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O temível nó nas tripas
Doutor João Responde

O temível nó nas tripas

Doutor João Responde
Doutor João Responde
Eu tinha oito anos de idade e, como toda criança, achava que a cantina era o melhor local da escola. Sempre com as finanças baixas, o dinheiro dava apenas para adquirir um refrigerante e um pão com salame.

Um dia, munido de quantia extra, consegui comprar um punhado de chicletes, sabor hortelã.
Naquela época, por ignorância ou para evitar que a gurizada ingerisse tanto doce, os adultos diziam que se alguém engolisse um chiclete teria um “nó nas tripas”, e seria morte certa.

Meu pesadelo começou durante o recreio, momento em que degustava aquela deliciosa borracha adocicada. No meio do deleite, entre o corre para um lado e o pula para o outro, bateram nas minhas costas e acabei engolindo o diabo do chiclete.

Comecei a chorar e pensei: “agora vou morrer com um nó nas tripas”. Minha professora perguntou, preocupada, o que havia acontecido, e eu não conseguia falar, impedido pelas lágrimas e pelos soluços.
Levaram-me à secretaria do colégio, mas nada adiantou. Deram-me água para eu acalmar, e nada. Eu só pensava na morte que se aproximava.

Finalmente, me trouxeram para casa e fui logo me deitando num sofá que ficava na varanda e, só depois de muito tempo, conseguiram me acalmar e eu contei o que aconteceu.

Compreensivamente, meus pais disseram que me levariam ao médico, mas antes disso eu tomaria um purgante para expelir a guloseima.

Remédio desgraçado aquele; só o tomei para não morrer no dia seguinte. O resultado foi que passei a noite inteira no banheiro.

Não sei por que, mas a partir desse dia eu tomei pavor de mascar chicletes.

Acabei estudando medicina, tornando-me gastroenterologista, esse especialista em “nó nas tripas”.
Volvo, ou “nó nas tripas”, é a torção de uma alça intestinal ao redor de seu ponto de fixação, podendo gerar obstrução e infarto do mesentério, ligamento em forma de leque que dá suporte ao jejuno e íleo, partes do intestino delgado.

Ele pode acontecer em qualquer idade, embora seja mais frequente durante a infância. Existe na forma congênita ou adquirida, habitual em pessoas de idade avançada.

Pode ocorrer em qualquer segmento do trato digestivo, como o estômago, intestino delgado, ceco, cólon, porém é mais comum no sigmoide, devido sua extensão e livre mobilidade na cavidade abdominal, sobretudo nos casos em que o mesmo se apresenta alongado ou dilatado.

Volvo também aparece em decorrência de um tumor do intestino grosso ou de uma aderência da parede intestinal, ocasionada por uma inflamação ou por uma cirurgia abdominal. É mais usual em homens que em mulheres, pois neles o cólon sigmoide é mais longo.

Torção no intestino é um problema grave que provoca obstrução, impedindo a passagem de fezes e sangue, o que pode levar à morte da porção de intestino que não está recebendo sangue.

Os sintomas de torção intestinal começam de forma leve, como uma ligeira dor abdominal e mal-estar geral. No entanto, o quadro vai piorando ao longo do tempo, causando outros sintomas, como náuseas, vômitos persistentes, tontura, prisão de ventre, fezes com sangue, distensão abdominal e dificuldade para respirar.

O diagnóstico é feito através da realização de alguns exames, como radiografia contrastada, tomografia computadorizada e ressonância magnética.

O tratamento consiste em desfazer a torção através de cirurgia, permitindo que o sangue e as fezes voltem a transitar normalmente.

Em casos mais graves deve-se optar pela remoção da parte do intestino necrosado.

A complicação mais temida do volvo é a perfuração intestinal com o derramamento do seu conteúdo na cavidade abdominal.

Por causa daquele chiclete, com medo de ter um nó, eu fiz das “tripas o coração”.


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