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Flatulência e arroto
Doutor João Responde

Flatulência e arroto

O pudor é uma vigilante virtude. Apesar disso, liberar flatos e arrotos é um hábito saudável. Os distúrbios relacionados com o conteúdo de gás no tubo digestivo são frequentes em consultórios de gastroenterologistas.

Acredita-se que esses sintomas sejam mais decorrentes do movimento, do que do volume de gases locais.

Arrotar é expulsar pela boca, o ar do estômago. Ocorre geralmente quando ele se distende em função da ingestão de muito ar. É para reduzir esta distensão que a eructação – o arroto – acontece.

Há uma série de razões pelas quais podemos engolir uma quantidade maior que o normal de ar, sendo que as mais comuns são: comer ou beber de maneira rápida, ingerir bebidas gaseificadas e ansiedade.

Crianças pequenas podem deglutir grandes quantidades de ar, sem perceber. É por isso que os bebês precisam arrotar depois de mamarem, a fim de expulsar o excesso de ar que foi ingerido durante a alimentação.

É possível arrotar quando o estômago não está cheio de ar.

Isso geralmente ocorre porque o arroto se tornou um hábito ou uma ferramenta para tentar reduzir o desconforto abdominal.

Refrigerantes, álcool, açúcar e fibras, podem provocar excesso de gases.

Algumas drogas tendem a gerar eructação. Estas podem incluir a acarbose – comumente usada para tratar diabetes –, laxantes como lactulose e sorbitol, e medicamentos para a dor, como naproxeno, ibuprofeno e aspirina.

Certas enfermidades também podem causar arrotos, como: doença do refluxo gastresofágico, gastroparesia, gastrite, intolerância à lactose, doença celíaca, etc.

Os gases intestinais, por sua vez, costumam ser motivo de piada e vergonha. Eles aparecem nos momentos mais inoportunos. Quando não são liberados, o constrangedor barulho expõe o que está acontecendo dentro de nós.

Apesar de ser um processo natural, as normas sociais nos obrigam a segurá-los quando estamos em público.

Liberá-los livremente acaba provocando empecilhos em nossas relações sociais, apesar de serem um fenômeno tão natural quanto qualquer outro, como espirrar ou sentir coceira.

Inúmeras disfunções respondem com o aumento na produção de gases intestinais. Vamos citar algumas delas:

Síndrome do Intestino Irritável, que é uma enfermidade funcional do aparelho digestivo, que provoca flatulências constantes, acompanhadas por diarreia ou prisão de ventre.

Quando alguém come muito rápido, a digestão torna-se problemática.

O aparelho digestivo não tem tempo suficiente para gerar os ácidos e sucos necessários para sintetizar os alimentos. Como consequência, são produzidos gases, entre outras alterações no trânsito intestinal.

Gases intestinais também podem apontar para quadros de úlceras e parasitas, indicando a presença de elementos estranhos e feridas no aparelho digestivo.

Sensibilidade a determinados alimentos e bebidas culminam com vários sintomas, inclusive flatulência excessiva.

Seria como se o organismo liberasse gases intestinais para dizer que não está metabolizando uma substância de maneira adequada, ainda que não responda com uma rejeição de natureza autoimune.

Medicamentos como antibióticos, por exemplo, podem produzir gases intestinais.

É comum que exista mais de uma alternativa farmacológica para determinada doença. Nesse caso, o medicamento deverá ser substituído por outro que não produza gases.

É verdade que os gases intestinais causam grande incômodo, mas sua presença pode estar alertando para algo mais sério que o odor e o ruído característicos.

Discrição e vergonha são heranças culturais. Podemos sentir nojo do ser humano, mas não como ele é, e sim como ele atua.

Arrotos e flatos não caracterizam bons modos, mas fazem parte da fisiologia do organismo.
 

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