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Filho viaja 200 km com corpo do pai para conseguir liberação para enterro

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Polícia

Filho viaja 200 km com corpo do pai para conseguir liberação para enterro


Departamento Médico Legal (DML) de Vitória. (Foto: Leone Iglesias/AT 19/08/18)
Departamento Médico Legal (DML) de Vitória. (Foto: Leone Iglesias/AT 19/08/18)

Um vendedor de 27 anos viajou cerca de 220 quilômetros para conseguir liberar o corpo do pai, um bombeiro hidráulico de 50 anos, para o enterro. O jovem, que não quis se identificar, é morador de Alfredo Chaves, no Sul do Estado, e contou que o pai morreu por volta das 20h30 dessa terça-feira (20), após sofrer um acidente dentro de casa. A equipe da Polícia Civil só chegou à casa da família às 4 horas da manhã desta quarta (21).

De acordo com o vendedor, quando ele chegou ao Serviço Médico Legal (SML) de Cachoeiro de Itapemirim, ele foi informado de que não havia médicos legistas e que o corpo do pai só seria periciado e liberado na quinta-feira (22).

"Então, eu pedi para trazerem meu pai para o DML (Departamento Médico Legal) de Vitória, para a gente não ter que esperar muito para fazer o enterro", disse o rapaz.

Todo o trajeto até a capital foi feito em um rabecão, nesta quarta-feira. O jovem foi autorizado a viajar no veículo, que transportava o corpo do bombeiro hidráulico e outros três. Mas o retorno para casa depende das famílias.

A Polícia Civil informou que não pode disponibilizar veículos para fazer o transporte dos corpos no regresso e familiares alegam que não têm condições de pagar uma funenária para fazer o translado.

"Infelizmente, a nossa polícia não tem a estrutura que poderia ter. Poxa, só duas viaturas para atender tanta gente. É lamentável", disse o jovem que veio liberar o corpo do pai.

Às 18h desta quarta, a manicure Alessandra Silva de Paula, de 44 anos, entrou no DML de Vitória para reconhecer o corpo do irmão, assassinado em Cachoeiro de Itapemirim, na terça. Ela veio do município junto com equipe da funerária, pelo mesmo motivo do vendedor: a falta de médicos legistas no SML de Cachoeiro.

"Cheguei aqui por volta das 14h e, desde então, estou aguardando. Eu acho uma vergonha, um descaso. Sem contar a questão do gasto", lamentou a manicure. O irmão dela foi morto na porta de casa, com um tiro. De acordo com Alessandra, o disparo foi feito por engano.

Peregrinação

 Jorgimar José dos Santos e a esposa Geralda Luiza de Souza. (Foto: Júlia Afonso/AT)
Jorgimar José dos Santos e a esposa Geralda Luiza de Souza. (Foto: Júlia Afonso/AT)

Quem também esteve no DML de Vitória para liberar o corpo do filho foi o pedreiro Jorgimar José dos Santos, de 53 anos. Ele e a mulher saíram de Anchieta às 22h de terça, e, só às 18h de quarta, entraram para reconhecer o agente comunitário de saúde, que morreu em um acidente na BR-482, em Guaçuí, na noite dessa terça-feira, depois de bater na traseira de um trator com uma moto.

"Nós fomos para Cachoeiro para reconhecer o corpo. Como faltava um documento com foto, que estava na delegacia de Alegre, tivemos que ir até lá e, só depois, viemos para Vitória", contou a madrasta do motociclista, a dona de casa Geralda Luiza de Souza, de 55 anos.

Ela desabafou sobre todo o transtorno que a falta de médicos gerou para a família. "Isso é um absurdo, porque a gente paga por tudo. A funerária vai dar assistência no traslado, mas nós gastamos em média de R$ 300 com gasolina, só com a vinda para cá, sem falar no desgaste e no cansaço. O que mais me deixa indignada é a espera".

Burocracia e falta de investimentos

Superintendente de Polícia Técnico Científica, Renato Koscky. (Foto: Divulgação)
Superintendente de Polícia Técnico Científica, Renato Koscky. (Foto: Divulgação)

Após muitos anos sem investimentos, a Polícia Civil se vê refém de uma situação complicada. A região da Grande Vitória (que abrange Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Viana, Fundão, Ibiraçu e Guarapari), por exemplo, conta com apenas três rabecões, sendo que um não está em boas condições de uso. Vale ressaltar que essas viaturas atendem crimes, acidentes e ainda buscam corpos em hospitais. 

De acordo com o superintendente de Polícia Técnico Científica, dr. Renato Koscky, esse seria o motivo de não conseguir liberar uma viatura daqui para levar de volta os corpos. "E, se eu liberar uma viatura daqui para levar esses corpos para Cachoeiro, por exemplo, e acontecer um acidente ou um crime com mais vítimas? É difícil."

Koscky explicou que entende a situação está complicada e lamenta as dificuldades enfrentadas pelas famílias. De acordo com ele, o governador Renato Casagrande já liberou verba para a compra de 10 novos rabecões, mas ainda falta concluir o processo de preparo das licitações, que deve seguir até o começo do ano de 2020. 

"A situação de Cachoeiro é realmente complicada. Nós temos cinco médicos legistas que cobrem cinco dias da semana com plantões de 24h. Cobrimos, ainda, mais um dia com escalas especiais desses servidores, restando um dia na semana sem cobertura. Quando precisamos dar férias a um dos legistas do SML de Cachoeiro, ficamos dois dias da semana sem os serviços desses servidores, como está acontecendo neste mês", afirmou Koscky.

O superintendente informou que o último concurso realizado pela corporação está próximo da fase da Academia de Polícia, que prepara os candidatos para exercerem suas atividades, e que deve ser finalizado até o início de 2020. São 50 vagas para perito oficial criminal, 20 para auxiliar de perícia médico legal e 15 para médico legista.

"Vai ser tudo no tempo certo, pois, somado aos concursos, estamos adquirindo 10 novos 'rabecões' e trabalhando para construirmos novas unidades dos SMLs, com novos espaços, como a sala lilás, para um atendimento mais humano às mulheres e crianças vítimas de violência. Em breve, as famílias não vão mais precisar passar por essa situação difícil", finalizou Koscky. 


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