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Festival no Museu Nacional atrai público com réplica de Luzia e fósseis de bichos


O Museu Nacional ardeu em chamas antes que Breno, 4, tivesse a oportunidade de visitá-lo. Neste domingo (23), no entanto, o menino pôde conhecer uma parte do acervo instalada em outros prédios que não foram atingidos pelo incêndio do início do mês.

O Festival Museu Nacional Vive aconteceu neste fim de semana, como parte da programação da 12ª Primavera de Museus, temporada cultural promovida pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Museus). Barracas espalhadas em frente ao museu contavam com o acervo do Horto Botânico, como peixes e aves, e com o do prédio anexo ao Museu, que abriga a coleção de invertebrados. 

Em um dos estandes também era possível ver uma réplica do crânio de Luzia, em impressão 3D. O fóssil mais antigo encontrado na América fazia parte de uma das coleções instaladas no palácio da Quinta da Boa Vista atingido pelas chamas.

 (Foto: Raquel Cunha/Folhapress)
(Foto: Raquel Cunha/Folhapress)
"Após o incêndio, muitas notícias desencontradas foram veiculadas sobre o crânio de Luzia. Algumas decretando sua destruição, outras sugerindo seu resgate. Luzia ainda não foi encontrada", dizia um texto impresso ao lado da réplica.

Enquanto Breno pintava com giz laranja um desenho do dinossauro herbívoro "Maxakalisaurus topai", sua mãe, Manuela Garcia, 36, dizia à reportagem que considera importante incentivar nas crianças o resgate à memória do país.

"[O incêndio] foi uma catástrofe, é uma tristeza muito grande ver a perda da nossa memória e a crise que o país vem passando."

Para Manuela, o festival foi muito dinâmico e alegre e os funcionários do Museu se mostraram dedicados à iniciativa.

Segundo a organização, em função do incêndio, o evento foi planejado em apenas uma semana. O objetivo principal foi mostrar ao público que o Museu Nacional ainda vive, apresentando as peças remanescentes. 

Também de acordo com a organização, a estrutura do evento, como as barracas, foi emprestada por outros museus e por universidades como a UFF (Universidade Federal Fluminense) e a Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro).

Os coordenadores estimam que cerca de 7 mil pessoas tenham passado pelo festival ao longo do final de semana. Neste domingo, o local esteve bastante movimentado e contou com a presença de diversas famílias e crianças.

Entre as peças apresentadas nas barracas, estavam fósseis como um dente do dinossauro "Tyrannosaurus rex", invertebrados como a estrela-do-mar, répteis como a jararaca e aracnídeos como o escorpião.

A geógrafa Maira Matos, 33, também estava entre as mães que levaram seus filhos ao evento. Noah, 3, mostrava-se empolgado com uma esponja, animal invertebrado, que colocava sobre a cabeça como um chapéu.

"Ele nunca veio ao museu, não achei que iria aproveitar pela idade, mas daí aconteceu isso [o incêndio] e estou tentando mostrar para ele outras coisas que tinham aqui", afirma. "Não está numa idade que entende muito, mas só de ter contato com coisas diferentes, que nunca viu, é importante."

Maira diz ver o evento como uma iniciativa para democratizar o conhecimento e afirma que os funcionários do museu têm dado demonstrações de fé e amor pela cultura e pela educação pública.