Educação e games: mais próximos do que se imagina

Rafael Scandian é game designer (Foto: Divulgação)
Rafael Scandian é game designer (Foto: Divulgação)
A digitalização das nossas rotinas abriu as portas para uma nova era de quantificação do indivíduo. Contando passos, horas de sono, calorias ingeridas, etc, a ideia de que o acesso constante às medidas das nossas rotinas nos ajudaria a melhorá-las, empolgou muita gente.

Na jornada em busca do eu-digital, se imaginava que a parte mais difícil seria obter os dados dos indivíduos, se aproveitando do smartphone para transformar em números cada atividade do usuário, do momento em que acorda até a hora do jantar, do tempo que se passa sentado no escritório até a quantidade de repetições abdominais. Porém, hoje, somos capazes de ter acesso a um fluxo enorme desse tipo de informação, mas ainda não sentimos isso traduzido em bem-estar instantâneo. Por que será?

A facilidade de reproduzir sistemas de pontos, medalhas e placares de líderes levou centenas de empresas a apostar na promessa de "gamificar para lucrar". Alguns anos antes com o despertar das redes sociais, já havia ficado provado que a repetição de padrões e o uso de ferramentas pré-prontas inseridas numa nova tecnologia não eram tarefas simples.

Altas expectativas resultaram num grande número de fanpages sem qualquer relevância na comunidade e o papel do novíssimo profissional de mídias sociais posto em cheque. No final dos anos 90, falhava quem usava seu website como mero cartão de visitas e nos anos 2000, quem usava sua fanpage como um mero website!

Quando falamos de gamificação, falamos em engajamento. Esse que resulta de ciclos de feedback, proporcionados pelos inputs espontâneos dos usuários, que alimentam o sistema com dados na esperança de serem gratificados na devida proporção.

Obviamente, isso não passa da definição de qualquer jogo, game, videogame, tabuleiro, cartas, etc. Ao tentarmos introduzir a estética lúdica e as mecânicas de jogos no dia a dia das pessoas, estamos propondo domar a ideia do game – esse mundo mágico e misterioso que captura a atenção de milhões de pessoas pelo mundo – e torná-la acessível ao contexto contemporâneo dos negócios.

Então, por que nossa fixação por Super Mario não se repete na busca de medalhinhas das dezenas de aplicativos Fit na AppStore e Google Play? Por que a motivação de curto prazo de um sistema pontificado quase nunca se traduz numa mudança de comportamento a longo prazo como gostaríamos? É preciso pensar o engajamento, através de uma narrativa convincente e o entendimento dos anseios dos “jogadores”, assumindo o papel do game designer.

Ao trazer a discussão para a educação, logo percebemos que a parte mais séria da nossa vida estudantil se resume a erros ou acertos, plágio ou originalidade, preguiça ou performance. E aquilo que une tudo isso numa representação digital: o ponto/ a nota.

Pelo mundo, professores de ensino a distância cada vez mais se envolvem na transformação de suas aulas em verdadeiras aventuras. Aulas memoráveis, que não buscam trazer a sala para a internet, mas realizar algo novo e que só o mundo virtual pode proporcionar.

A tendência é juntar boas narrativas a um sistema de regras que atenda aos anseios de cada perfil. Um bom e divertido jogo jamais substituirá a pedagogia, mas aliado a ela, pode melhorar potencialmente a experiência do aprendizado virtual.

Rafael Scandian é game designer


últimas dessa coluna


Eleição presidencial: de volta ao terror

Ao longo da campanha eleitoral para Presidente da República do ano de 2002, quando o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva estava à frente nas pesquisas eleitorais, o PSDB, estando no Poder, …


Você sabe quando e como utilizar um pronto-socorro?

Não é de hoje que assistimos pela televisão, internet ou até mesmo vivenciamos de alguma maneira a superlotação das unidades de urgência e emergência, comumente conhecidas como pronto-socorro. …


Vacinar ou não vacinar? Eis a questão

A reumatologia é mesmo uma especialidade que nos obriga a conhecer não só sobre doenças e medicamentos, mas também sobre exercício físico, nutrição, psicologia e imunização. Haja cérebro pra guardar …


Terceira idade: desafios e cuidados

Com o avanço da idade, é comum surgirem alterações no estilo de vida. Em razão desse processo, vem o comprometimento de funções e atividades que antes pareciam ser de simples execução. A partir …


A internet e a fragilidade das campanhas eleitorais

É consensual entre os analistas que a atual disputa eleitoral para a Presidência da República é a mais incerta desde a redemocratização do Brasil, nos anos 1980. Apesar da sensação difusa de …


Resolver só a corrupção, não resolve o Brasil

Em tempos de cenário eleitoral, Operação Lava a Jato, lideranças políticas apreendidas, democracia sendo questionada e vazio extremo de lideranças, urge a necessidade de parar, analisar e discernir. …


Nota fiscal eletrônica: avanço que exige novos hábitos

O Código Tributário Nacional define as obrigações acessórias como o conjunto de informações, declarações e prestações exigidas do contribuintes e de interesse do Fisco para fins de arrecadação e …


Diálogo com os presidenciáveis

Considerando o período eleitoral, o Sindiex iniciou um diálogo com os presidenciáveis, objetivando conhecer os seus projetos de governo, e percebemos que já são velhos conhecidos: ajuste fiscal, …


Segurança pública e eleições

Os números da segurança pública no Brasil podem ser considerados de um país em guerra. De acordo com os últimos dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados no 12º Anuário de Segurança …


O cuidado fora dos hospitais e o foco no paciente

A palavra desospitalização pode até assustar, mas nada mais é do que tirar, na medida do possível, os pacientes de dentro dos hospitais, garantindo a eles o melhor cuidado, com as terapias necessária…