpes-zóster.

Assim como a coceira, esse sintoma pode ocorrer na região onde as bolhas irão aparecer, ou seja, na base de um nervo que sai da espinha dorsal.

Migrando pelo nervo, os vírus enchem a pele de bolhas, contendo um líquido que mantém esses patógenos ativos.

Quem quiser colher saúde, trate de vigiar a semente doente. Deixe-a no solo seco, onde o sol seja mais quente. Pois se for irrigada, ela acorda e adoece a gente.

As doenças têm melhor memória que a saúde.
 

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