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Drama na educação superior pública
Tribuna Livre

Drama na educação superior pública

A lógica perversa imposta pelo governo às universidades públicas está visível para toda a sociedade. A situação financeira dramática da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) é acompanhada com apreensão pelos capixabas.

O que se evidencia em todas as instituições federais de ensino superior do País é o total desprezo dos atuais governantes com a educação.

Nesse cenário sombrio, o governo mostra que não vê o ensino como direito de todos, como assinala a Constituição. Assim, cresce o sentimento de repulsa e indignação diante do desmonte da educação superior pública.

A tragédia na educação brasileira deixa as universidades impossibilitadas de cumprir, sequer, os contratos que asseguram o seu funcionamento, como está ocorrendo com a Ufes.

Com 20 mil estudantes de graduação e três mil de pós-graduação, a Universidade mantém cerca de cinco mil pesquisas científicas e tecnológicas em andamento, e 850 programas de extensão realizam dois milhões de atendimentos em todos os municípios capixabas.

Além de formação acadêmica qualificada, a Ufes promove cultura, produz ciência e participa da formulação de políticas públicas para a melhoria da qualidade de vida da população. Essa conquista dos capixabas e dos brasileiros, construída ao longo de 65 anos, corre riscos se o governo não mudar a sua estratégia para a educação superior.

A Ufes tem buscado reduzir os impactos da crise com planejamento, redução de custos e ações permanentes de melhoria das práticas de gestão. As atividades essenciais seguem mantidas com gerenciamento de crise. Contudo, o quadro se agrava a cada dia. Recentemente, a Universidade foi forçada a suspender cerca de 1.100 bolsas de estudantes com atividades nas áreas de ensino, pesquisa e extensão.

Um triste cenário que envolve um público cuja maioria é de famílias em vulnerabilidade socioeconômica e que terá consideráveis dificuldades para continuar a busca do sonho da formação superior e alcançar mobilidade social. Ressalte-se que o perfil acadêmico mudou com as ações inclusivas na Ufes. Hoje, mais de 50% dos estudantes matriculados são de famílias de baixa renda, e que, antes, não tinham possibilidade de acesso à Universidade.

Todas as tentativas de interlocução com o Ministério da Educação mostram-se inúteis diante de tamanha falta de diálogo, empurrando as universidades para o colapso financeiro. O governo anuncia que os contingenciamentos de recursos e os bloqueios orçamentários representam “economia” para o Estado, porque entende, lamentavelmente, que o financiamento público em educação é “custo”, e não investimento no desenvolvimento socioeconômico do País. Assim, as universidades sofrem com a redução de suas atividades, e a qualidade dos serviços que presta à população encolhe.

O orçamento para investimentos públicos no País despenca ano a ano, fato que ocorre desde 2014, com o agravante da Lei do Teto de Gastos, que limita os recursos. Nesse ritmo, as perspectivas para 2020 são ainda piores, de acordo com os planos da equipe econômica do governo que, além de não encontrar soluções para o País, torna a crise mais complexa.

Cabe à sociedade, e particularmente às universidades públicas, reafirmar a sua capacidade de resistência ao caos que o governo instala na educação. É preciso defender a universidade pública como um valor da sociedade e vetor fundamental para o desenvolvimento do Brasil e para o futuro das novas gerações.

Reinaldo Centoducatte é reitor da Ufes.

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