Os fantasmas da mente

Doutor João Responde
Doutor João Responde
Alucinações e delírios são produtos de uma mente conturbada. A pessoa que está alucinando manifesta uma sensação bastante real, mas o objeto ou acontecimento vivenciado é inexistente, ou seja, o indivíduo acredita e tem a experiência real de estar vendo, ouvindo ou sentindo algo que na realidade não está lá ou nem existe.

Como a origem da alucinação é interna, a mente pode fazer com que o objeto alucinado seja ainda mais nítido do que os objetos reais, o que faz a convicção de que a sua pretensa realidade seja ainda maior.

A alucinação não se mantém na base do “possível”. Tudo o que é percebido pode ser alucinado e misturado dentro das alucinações. Por isso é possível alucinar com animais falantes, vegetais caminhantes e monstros aterrorizantes.

Outra característica importante das alucinações é que elas precisam dos sentidos da visão, audição, tato, olfato e paladar para ocorrerem. A partir deles é que são categorizados os tipos de alucinação, como visual, auditiva, tátil, olfativa e gustativa.

Os delírios não dependem dos sentidos para surgirem, mas de algum estímulo externo real. Isso porque o delírio é como que uma interpretação errada da realidade.

A pessoa delirante distorce os estímulos ao seu redor e os vivencia de forma diferente.

Não devemos confundir falso juízo com delírio. Para ser caracterizado como delírio, o indivíduo deve estar inabalavelmente convicto do fenômeno. Pessoas normais não conseguem ver ou compreender o fenômeno em questão, mesmo depois da argumentação do delirante. O conteúdo afirmado por aquele que delira não é plausível.

Existem diversos tipos de delírios. Vamos citar alguns deles:
Delírio de Perseguição - Aparece quando a pessoa acredita que é vítima de uma conspiração, que estão falando mal dela, que está sendo perseguida, espionada ou que estão tentando matá-la.
Delírio de Grandeza - Surge quando o indivíduo se sente superior aos outros. Acredita ser a pessoa mais inteligente, mais rica, ou mais importante do mundo. Os indivíduos com esse delírio se sentem especiais e imaginam que sua existência é de grande importância para toda a humanidade.
Delírio de Ciúme - Se manifesta quando a pessoa acredita, sem motivo justo ou aparente, que seu companheiro (a) está sendo infiel. Esse delírio pode acarretar diversas situações de perigo, como agressão física, privação de liberdade ou até homicídio.
Delírio Hipocondríaco - Mostra-se quando a pessoa se queixa de sintomas, deformações e defeitos físicos que não existem. Por exemplo, alega que está emitindo um odor podre pela boca, que está infestada de insetos sob a pele, ou que seus órgãos estão parando de funcionar.
Delírio de Influência - Ocorre quando o indivíduo crê que seu pensamento está sendo controlado por outras pessoas.
É importante lembrar que tanto o delírio quanto a alucinação são sintomas de doenças psíquicas.

Transtornos mentais, como esquizofrenia; manifestações orgânicas, como traumatismo, infecção, epilepsia e uso de drogas psicoativas podem desencadear alucinações e delírios.

Manifestações psicóticas estão associadas a alterações do sistema neurotransmissor dopaminérgico. A melhora dos sintomas da esquizofrenia ocorre quando se utiliza medicamentos para inibir a dopamina cerebral.

A paixão, essa loucura temporária, também é incendiada pela dopamina.

Movido por este inebriante neurotransmissor, o apaixonado idealiza sua amada:
“Se sentes realmente meus lábios tocando o seu rosto; você alucinou”.
“Se acreditas que meu beijo é igual aos beijos que já recebeu; você delirou”.
“Se crês que meu amor te faz real; você é normal”.

Vida sem sonho é ilusão. Sonho sem vida é delírio e alucinação.

 

João Evangelista Teixeira Lima é clínico geral e gastroenterologista


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