search
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.


Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

esqueceu a senha? Assinar agora
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.

"Estamos perto de descobrir vida em outros planetas"
Publicidade | Anuncie

"Estamos perto de descobrir vida em outros planetas"


Um grupo internacional de cientistas publicou na semana que passou um artigo numa renomada revista científica que aponta a descoberta de um gás na atmosfera de Vênus. Com um detalhe: o tal gás, a fosfina, também existe na Terra – o que sugere que o planeta pode hospedar vida microbiana. Logo, poderia haver vida fora do Planeta Azul.

Segundo uma das autoras do estudo, a busca por vida fora da Terra está a todo vapor — seja em Vênus ou em algum dos milhares de planetas que a ciência já descobriu no universo. Mas isso é realmente factível? Para o mestre em Astrofísica pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Márcio Malacarne, a resposta é sim.

“Não está descartada alguma vida simples. Há indícios e condições propícias, como água, oxigênio, moléculas, aminoácidos e alguns gases (....) A busca pela vida tem um parâmetro principal: estrelas semelhantes ao Sol”, diz Malacarne, que também é coordenador do Gaturamo Observatório Astronômico (GOA) da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). A seguir, ele fala mais sobre o universo e seus mistérios.

A TRIBUNA – O senhor acredita que a ciência está perto de encontrar evidência de vida em outros planetas?
Márcio Malacarne – Sim, estamos chegando quase lá. Há busca desde os anos 1960 e 1970. Estamos próximos de encontrar uma vida simples em outros planetas, não vai levar décadas.
A vida no Sistema Solar, de forma desenvolvida, é muito difícil. Não encontramos ainda, mas há indícios e condições propícias, como água em pouca quantidade ou em forma de gelo, oxigênio, moléculas, podem ter aminoácidos (unidade estrutural fundamental na formação das proteínas) e alguns tipos de gases – até em cometas e asteroides. Logo, não está descartada alguma vida simples.

As buscas no Sistema Solar não são recentes e, como o senhor disse, não deve-se descobrir uma vida muito desenvolvida. Para onde direcionar as buscas então?
Para os exoplanetas (planetas que orbitam uma estrela que não seja o Sol e, desta forma, pertence a um sistema planetário distinto do nosso). Tem grandes projetos para buscar vida, especificamente instalados no Deserto do Atacama, entre Argentina e Chile.
São telescópios grandes, que devem encontrar, a priori, bactérias. Não foi inaugurado ainda, mas há um com mais de 30 metros de diâmetro (será o maior telescópio infravermelho que já existiu e deve entrar em ação em 2024). O maior do Brasil tem 1,6 metro.
Então, há projetos para buscar vida. E é assim que começa, na observação terrena. Vale lembrar que estamos na casa dos 5 mil planetas espalhados. Há grande chance de ter vida.

E por que é tão difícil?
Pela dimensão do universo. Os planetas são como buscas na areia da praia. E olha a quantidade de grãos de areia!
Já estamos nessa busca há 50 anos. Não chegamos em todos os cantos, mas de maneira geral, deu para fazer uma boa amostragem. E isso indica que o que devemos achar é uma vida muito simples, como bactéria. No Sistema Solar, já foi bem vasculhado.

 (Foto: )
(Foto: )

O que se encontrará primeiro: vida inteligente ou não inteligente?
Muito improvável encontrar uma vida semelhante à nossa. Não sabemos se todos os tipos de vida têm interesse em se apresentar. Se for mais inteligente que a nossa, podemos nem observar.
Nós que somos os curiosos. Os outros seres podem se esconder – o que não acho provável – e surge a dificuldade de encontrar. São muitos grãos de areia para se observar. É possível encontrar vida, e se encontrar, primeiro será simples. Vale lembrar que a gente não sabia se havia água na Lua há 20 anos.

Apesar dos avanços tecnológicos, ainda não se conseguiu provas concretas. Por quê?
Porque o universo é muito grande. A Terra é um local isolado no universo. Nossas descobertas não acompanham o tamanho do universo. A vida igual na Terra é improvável nas próximas décadas em outro local, mesmo com os novos telescópios mais modernos. Podem descobrir planetas semelhantes à Terra, mas não igual.

As enormes distâncias do universo podem ser um obstáculo intransponível para se encontrar outras formas de vida?
Não, não é intransponível, porque se pararmos para pensar, sair da Terra era intransponível há um século e nós saímos, não é mesmo? Só não podemos saber quando vamos mais longe, nem o que encontraremos.

A Terra tem um conjunto aparentemente raro de propriedades que propiciam a vida. Há quem diga que isso dificilmente se repetiria em abundância no universo. O que o senhor pensa disso?
É meio um acaso a Terra ter tantas características propícias, mas a chance disso se repetir é pequena. A busca pela vida tem um parâmetro principal: estrelas semelhantes ao Sol – e o porém: a maioria das estrelas não são tipo o Sol. Não vamos encontrar os mesmos elementos químicos, de repente muitos não vão ferro, nem água. Mas a busca por lugares com propriedades semelhantes à Terra tem a ver com a estrela, é ela quem vai indicar.

Uma possível colonização de Marte “voltou à moda”. Até quanto o senhor pensa que isso é possível?
Particularmente, acho essa curiosidade humana quase que um apelo, uma obsessão. O ser humano tem o mecanismo de busca por outros lugares, mas acho factível, sim, nas próximas décadas, um início. Repetindo: não devemos encontrar vida desenvolvida como a nossa.

Um grupo internacional de cientistas publicou um artigo que aponta a descoberta de um gás na atmosfera de Vênus. É um gás que existe também na Terra. A descoberta sugere que o planeta pode hospedar vida microbiana. O que o senhor acha?
É o gás fosfina (um gás incolor cujo cheiro é extremamente ruim, com cientistas comparando o odor ao de alho ou peixe podre). É uma possibilidade ou não. Tem as duas chances, sinceramente. A busca por Vênus, assim como falei de Marte, é mais um elo dessa corrente de busca incessante pela vida fora da Terra. Fala-se da temperatura alta de Vênus (livros citam 450ºC), mas na alta atmosfera a temperatura é mais amena. Seria, portanto, uma possibilidade de encontro de vida, mas algo ligado às bactérias.

Perfil
Márcio Malacarne

É Mestre em Astrofísica pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, um instituto federal brasileiro dedicado à pesquisa e exploração espacial, criado em 1961.
É coordenador do Gaturamo Observatório Astronômico (GOA), na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Na Ufes, dá aulas de extensão na disciplina de Astronomia.


Olá, !

Esse é o seu primeiro acesso por aqui, então recomendamos que você altere o seu nome de usuário e senha, para sua maior segurança.



Manter dados