Luiz Fernando Brumana

Luiz Fernando Brumana

"Hereditário": um filme que assusta até quem gosta de terror

 (Foto: Divulgação)
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Não gosto de filme de terror. Sempre pensei que era porque nunca me acostumei a ver durante a adolescência, quando os amigos alugavam algum VHS para assistir na casa de algum deles. Ou pode ser que, nestes dias, eu faltava o encontro da galera de propósito. Enfim, nunca gostei e depois do filme Hereditário, em cartaz no Estado, passei a gostar menos ainda.

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Não que o filme seja ruim. É muito bom e tem potencial, sim, para ter sequência. O problema é que não gosto de terror (ponto!). Fechei os olhos várias vezes, olhei no relógio pelo menos três para saber quanto tempo faltava para o final e me vi pedindo para que o personagem não seguisse por aquele caminho. Isso tudo só ratifica a qualidade do longa-metragem.

O filme tem um ritmo linear, com o clímax no último ato e alguns momentos fortes espalhados por todo o roteiro. Não espere sustos com palhaços ou monstros. Estamos falando de um terror psicológico que mescla espíritos, transtornos mentais, famílias disfuncionais, traumas e demônios.

 (Foto: Divulgação)
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A trama acompanha a família Graham após a morte da avó materna, uma pessoa reclusa e com poucos amigos. Porém, a matriarca deixou segredos que envolve a todos, principalmente a neta mais nova, Charlie, por quem mantinha uma obsessão. A menina é vivida pela estreante Milly Shapiro, de 16 anos, que segura um papel muito pesado.

O destaque fica com a veterana Toni Colette, que tem cenas de histeria e pavor assombrosas. Ela vive uma mãe totalmente diferente da Sheryn que encarnou em Pequena Missa Sunshine, em 2006. Alex Wolff vive o filho mais velho, Peter, e também está muito bem. Não há muitos personagens nesta história, talvez por isso que há pouca leveza e nem sombra de preocupação em quebrar a tensão com alguma piada. Esse é um terror e explora tudo que pode do gênero.

Há quem diga que é o novo Exorcista. Não acho que seja para tanta, afinal, aquele é um clássico. O filme dirigido e escrito por Ari Aster é uma boa surpresa, mesmo faltando um pouco de clareza em algumas partes do roteiro. É uma produção que surgiu sem grandes expectativas e tem arrebatado crítica e público. Hereditário é um desses filmes e vai fazer quem não gosta do terror se arrepender de sentar na cadeira do cinema.

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