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Nacif Elias troca o judô pelo MMA: "Quero ser campeão do UFC"

Depois de quase 30 anos no judô e de duas participações em Olimpíadas, Nacif Elias vai encarar desafio no MMA

Leone Oliveira | 23/07/2022 15:10 h

Nacif Elias está empolgado com o novo desafio: “Minha vitória será a vitória do povo capixaba, represento todo o guerreiro capixaba”
Nacif Elias está empolgado com o novo desafio: “Minha vitória será a vitória do povo capixaba, represento todo o guerreiro capixaba” |  Foto: Kadidja Fernandes/AT
 

Acostumado a ciclos, o capixaba Nacif Elias se prepara para iniciar mais um em sua carreira. Depois de dedicar quase 30 anos de sua vida ao judô, o atleta vai encarar um novo desafio: ele decidiu trocar o tatame pelo octógono e vai migrar para o MMA, onde quer ser campeão do UFC - principal evento da modalidade.

Aos 33 anos, Nacif voltou para Vitória no final de 2021, meses depois de participar dos Jogos Olímpicos de Tóquio e, em conversa com amigos, tomou a decisão de aposentar o quimono e calçar as luvas.

"Trocando ideia com meu mestre de jiu-jitsu Fred Zaganelli e com os amigos me perguntaram se eu não queria ir para o MMA, porque de antemão eu ia me aposentar. Pensei 'minha vida não estava completa ainda para me aposentar, vou sair na porrada'", disse Nacif aos risos.

O capixaba coleciona títulos de etapas da Copa do Mundo, Brasileiro, Sul-Americano, Pan-Americano, além de vice-campeonato asiático e duas participações em Jogos Olímpicos, onde representou o Líbano, país do qual ele possui cidadania. Apesar de tudo, Nacif abriu mão de seguir no judô e tentar emplacar a terceira participação em Olimpíadas, em Paris-2024.

"Não vou tentar Paris por um motivo. O Líbano quer que eu more na Europa por causa da distância. É muito caro o deslocamento sair do Espírito Santo, ir para outro estado e fazer a ponte aérea. É muito caro o ciclo olímpico. Eu já morei muito tempo fora, meus pais estão envelhecendo. Lá, eu teria uma estabilidade financeira, viveria melhor, mas acho que chegou o momento da minha família ser prioridade. Meus filhos estão crescendo também. Quero ficar perto dos meus pais e dos meus filhos, da minha família. A prioridade hoje vai ser a luta, o MMA, e a minha família. Não  tenho como colocar mais o judô como prioridade", revela o agora ex-judoca.

Nacif já iniciou os treinos na nova modalidade e sonha alto no MMA. O objetivo é chegar aos grandes eventos, como o Ultimate Fighting Championship (UFC) e Bellator, e ser campeão. A modalidade onde ele quer competir é dos meio-médios (até 84 quilos).

"Nunca tive o sonho de ter uma medalha olímpica. Meu sonho era de ir para uma Olimpíada. Mas agora tenho um sonho de conseguir o cinturão de algum desses grandes eventos e tenho certeza que vou conseguir. Meu coração fala que se eu me dedicar, vou conseguir" Nacif Elias, atleta de MMA
  

E completa: "Sou um cara disciplinado, focado e, quando falo, eu faço acontecer. Com as pessoas que estou hoje sei que tenho plenas condições de chegar nos grandes eventos".

No time de Nacif, além de Fred Zaganelli, estão ainda o preparador físico Mauro Guerra, que trabalhou com Erick Silva, lutador capixaba que chegou ao UFC, o  lutador de MMA Felipe Eloy, especialista em muay thai e boxe, que também trabalhou com Erick, além de mestre Dênis, da Coliseu Fight, e os filhos dele Denizinho e Iury, campeões brasileiros de kickboxing.

Mauro Guerra destaca que o judô é uma modalidade associada a produção de força, enquanto que o MMA já mescla e tem uma parte de velocidade, igual o kickboxing e taekwondo. 

Por essa razão, ele precisa ajustar toda a capacidade neuromuscular de Nacif, que antes era voltada para a produção de força, para a produção de velocidade. 

"É uma transição que precisa ser feita com bastante cuidado, controlando essas variáveis e lógico temos que lembrar que o Nacif já é um atleta de 33 anos e tem um histórico de lesões no judô", explicou ele.

Nacif Elias posa ao lado do preparador físico Mauro Guerra
Nacif Elias posa ao lado do preparador físico Mauro Guerra |  Foto: Kadidja Fernandes/AT
 

"Minhas lutas vão ser bonitas", diz o Cachorro Louco

Em poucos meses de preparação, o "Crazy Dog" (em português, cachorro louco"), como ele quer ser chamado no MMA, pretende fazer sua estreia na modalidade em um evento amador no Rio de Janeiro, previsto para o mês de setembro. 

A estratégia do capixaba é pegar a experiência em lutas no octógono participando dessas competições para se profissionalizar em janeiro de 2023. 

Com a especialização em quedas conquistadas nos quase 30 anos de judô, Nacif tem afiado a técnica de chão no jiu-jitsu e aprimorado a luta em pé, onde não é especialista na trocação, mas garante que vai partir para troca de golpes com os oponentes, fazendo valer o apelido de Crazy Dog.

