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Envelhecer é um privilégio
Doutor João Responde

Envelhecer é um privilégio

Velho não é sinônimo de imprestável. Ao contrário, alcançar os últimos degraus da idade pode trazer consigo um grande acúmulo de sabedoria. O que seria do mundo presente se não houvesse as lembranças dos nossos antepassados a nos encherem a mente de inspiração para o conhecimento e a prudência, tão necessários à vida?

Quem compreende a velhice faz questão de buscar, nos escaninhos do passado, a memória dos feitos e defeitos daqueles que, antes de nós, carregaram o peso de um legado.

Associar envelhecimento com invalidez é um pensamento muito corrente em nossa sociedade. Vivemos esquecendo que nem todos os idosos queixam-se de sintomas ou enfermidades.

Estas condições não são inerentes ao processo de envelhecimento, pois existem incontáveis pessoas saudáveis, com idade avançada. A maioria dos seres humanos morre de doenças, muito poucos falecem de velhice, propriamente dita.

Para entender o envelhecimento em todas as suas nuances, devemos diferençar o que é normal e esperado neste processo, e o que é patológico.

Com o passar dos anos, o corpo sofre uma série de transformações anatômicas e funcionais que atingem todos os órgãos e sistemas.

O adelgaçamento da pele, o enrijecimento dos vasos sanguíneos e a redução de algumas células de defesa são alguns exemplos. Estas mudanças são denominadas senescência ou envelhecimento normal. Elas não são acompanhadas de sintomas e não interferem negativamente no estilo de vida de cada idoso.

No outro extremo, encontra-se a senilidade, termo atribuído à presença de doenças e limitações que podem surgir ao longo da vida, como a osteoporose, a hipertensão arterial e o câncer.

Estas são características do envelhecimento patológico, necessitando de abordagem e tratamento específicos.

É fato que as doenças, principalmente o Alzheimer e as enfermidades degenerativas, são mais prevalentes na população idosa, mas atribuir estas condições como esperadas para idades avançadas é um equívoco.

Assim como não devemos confundir envelhecimento com enfermidade, também não podemos tratar idosos da mesma forma que tratamos adultos, jovens ou crianças.

Cada etapa da vida tem suas peculiaridades e precisamos lembrar-nos disso em cada tratamento proposto.

As modificações, que a senescência estabelece no organismo do idoso, tornam-no mais sensível aos denominados “fatores estressantes”, sejam eles cirurgias, infecções ou efeito de medicação, podendo tornar o geronte vulnerável a complicações.

Em algumas situações, os limites entre senescência e senilidade não são claros. A abordagem ampla visa buscar ativamente estas condições e estabelecer o melhor plano de tratamento para cada caso.

O paciente deve procurar ajuda especializada sempre que perceber algum sintoma ou mudança no padrão de funcionamento, e não acreditar que eles sejam normais em função da idade.

Essa interpretação é perigosa e não deve ser utilizada antes de uma avaliação completa.

Falhas imunológicas e perda da renovação celular são tratadas com drogas. Todavia, os melhores medicamentos utilizados na terceira idade não são feitos de substâncias químicas, mas de estímulos que priorizem atividades sociais, intelectuais e afetivas.

Não devemos permitir que uma determinada condição de saúde apague o brilho de alguém que seja idoso. Os anos não devem roubar de nós quem nós somos, mas lapidar nossa essência e concretizar nossas conquistas.

Quanto mais refletirmos sobre o assunto, melhor chegaremos à velhice. O maior inimigo da velhice é exatamente o medo de ficar velho.

Um dos segredos para envelhecer bem consiste em ter gratidão pela vida vivida, adubando novos sonhos com velhas recordações.

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