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Dinho se rende ao rock alucinante dos Beatles

Entretenimento

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Dinho se rende ao rock alucinante dos Beatles


São quase quatro décadas de carreira. Mesmo assim a primeira reação de Dinho Ouro Preto ao convite de cantar Beatles foi dizer “não”. “Cantar Beatles não é algo fácil, são músicas muito sofisticadas”, conta ele ao AT2.

Dinho: “Para o show, só peguei duas canções do início da banda, 'Help!' e 'Ticket to Ride'. As outras todas  têm um pé no psicodélico” (Foto: AgNews)
Dinho: “Para o show, só peguei duas canções do início da banda, 'Help!' e 'Ticket to Ride'. As outras todas têm um pé no psicodélico” (Foto: AgNews)


Mas, finalmente, o líder do Capital Inicial disse “sim”. Mergulhou na obra do quarteto de Liverpool, se surpreendeu e escolheu o lado psicodélico da banda.

“Eu toco há muitos anos e, quando eu fui tirar algumas coisas no violão, vou te contar. Tem coisas que o George Harrison fez, umas variações de um único acorde, que são geniais! Beatles é uma lição de música. Uma aula de música”, diz, ao telefone.

Na próxima quinta (15), no Teatro da Ufes, Dinho será o convidado do Projeto Sócio de Carteirinha, da banda capixaba Clube Big Beatles, e cantará oito músicas que escolheu do repertório do grupo inglês.

“Algumas, eu escolhi pela letra, como, 'Fool on the Hill', mas quase têm um pé no psicodélico. Além do desafio melódico, as letras, às vezes, não têm pé nem cabeça, como “Come Together”. Você ouve e diz: “Do que ele está falando? Acho que tomou um ácido”, ri.

Ainda na lista “Something” e “While My Guitar Gently Weeps”, de George Harrison. “São geniais harmonicamente. Acho que Harrison é o Beatle menos compreendido ou reconhecido. São canções de uma beleza rara, por sua energia, intensidade, pela harmonia e pelo groove”, defende.

“Temos menos sangue nos olhos” - Dinho Ouro Preto - cantor e compositor

AT2: Os Beatles mudaram a história da música. E a história do Dinho Ouro Preto foi mudada por eles?
Dinho Ouro Preto: Não. Quero dizer, pelo menos não no início. Quando comecei a ouvir e comprar disco dos Beatles, já era adulto. Eu vou fazer 55 agora.

Na época em que comecei a ouvir música e comprar discos, o que eu escutava era Led Zeppelin, AC/DC... Minha onda era o metal e, para te falar a verdade, eu achava Beatles muito leve. Eu lembro de ouvir uma música e falar: “Não dá...” (Risos).

AT2: Era da turma do metal e do punk rock.
Dinho Ouro Preto: Exatamente. Na minha adolescência, só servia do metal para o punk. E você sabe que, quando a gente é adolescente, também é um pouco intransigente e eu era bastante assim. Eu era daqueles: se a pessoa não ouve punk, eu nem quero me relacionar com ela. (Risos) Uma grande bobagem.

Poder apreciar a música de modo mais livre dessas amarras ideológicas e conceituais foi algo que só aconteceu na minha vida adulta. E uau!

Na hora que eu comecei a apreciar Beatles, percebi que, apesar daquilo não ter a mesma construção ideológica que eu gostava, era igualmente genial. Sou um apreciador tardio dos Beatles.

A banda Clube Big Beatles vai se apresentar com Dinho Ouro Preto (Foto: Divulgação)
A banda Clube Big Beatles vai se apresentar com Dinho Ouro Preto (Foto: Divulgação)
AT2: Eles eram mesmo geniais?
Dinho Ouro Preto: Sem dúvida, gênios. Existe uma dimensão harmônica que é de uma complexidade incrível. E o curioso: à medida que o tempo passa, tudo isso se mostra cada vez mais complexo.

Para o show em Vitória, eu só peguei duas canções do início da banda, “Help!” e “Ticket to Ride”. As outras todas têm um pé no psicodélico. São letras introspectivas e completamente sem pé nem cabeça.

Além disso, tem a complexidade e a sofisticação das melodias e os arranjos que são singulares. Quando você soma tudo... (Risos)

AT2: Aqui no Brasil, os garotos de Brasília viraram astros do rock. Era o que queria?
Dinho Ouro Preto: Não. E eu acho que parte da força do rock de Brasília era justamente essa despretensão. Ninguém jamais achou que isso pudesse virar uma profissão.

As nossas expectativas eram as mais modestas, o rock era uma coisa para a nossa turma, para os amigos. E, para falar a verdade, eu sempre imaginei que, em algum momento, a coisa ia perder a força. Que eu ia voltar para a faculdade e ter um emprego ortodoxo, formal.

Dinho Ouro Preto (Foto: Divulgação)
Dinho Ouro Preto (Foto: Divulgação)
AT2: Li, recentemente, em uma matéria que você é o último roqueiro no Brasil. É?
Dinho Ouro Preto: Não, de forma alguma. Tem que ver o que a garotada está fazendo! Vejo muito talento. Supercombo, Far From Alaska, Scalene, Ego Kill Talent, há bandas excelentes.

O que acontece é que o rock hoje está mais na internet. Não, não. Eu não sou o último roqueiro. (Risos)

AT2: Acredito que isso venha de sua postura rebelde, desafiadora. O rock ainda tem isso?
Dinho Ouro Preto: Não sei... Tenho a impressão que o que é mais incisivo, “guerrilheiro”, questionador e inquieto na música brasileira hoje é o hip hop. Tipos como Emicida e Marcelo D2 é que levantam a bandeira do protesto e empurram os limites.

Acho que o pop rock está longe de ser alienado. Mas o hip hop é mais virulento e visceral do que o rock hoje em dia. O rock tende a ser mais poético. Temos menos sangue nos olhos. (Risos)


SERVIÇO:

Dinho Ouro Preto e Clube Big Beatles
O quê: Show com participação do líder da banda Capital Inicial no Projeto Sócio de Carteirinha 2019
Quando: Quinta-feira (15)
Horário: 21h
Onde: Teatro da Ufes. Goiabeiras, Vitória.
Quanto: R$ 25,00 (meia)
Vendas: Óticas Paris (Praia do Canto, Jardim da Penha e Shopping Vila Velha), Cine Jardins (bilheteria), bilheteria do Teatro da Ufes ou pelo tudus.com.br.
Classificação: Livre
Inf.: 3335-2953 e 99943-8246
Apoio: Rede Tribuna


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