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Eventos traumáticos podem causar transtorno psíquico
Tribuna Livre

Eventos traumáticos podem causar transtorno psíquico

Eventos traumáticos, como os que ocorreram em Mariana e, mais recentemente, em Brumadinho (ambos em Minas), incêndios como o da boate Kiss no Rio Grande do Sul e o mais recente, no alojamento do Flamengo, no Rio de Janeiro, podem levar a sofrimentos psíquicos.

Entre as reações de sofrimento das vítimas estão o medo, a ansiedade, a incapacidade de sentir prazer em atividades normalmente agradáveis, o desconforto, a tristeza e o mal-estar.

Tudo isso em uma espécie de efeito cascata que pode levar ao diagnóstico do Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT).

Mas, para tal, é necessário que a pessoa tenha sido exposta a episódio concreto (evento traumático), ameaça de morte, ferimento grave ou violência sexual.

Ter vivenciando o trauma, ou testemunhado-o pessoalmente, ou, ainda, ter sido exposto a detalhes aversivos do evento, o que pode ocorrer com socorristas, bombeiros e policiais.

Também é necessária a presença de um ou mais sintomas associados ao evento traumático. Nesses casos, são comuns o comportamento de imprudência e autodestruição, além de problemas de concentração e perturbações do sono.

No caso das crianças, elas podem reencenar o trauma durante as brincadeiras.

A apresentação clínica TEPT varia entre as pessoas, e o evento traumático é revivenciado de diferentes maneiras. Os sintomas costumam se manifestar dentro dos primeiros três meses após o trauma, embora possa haver um atraso de meses ou até anos.

O sofrimento parece não ter fim, e a pessoa revive o trauma inicial quando exposta a situações precipitantes, que se assemelham ou simbolizam aspectos do evento traumático.

Podem ocorrer esforços para evitar pensamentos, lembranças e sentimentos sobre o acontecimento. Outros sentem culpa ou vergonha pelo ocorrido; alguns se isolam, evitando a vivência de alegria e emoções associadas à intimidade e à sexualidade.

Outros, ainda, desenvolvem dependência de álcool e de drogas, bem como é significativo o comportamento automutilante e suicida (o suicídio e ideias suicidas são muito prevalentes no TEPT).

Também podem ocorrer manifestações psicóticas, como ouvir vozes que falam sobre a pessoa adoecida. Em idosos, a deterioração da saúde, a piora cognitiva, a baixa acuidade auditiva e visual e o isolamento social podem exacerbar sintomas de TEPT.

Nas catástrofes, a recomendação é que médicos e psicólogos avaliem o estado mental das vítimas, hospitalizando temporariamente aquelas com risco imediato de suicídio, e oferecendo tratamento de suporte aos demais.

Para os sobreviventes, devem ser oferecidas medidas de apoio, como ampliação dos laços com família e amigos, aumento da capacidade de resiliência, e criação de planos de recuperação pessoal. As estratégias de apoio variam de acordo com a proporção de cada evento traumático.

A sensação de não pertencimento, pela perda da moradia, dos animais e das fotos de família (valor simbólico e muito significativo para a construção de uma identidade pessoal e familiar), fragiliza as vítimas desses acontecimentos.

O TEPT é fonte de sofrimento mental significativo, de baixo rendimento no trabalho e nos estudos, exaustão, alteração de humor e perda da qualidade de vida. Está associada com elevação dos gastos com saúde e baixa produtividade no trabalho, além da ruptura de laços sociais.

Maria Benedita Reis é psiquiatra e psicanalista
 


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