Flávio Dias

Flávio Dias


Eles gostam de sofrer!

Comemoração dos jogadores do Cruzeiro após a classificação (Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)
Comemoração dos jogadores do Cruzeiro após a classificação (Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)
Talvez não tanto quanto o Grêmio, mas este Cruzeiro do Mano Menezes adora passar no limite. Acho um timaço. De verdade. No papel. Na prática, deixa a impressão de que faz o suficiente. Ganha, se classifica, mas sempre passa raspando. E não precisa.

Fábio é um goleiro excepcional. Os laterais estão na média dos outros times. A dupla de zaga é excelente, puxada pelo “mito” Dedé. Henrique é um baita volante e Lucas Silva volta a jogar o que já jogou em 2013 e 2014. Jogou tanto naqueles anos que foi para o Real Madrid!

Robinho é um jogador que deixa todo técnico apaixonado. Faz de tudo um pouco. Cai bem em qualquer time.

Qual outro time do Brasil tem dois meias como Arrascaeta e Thiago Neves? Covardia… Na frente, o nome seria Fred. Não é por causa da lesão no joelho direito. Barcos chegou, tem nome, mas quem joga bola mesmo é o Raniel.

Enfim, é ou não é um timaço?

Por que, então, o Cruzeiro sofre? Na Copa do Brasil, venceu o Santos fora de casa e perdeu no Mineirão. Passou nos pênaltis. Na Libertadores, venceu o Fla fora de casa e perdeu de novo no Mineirão. Desta vez, passou pela vantagem mínima que tinha por causa do saldo de gols. Perdeu ótimas chances, é verdade, mas parece que se dá por satisfeito com o que o regulamento pede.

O Cruzeiro está na minha lista de favoritos na Libertadores e na Copa do Brasil. Estava também no Brasileirão, mas abriu mão do campeonato e ficou para trás. Mas acho possível que brigue pelo título nas duas competições de mata-mata. Só gostaria que o time jogasse, com mais frequência, a bola que acredito que pode jogar.

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Joga muito!

Dedé está jogando demais (Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C)
Dedé está jogando demais (Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C)
Como joga bola o Dedé! Totalmente recuperado das lesões nos joelhos, é o melhor zagueiro do Brasil. E olha que o Grêmio tem o Geromel, que também joga demais!

Em 2015, Dedé nem jogou. Em 2016, foram só seis partidas. No ano passado, sete. Agora, recuperou a forma, o ritmo de jogo e dá aula nas partidas. Por cima, por baixo, com antecipação. É muito bom ver o Dedé jogar! Sorte dos cruzeirenses.

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Discurso que cansa

“Agora é levantar a cabeça”. “Precisamos esquecer e trabalhar”. “Caímos de pé”. Na boa, qual tipo de torcedor gosta de ouvir essas pérolas dos jogadores e treinadores a cada derrota ou eliminação?

Conformismo pós-eliminação (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)
Conformismo pós-eliminação (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)
O discurso cansativo agora foi repetido pelo Flamengo. Até parece que o time deu show em cima do Cruzeiro! Não deu. Contem quantas defesas o Fábio precisou fazer?

A eliminação é pesada, sim. Mas parece que tudo são flores no reino rubro-negro. Com Zé Ricardo, a bronca era em cima do conformismo do treinador e do elenco com as derrotas. Agora, continua a mesma coisa.

Vejam bem, não estou dizendo que tem que mudar tudo, invadir o Ninho do Urubu, bater nos jogadores. Nada disso. Longe disso. Mas aceitar tão bem cada eliminação irrita ainda mais o torcedor. Que tal, pelo menos de vez em quando, mostrar que perder é ruim?