Ferida emocional e baixa fé religiosa põem vidas em risco

Revista de circulação nacional diz que acontece um suicídio no mundo a cada 40 segundos. No Brasil, a cada 45 minutos. E em Vitória? Não sabemos, pois a mídia, com a sábia intenção de não incentivar, decide calar. Mas o certo é que há uma estatística, sim! E somos testemunhas pelas vezes em que a Terceira Ponte é interditada.

Na maioria dos casos, as pessoas cometem o suicídio na tristeza de sua solidão e de imediato.

Mark Golden, Paul Wender e Donald Klein afirmam que são quatro as principais causas. Nessa ordem: Depressão, Alcoolismo, Drogas e Disfunções mentais (psicopatologias).

Do ponto de vista fisiológico, a doutora Marie Asberg, da Suécia, realça que o suicida apresenta um baixo nível de serotonina, em que o fluido cérebro-espinal – o 5-HIAA (ácido hidroxindo aleacético) – apresenta-se anormalmente baixo.

Suicídio não é acontecimento novo. Por milhares de anos na História encontramos pessoas dando cabo da vida. Na própria Bíblia, há sete casos, desde o governador israelita Abimeleque até Judas Iscariotes. Foram seres humanos com suas dificuldades afetivo-emocionais.

Daí porque o doutor Gary Collins pergunta se o suicídio é problema emocional ou espiritual. E ele diz que as feridas emocionais que ficam escondidas mais uma fé religiosa vacilante produzem o caminho de acesso mais facilitado.

Ele nos dá uma boa diretriz, tanto para quem pensa em cometer o ato como para aqueles que convivem com essa pessoa.

Ele diz: buscar meio de ter a confiança em Deus cada vez mais estimulada. Tratar os sintomas de desencorajamento. Alerta para as situações depressivas. Procurar aprender a expressar a raiva apropriadamente e a culpa como ensino para a vida. Incentivar pensamentos desafiadores e mudar quando vierem os negativos e desencorajadores. E, o mais especial, buscar ajuda com especialista ou pessoa de confiança.

Alguns sinais de alerta devem ser observados pelos familiares e amigos: a pessoa que já tentou, que fala em praticar, o histórico familiar, se houve uma grande perda, especialmente de pessoas ou dinheiro, enfermidades terminais, mania de ser perseguido, falta de esperança, pessoa sem visão de um futuro agradável.

Do ponto de vista religioso, o suicídio deve ser visto como um pecado igual aos outros. A ideia bíblica do perdão incondicional mediante a morte de Cristo, alcança plenamente a quem comete o suicídio.

A graça de Cristo não faz acepção de pessoas nem de pecados. Mas, por outro lado, uma pessoa que vive na graça, perdoada em Cristo, pode até pensar em suicídio, mas não chega lá.

A não ser como resultado de um profundo distúrbio mental ou de uma religiosidade superficial e descomprometida. A própria Bíblia diz em Filipenses 1:6.

“Tenho certeza de que aquele que começou a boa obra em vocês irá completá-la até o dia que Cristo Jesus voltar”.

Li, outro dia, uma frase, não lembro o autor, que diz: “Suicídio não é solução para um problema permanente, antes é a solução permanente para um problema temporário”.

Em Romanos 8:1, Paulo faz a pergunta: “O que nos separará do amor de Cristo”? Em seguida, ele enumera uma série de situações e coisas que poderiam nos separar. E, como numa extraordinária apoteose, ele finaliza no verso 39: “...nada (...) jamais poderá nos separar do amor de Deus revelado em Cristo Jesus, nosso Senhor”.

Erasmo Vieira é psicólogo e pastor


 


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