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Good Omens - Uma série que questiona o bem e o mal de forma única
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Good Omens - Uma série que questiona o bem e o mal de forma única

Por Kayque Fabiano

“Há mais coisas entre o céu e na terra, Horácio, do que sonha a nossa vã filosofia”. William Shakespeare escreveu a frase famosa no ano de 1600 DC e ela tem sido usada até hoje. Seja para dar tom a um diálogo melodramático ou incitar debates sobre a existência humana, o fato é que a frase se aplica perfeitamente a nova série da Amazon Prime Vídeo, Good Omens (Belas Maldições, em tradução livre).

A série, uma adaptação do livro homônimo de Neil Gaiman trata de maneira única um tema tão surrado por Hollywood: o Armagedom. Em sua história, seguimos os passos anjo Aziraphale (Michael Sheen) e o demônio Crowley (David Tennant), entidades rivais, mas colegas de trabalho na Terra em suas respetivas influências angelicais.

Cena da série Good Omens, produção original do Amazon Prime Vídeo. (Foto: Divulgação)
Cena da série Good Omens, produção original do Amazon Prime Vídeo. (Foto: Divulgação)

No decorrer de mais de 6 mil anos, as entidades se tornam amigos, e um verdadeiro bromance surge em tela. Acostumados com a vida na terra, os dois protagonistas se veem sem saída quando o nascimento do bebê anticristo ameaça sua estabilidade. Neste ponto eles não trabalham mais para o céu ou o inferno, e sim para interesses pessoais.

Por tratar de temas fictícios e religiosos - até certo ponto, é de se esperar que o seriado se apoie em sua história peculiar, inspirada em eventos narrados pela Bíblia Cristã. Mas o que se vê é uma construção de personagens fidedigna, com atuações brilhantes, tiradas únicas e aprofundamento de motivações de suas personagens. Há ainda espaço para o ridículo, o completo nonsense e humor britânico, tão peculiar que pode não agradar a todos.

Há ocasiões em que a série, apesar de sua fidelidade ou precisamente por causa dela, arrasta certos excessos literários. A narração de “Deus”, uma mulher, surge para explicar alguns detalhes óbvios, mas que podem passar despercebidos para o telespectador mais desatento.

Não são poucas as críticas sobre o bem e mal e sobre o papel de “Deus” em eventos da história da humanidade. Em determinada cena vemos um demônio questionar o genocídio da arca de Noé, em outro, a crucificação de Jesus é vista como crueldade pelo representante do mal. Por este e outros pontos, o público mais conservador pode virar a cara e não se agradar com o tema.

 (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Ponto também para estética. Misturar elementos surrealistas para o vídeo, por si só, já é uma tarefa complicada, ainda mais por se tratar de uma obra comercial. São poucos os seriados que conseguiram o feito. O público de Pushing Daisies e a atual The Good Place podem reconhecer a línguagem surrealista em Good Omens. 

Brincadeira de cores do bem e do mal, efeitos visuais exagerados propositalmente, e até a representação física do céu e inferno saltam aos olhos. Se por um lado o céu é representado como um ambiente limpo, com grandes janelas, moderno e similar a uma startup de tecnologia; por outro o inferno é se passa em um porão antiquado, similar a uma repartição pública que parou no tempo.

 (Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

O desenvolvimento dos episódios ganha ritmo, mas perde impulso em seus dois capítulos finais. A impressão que se tem é que todo o avançar do apocalipse se dá apenas para provar as relações entre tais personagens. Não que isso seja ruim, apenas “não é o suficiente”. Mesmo com falhas em seus momentos finais, a série diverte e cumpre o seu papel.

Com uma história completa, há ganchos para uma segunda temporada, não que seja necessária. Seus seis episódios de uma hora cada convencem e empolgam. O Armagedom, na verdade, nunca foi tão divertido.
 

Good Omens (Reino Unido, EUA, 2019)
Nota: 4 de 5
Criadores: Neil Gaiman, Terry Pratchett
Direção: Douglas Mackinnon
Elenco: Michael Sheen, David Tennant, Frances McDormand, Daniel Mays, Sian Brooke, Sam Taylor Buck, Jon Hamm, Adria Arjona, Paul Chahidi, Ned Dennehy, Ilan Galkoff, Michael McKean, Miranda Richardson, Amma Ris, Alfie Taylor, Jack Whitehall.
Duração: 6 episódios de 60 minutos cada.
 


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