"Não sou especialista em trocação, mas sempre treinei. Acho que o principal é aguentar apanhar. Eu sou esse cara, vou aguentar apanhar e vou frustrar os caras, porque eles podem me batem, mas eles não vão me pegar no chão, nem vão me nocautear. E eu vou pegar eles. Vacilou, eu vou meter a porrada ou vou finalizar. Eles não vão me finalizar, nem me nocautear, porque sou queixo duro" Nacif Elias, atleta de MMA
 

Perguntado sobre qual seria o evento que sonha participar no MMA, o capixaba diz que gostaria de participar do UFC, mas também tem o desejo de competir no Brave, que é um evento no Oriente Médio. 

"Sou libanês. Sou brasileiro e libanês. Queria lutar na Ásia, na One UFC também, porque passei um bom período lutando pelo Líbano e o Líbano luta pela Ásia, então conheço aquela região toda ali e por isso tenho carinho", diz. 

Nacif está afiando a parte de jiu-jitsu em treinamentos
Nacif está afiando a parte de jiu-jitsu em treinamentos |  Foto: Kadidja Fernandes/AT
 

"E queria finalizar no UFC, porque sou brasileiro, capixaba e a galera curte, gosta. Gosto de dar show, sair na porrada mesmo, fazer bonito para a galera. Nacif é showman, luto pelas pessoas que acreditam no meu trabalho, quero sempre fazer bonito. Pode ter certeza que todas as minhas lutas vão ser lutas bonitas. Vai ser porradeiro comendo solto do início ao fim, porque vou entrar treinado em todos os combates e sou profissional no que faço. Quero finalizar no UFC, ganhando título do UFC e depois em aposentar", planeja.

No octógono ele pretende entrar com uma bandeira das cores do Espírito Santo, do Brasil e do Líbano, que são os locais que ele tem carinho. Essa bandeira já foi encomendada por ele.

"Minha vitória será a vitória do povo capixaba, represento todo o guerreiro capixaba. Aquela pessoa que quer vencer na vida, vou representar ela na luta. E vou mostrar que dá pra ser campeão treinando no Espírito Santo. Já provei no judô e, agora, vou provar no MMA".

Inspiração em Glover Teixeira 

A migração para o MMA está sendo feita por Nacif aos 33 anos, após longa carreira no judô. Uma trajetória oposta da maioria dos lutadores que entram nas grandes franquias da modalidade novos e constroem sua trajetória. 

O capixaba revela que a inspiração para essa mudança vem do brasileiro Glover Teixeira, que se tornou o lutador mais velho a conquistar o cinturão do UFC, aos 42 anos. "Ele mostrou que se você for disciplinado e tiver força de vontade consegue chegar", confessa Nacif.

Outra motivação veio dos amigos que ele fez nos tempos de treinos no Rio de Janeiro e Minas Gerais, que conseguiram chegar ao UFC e ao Bellator. 

Nacif diz que se inspira em Glover Teixeira
Nacif diz que se inspira em Glover Teixeira |  Foto: Kadidja Fernandes/AT
 

"Posso citar a Juliana Velasquez, que treinou comigo no Flamengo e foi campeã no Bellator, a Amanda Ribas treinou comigo no Minas e entrou no UFC. Léo Leite amigo que treinou comigo na seleção brasileira e chegou no Bellator. Recentemente, dois amigos meus foram contratos pelo UFC, o Caio Borralho, o 'The Natural', e o Bruno Hulk, que morou comigo em Minas Gerais", lembra Nacif.

Além disso, ele também participou de treinos na Brazilian Top Team, em 2013, com Rousimar Palhares, o Toquinho.

Perguntado se faltou algo na carreira como judoca, o capixaba diz que é grato a todos que o apoiaram e que fez tudo aquilo que pode com os recursos que tinha a disposição. 

"Esse meu segundo ciclo olímpico teve pandemia e, para mim, foi muito desgastante, muito triste, porque cortaram meu salário, engordei 10 quilos, porque não podia fazer atividade física nenhuma fora de casa. Mesmo treinando em casa, acabei engordando. Tive muito estresse emocional. Tinha acabado de ser sétimo em um Grand Slam e chegou a pandemia. Não voltei o mesmo depois da pandemia, voltei mais lento e não consegui alcançar o auge que estava. Consegui a vaga na Olimpíada na raça. Em seis meses, eu consegui classificar para Olimpíada, mas foi muito desgastante. Morava longe do Minas Tênis Clube, tinha que acordar às 4h30, pegar ônibus até o treino e tinha dias que dormia na praça porque por conta da pandemia não podia ficar no Minas. Dei meu máximo", revelou.


Perfil 


Nacif Elias

Idade: 33 anos

Apelido: Crazy Dog (cachorro louco)

Atleta de judô desde os 4 anos

Agora vai migrar para o MMA

Títulos: Campeão de oito etapas da Copa do Mundo de Judô, campeão Sul-Americano, Brasileiro e Pan-Americano. Vice-campeão dos Jogos Asiáticos

Esteve nas Olimpíadas do Rio-2016 e Tóquio-2020.

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