Luiz Fernando Brumana

Luiz Fernando Brumana

Green Book: Um filme que aborda temas delicados

 (Foto: Divulgação)
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Com colaboração de Kayque Fabiano

O Green Book que dá nome ao filme foi um guia que era usado por alguns motoristas para conhecer e visitar do sul dos Estados Unidos sem causar conflitos. Era uma lista que mostrava os locais onde os negros eram bem recebidos. Isso porque, em 1962, no pico da intolerância contra os negros, pessoas consideradas "de cor" não podiam frequentar o mesmo ambiente que os brancos.

E é nesse contexto que o filme se desenrola. De um lado, temos Frank Anthony Vallelonga (Viggo Mortensen), um segurança com ascendência italiana e alguns excessos que deixa o personagem à beira do estereótipo; e do outro, seguimos Don Shirley (Mahershala Ali, candidato ao Oscar de melhor ator coadjuvante), um exímio compositor e músico negro, requintado e dotado de uma excelente educação. 

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Shirley precisa de um motorista e guarda-costas para levá-lo de seu apartamento, em Nova York, até o sul do país, para uma turnê. Logo Vallelonga se torna seu "anjo da guarda" em um road movie similar a “Conduzindo Miss Daisy” , com diálogos cheios de significado e metáforas morais inspiradoras.

A melhor coisa sobre o filme, nesse sentido, é que em várias cenas opta pelo humor cômico em vez de seguir um drama pesado, mesmo que seja baseado em acontecimentos reais. Destaque para a cena na qual a dupla conhece o restaurante KFC.

Também não devemos desvalorizar os méritos estéticos: a cor e a fotografia de Sean Porter são maravilhosas e a música do compositor Kris Bowers também ajuda a dar ritmo ao longametragem. Música essa que segue presente em todo o filme, seja como plano de fundo nas cenas pesadas de violência, como em citações a grandes nomes da música, como Aretha Franklin. 

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O filme, entretanto, foi mal visto por alguns críticos e espectadores, que consideraram a abordagem dada pelo diretor como equivocada ou “branca demais”, abordando o racismo do ponto de vista de um italiano. Uma opção duvidosa, mas que não o impediu de ser indicado, o que também não é ilógico, basta lembrar histórico da premiação. 

A atuação de Mahershala Ali é mais uma vez destaque. Basta saber se será o necessário para convencer a academia a lhe conceder o segundo Oscar pela mesma categoria. O filme ainda concorre à estatueta de Melhor Filme, ainda que seja ofuscado por outras obras, ator, ator coadjuvante, roteiro original e montagem.