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Divertículo de Meckel, o inimigo que derrotou Tancredo Neves
Doutor João Responde

Divertículo de Meckel, o inimigo que derrotou Tancredo Neves

Cansado dos sucessivos governos militares, eu também ansiava por um presidente civil, ainda que indicado por meio de eleição indireta, como aconteceu com o mineiro Tancredo de Almeida Neves.

Na véspera da posse, o escolhido foi internado no Hospital de Base de Brasília (DF), apresentando intensas dores abdominais. Apesar dos esforços dos médicos e de sete cirurgias, Tancredo não resistiu e morreu em 21 de abril de 1985, aos 75 anos, de infecção generalizada.

A população brasileira, comovida, foi às ruas depois de frustrada a esperança de tê-lo como presidente da República.

Aconselhado pelos médicos a procurar tratamento imediato, Tancredo teria dito: “Façam de mim o que quiserem, mas depois da posse”.

Ele temia que os militares se recusassem a passar o poder ao vice-presidente.

Tancredo decidiu somente anunciar a doença no dia da posse, 15 de março, quando já estivessem em Brasília os chefes de estados esperados para a cerimônia de posse, com o que ficaria mais difícil uma ruptura política.

Porém, a sua saúde não resistiu e, na véspera da festa, foi levado às pressas para o hospital, onde foi derrotado por um desconhecido adversário, denominado “divertículo de Meckel”.

Conforme descreveu Johann Friedrich Meckel, em 1809, esse apêndice oco resulta da obliteração incompleta do ducto onfalomesentérico, contendo mucosa gástrica ou pancreática, sendo as complicações mais frequentes: hemorragia digestiva baixa e oclusão intestinal.

Caracterizado por essa bolsa de tecido extra na parede do intestino delgado, o divertículo de Meckel é o defeito congênito mais comum do trato digestivo.

Na maioria das pessoas, ele não causa problemas ou requer tratamento. Complicações graves, como hemorragia, inflamação e infecção da bolsa, pede atenção médica imediata.

O divertículo de Meckel se desenvolve antes do nascimento, sendo formado por uma porção de tecido que serve de elo com o cordão umbilical no primeiro estágio de desenvolvimento.

Normalmente, esse tecido se retrai e é reabsorvido em direção à sétima semana de gestação.
No divertículo de Meckel, essa estrutura permanece e forma uma projeção na parte inferior do intestino delgado.

Não está claro por que este tecido não é reabsorvido, mas pode ser devido a uma combinação de fatores genéticos e ambientais.

Além de sintomas leves, como sangue nas fezes, cólicas, vômitos, febre e constipação, a diverticulite de Meckel pode causar sintomas súbitos e graves, como infecção generalizada e hemorragia severa.

O divertículo de Meckel assintomático é, geralmente, encontrado acidentalmente durante alguns procedimentos, como radiografia simples, tomografia computadorizada e ultrassonografia abdominal.

Em alguns casos, a laparoscopia pode ser utilizada quando o diagnóstico torna-se difícil.

Quando o divertículo de Meckel é encontrado durante exames, ele deve ser removido.

Quase sempre, a cirurgia é pouco invasiva. Nesse procedimento, pequenas incisões são feitas e instrumentos especializados são usados, ??em vez de fazer uma incisão maior e cirurgia aberta.

Tancredo Neves foi vítima de uma sangrante diverticulite, que se fortaleceu com o adiamento da intervenção cirúrgica, enfraquecendo o sistema imunológico da vítima, piorando com repetidos procedimentos desastrados.

A imperícia nas suturas fez com que o paciente continuasse perdendo sangue, iniciado durante o processo inflamatório.

Não há dúvida que atenderam magnificamente bem o presidente, com solicitude e deferência, mas esqueceram do paciente.

Atuando silenciosamente, a ambição humana pode intervir no rumo da história. Ao transformar-se em fatalidade, ela destrói planos, mesmo os mais bem elaborados.
 

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