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Dono de cão que morreu em varanda não teve culpa, diz CPI


Cachorro foi encontrado morto na varanda do apartamento em Jardim da Penha. (Foto: Reprodução Facebook)
Cachorro foi encontrado morto na varanda do apartamento em Jardim da Penha. (Foto: Reprodução Facebook)
Com base nos depoimentos das três testemunhas que encontraram um cachorro morto na varanda de um apartamento em Jardim da Penha, Vitória, no último domingo, e do próprio tutor do animal, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa considerou que a morte do cachorro foi um acidente.

A reunião da CPI que apura maus-tratos contra animais aconteceu na tarde de quinta (14).

A sessão foi presidida pela deputada Janete de Sá e pelo deputado Vandinho Leite, que são presidente e vice-presidente da Comissão. Os deputados estaduais Lorenzo Pazolini e Carlos Von, o promotor de Justiça Bruno Araújo Guimarães e o delegado Ludogério Ralf da Costa também estiveram presentes.

Ao avaliar que o ato não foi intencional, o denunciado (dono) sai da investigação da CPI e segue investigado somente na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e Patrimônio Cultural, em decorrência da denúncia que foi feita pela Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Vitória.

“Diante do que ouvimos, constatamos que não houve negligência ou um crime premeditado, mas sim um acidente que pode acontecer com qualquer um de nós”, afirmou Janete, que recomendou mais atenção por parte dos tutores.

Os deputados se emocionaram com o relato do dono do cachorro Bartô e pediram solidariedade ao jovem por meio das redes sociais.

Já na próxima fase, a CPI concentrará as investigações na omissão dos órgãos públicos ao pedido de socorro ao animal. Ao todo, são três questões: uma nova convocação ao Corpo de Bombeiros para prestar esclarecimento, o pedido da quebra de sigilo das ligações do Ciodes do último domingo, conforme autorização da testemunha que fez a ligação.

Por último, haverá convocação dos servidores públicos responsáveis pela Gerência de Bem-Estar do Animal da Prefeitura de Vitória para explicar como é feito o atendimento e em quais dias e horários, já que o depoimento do secretário de Meio Ambiente, Luiz Emanuel Zouain deixou dúvidas.

“Parte de mim morreu junto dele”

O dono do animal, um estudante de 20 anos que preferiu não se identificar, precisou conter a emoção durante o depoimento prestado à Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Legislativa.

A Tribuna – O que aconteceu no domingo?
Estudante –Eu fui acordado por ele me lambendo, levantei e dei banho nele, como fazia todos os domingos. Depois dei comida e água. Ele foi para a varanda, mas não é um local onde ele costumava ficar, porque ele tinha trânsito livre pela casa, mas deve ter procurado um lugar quente após o banho.

Onde você tinha ido?
Eu saí para almoçar e deixei ele em casa. Ele estava no meu quarto quando eu me arrumei, por eu imaginar que ele ainda estivesse lá, eu fechei a varanda. Existe um ponto cego com uma pilastra e cortina na varanda, então, infelizmente, não o vi.

Por que você trancou a varanda e a porta do apartamento ficou aberta?
Tranquei a varanda porque limpei a casa e em Vitória tem muita poeira. E porque o apartamento é no segundo andar. Já a porta principal ficou encostada porque o colega que mora comigo ia chegar e não sabia se ele estava com chave.

Como você ficou sabendo?
Eu recebi a ligação da minha prima em desespero pedindo para eu correr para casa. Cheguei 20 minutos depois e não acreditei no que vi. Ele já estava enrolado no lençol. Fiquei em estado de choque, porque ele era meu filho. Uma parte de mim morreu junto dele.