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Foi São José de Anchieta, um herói no seu tempo?
Tribuna Livre

Foi São José de Anchieta, um herói no seu tempo?

A canonização do jesuíta espanhol, José de Anchieta (1534-1597), pelo Papa Francisco em 3 de abril de 2014, está envolta em polêmica. Enquanto a Igreja Católica enaltece o seu trabalho como missionário que catequizou os indígenas, sempre com compreensão e amor, outros destacam a violência deste choque cultural entre os europeus e os nossos nativos.

Por que o Vaticano demorou tanto em canonizar o Padre José de Anchieta? Eram as trilhas de Anchieta santas, no percurso que fazia de 100 km da antiga Reritiba (hoje Anchieta) até o Colégio de São Tiago dos Jesuítas, na Vila de Nossa Senhora da Victória, onde hoje é o Palácio Anchieta, sede do governo estadual?

Conhecido como “apóstolo do Brasil”, Anchieta foi também um dos fundadores de São Paulo. Não pretendo entrar nos detalhes e aspectos da religião, mas podemos refletir um pouco mais sobre algumas destas questões. Louvável ele ter aprendido o idioma nativo tupi, ter escrito sua gramática, tudo isso para poder melhor catequizá-los, ensinando os caminhos e preceitos da fé cristã.

Tem muitos méritos o então padre José de Anchieta: percorredor de caminhos, nosso primeiro poeta e talvez teatrólogo, fazendo das suas fraquezas força.

Os seus conhecidos autos teatrais, contextualizados nos costumes indígenas, serviram não só como didáticas catequéticas, mas com o objetivo de impressionar e deslumbrar as plateias, usando nas peças de teatro, truques de montagens, sempre transformadas em um grande espetáculo, em que empreendia a crítica dos costumes indígenas e a apologia da vitória dos valores cristãos.

Mas, para alcançar os seus objetivos de missionário da Companhia de Jesus, muitas vezes usava de expedientes considerados hoje pouco éticos, inclusive a violência física. Hoje, esses métodos pouco ortodoxos de catequização dos índios, promovida naquela época, é inconcebível para nós espectadores do século XXI, onde se impor uma nova religião a um povo, destruir seus traços culturais, seus ritos, crenças e práticas, é realmente inaceitável.

Não nos esqueçamos que não podemos julgar pelos padrões de hoje uma época que ainda se discutia se os nativos indígenas eram seres humanos, se tinham alma e que se permitia sua escravização, desde que vencidos em “guerra justa”. O padre José de Anchieta era um homem do século XVI, um soldado da contrarreforma, como eram todos os jesuítas de então.

Enfim, herói? Vilão? Padre Anchieta, hoje São José de Anchieta, foi um homem do seu tempo, que tinha uma missão e acreditava nela. Não podemos nos esquecer que, naquela época, religião, política e economia formavam um todo indivisível. Os aspectos econômicos da colonização não sobrepujavam os outros, portanto, a propagação da fé era tão importante quanto o fortalecimento político ou econômico

E em 9 de junho, data da sua morte (1597) em Reritiba, hoje Anchieta, comemora-se os 420 anos da sua morte, o Dia Nacional de Anchieta, com grande programação cultural na Cidade e no Santuário Nacional de Anchieta.

A cidade de Anchieta receberá no período de 4 a 07 de julho o importante XVI Congresso Brasileiro de Poetas Trovadores, onde vários escritores, pesquisadores, historiadores, professores irão em palestras e mesas-redondas debaterem sobre a rica história da fundação da cidade de Anchieta, e a participação do então padre José de Anchieta neste contexto. Com entrada gratuita, recomendamos a participação de todos. Rara oportunidade de se rever a nossa história capixaba.

Manoel Goes Neto é presidente do IHGVV e diretor no IHGES.

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