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“Fui aprovado para o curso de Medicina aos 14 anos”

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Entrevistas Especiais

“Fui aprovado para o curso de Medicina aos 14 anos”


Aos 20 anos, o médico José Victor Teles já se vê diante de um grande desafio na profissão: atuar na linha de frente contra a Covid-19.

O jovem é o médico mais novo do Brasil. Ele recebeu o diploma no último dia 11 e já está preparado para encarar a nova missão com responsabilidade e comprometimento.

Neste momento, ainda não decidiu qual área de especialização irá seguir. A prioridade é contribuir para o combate à pandemia.

“Ser o médico mais novo do País é consequência do meu empenho lá atrás. Estou muito feliz por trazer essa marca para a minha região”, diz o sergipano.

Em 2015, quando tinha apenas 14 anos, José Victor conseguiu autorização judicial para ocupar a vaga conquistada na Universidade Federal de Sergipe (UFS), após comprovar proficiência em 13 provas da Secretaria de Educação de seu estado.

“Eu acredito que o ensino acadêmico é estratificado em etapas para facilitar o aprendizado e não para segurar a pessoa, impedindo-a de avançar no ensino”, defende.

Na época adolescente, em dezembro de 2015, José Victor lançou o livro “Como vencer aos 14”, com reflexões sobre sua adolescência e dicas a quem pretende passar no vestibular.

“Cada um amadurece em uma idade própria e existem diferentes tipos de amadurecimento. Alguns têm amadurecimento profissional mais cedo; outros têm amadurecimento em relacionamentos. Academicamente, eu amadureci cedo”.

Agora, após concluir a faculdade de Medicina, o médico se prepara para o lançamento do segundo livro ainda este ano sobre a sua trajetória na universidade.

José Victor Teles é o médico mais jovem do País: “Estou muito feliz por trazer essa marca para a minha região” (Foto: Divulgação)José Victor Teles é o médico mais jovem do País: “Estou muito feliz por trazer essa marca para a minha região” (Foto: Divulgação)

A Tribuna — Quando prestou vestibular, tinha segurança de que seria aprovado?

José Victor Teles — Eu tinha segurança no resultado de acerto de questões e na redação porque meu estudo é baseado em treino e eu treino muito. Na Medicina, foi por meio de plantões, que é a prática.

Naquela época, se todo dia eu fazia 20 questões e acertava de 14 a 16, eu sabia que acertaria aproximadamente 70% da prova. Então foi um resultado um pouco esperado.

Você tinha 14 anos na época, certo? Por que decidiu iniciar a faculdade mesmo ainda sendo tão jovem?

Eu acredito que o ensino acadêmico é estratificado em etapas para facilitar o aprendizado e não para segurar a pessoa, impedindo-a de avançar no ensino.

Entrei na Justiça solicitando a realização de provas de proficiência baseado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, que diz que os estados devem oferecer possibilidades de ensino de acordo com a capacidade de cada aluno.

Se o aluno tem dificuldade no aprendizado, o estado deve prover estrutura para ajudá-lo. Já se demonstra desempenho avançado deve abrir portas.

Na época, fiz 13 provas de proficiência. Precisava tirar mais de cinco em cada; fui aprovado em todas com média oito.

De onde veio a maturidade de saber o que queria tão novo?

As pessoas confundem muito conhecimento com genialidade e é comum impor a mesma meta a todos. Por isso, tem tanto jovem com depressão ou problemas emocionais. É importante deixar cada pessoa no seu próprio nível.

Ainda existem diferentes tipos de amadurecimento. Alguns têm amadurecimento profissional mais cedo; outros têm amadurecimento em relacionamentos.

Academicamente, eu amadureci cedo. E acredito que profissionalmente também porque desde a faculdade busquei atuar em contato com os pacientes na residência.

Durante cinco meses do ano passado, eu estagiei na linha de frente contra a Covid-19. Foram mais de 750 horas de trabalho. Como único da turma alistado para essa atuação, só eu da minha turma me formei agora.

Como a experiência da residência contribuiu para a sua formação profissional?

Não tem como esperar que alguém se torne médico apenas com livros. O maior professor do médico é o paciente. Procurei uma metodologia ativa. Desde o sexto para sétimo período acompanho dois plantões em clínica, cirurgia geral e ginecologia e obstetria.

Como lida com esse “título” de médico mais novo do Brasil?

Ser o médico mais novo do País é consequência do meu empenho lá atrás. Estou muito feliz por trazer essa marca para a minha região.

É uma honra receber o título de médico e encaro a responsabilidade em igual proporção, com o cumprimento do juramento que fiz ao me formar.

Já tem perspectivas quanto à especialização?

Estou direcionando todo o meu foco para atuar contra a Covid-19. Minha atuação inicial será na linha de frente contra o vírus. É a isso que vou me dedicar agora.

Lá para frente vou verificar qual especialidade devo seguir. Talvez cirurgia pelo meu perfil resolutivo, mas ainda não há nada definido.

Agora com diploma e CRM em mãos, já tem um direcionamento de onde irá atender?

Sim. No Hospital Nestor Piva, na capital Aracaju; e no Hospital Regional de Itabaiana, que fica na minha cidade, onde nasci, cresci e morei toda a minha vida.

Como encara o início da vida profissional já diante de um cenário tão sério e grave como a pandemia da Covid-19?

Com 20 anos, já assumi a responsabilidade de atuar como médico com o mesmo afinco de quando estagiei na linha de frente contra a Covid-19. Agora volto com a mesma força de vontade.

Estamos em uma situação delicada. Confio na boa prática médica, na comunidade científica e na medicina baseada em evidências. Com amparo no que é comprovado pela medicina, não resta dúvida de que venceremos essa guerra.

O medo de pegar e transmitir o vírus é inerente a todos. Profissionais da saúde são seres humanos, mas temos de ter mais responsabilidade neste momento.

Gostaria de deixar alguma mensagem?

Nossa maior chance de sair dessa pandemia, além da vacina, está na educação popular, com distanciamento social, isolamento dos sintomáticos e daqueles com infecção confirmada, higiene constante e uso de máscara.

É essencial se informar e não seguir medicação milagrosa. Até hoje, a única coisa que tem comprovação científica é a vacinação, que previne de forma ativa a Covid-19.

Quando chegar a hora de se vacinar, lembre-se de que a luta é de todos nós e incentive outras pessoas a se vacinarem também. E não esqueça a segunda dose!


PERFIL - José Victor Teles


  • Médico mais novo do País, recebeu o diploma no dia 11, aos 20 anos.
  • Foi aprovado em Medicina na Universidade Federal de Sergipe aos 14 anos. Fazia o 1º ano do ensino médio.
  • Na época, recorreu à Justiça para ocupar a vaga conquistada pelo Sisu com o resultado do Enem.
  • É autor do livro “Como venci aos 14”, em que fala sobre a adolescência e dá dicas para vestibulandos.
  • Irá lançar outro livro este ano para contar sua trajetória nos últimos seis anos na faculdade de Medicina.
     
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