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Depressão atinge cerca de 50 mil jovens no Estado

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Saúde

Depressão atinge cerca de 50 mil jovens no Estado


Depressão. Essa doença, que é considerada o mal do século, vem crescendo nos últimos anos em todo o mundo e atingindo cada vez mais uma parcela da população de menor idade. A estimativa é que, no Estado, a doença já atinja 50 mil jovens.

Nesta semana, o desabafo do humorista Whindersson Nunes, de 24 anos, chamou a atenção para o problema. Em uma publicação nas redes sociais, ele disse sentir uma “angústia” todos os dias. “Me sinto mal por não poder me ajudar, mesmo eu às vezes ajudando alguém, eu procuro ajuda nos amigos, na família, mas eu me sinto tão triste, tão triste”.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 5,8% da população tenha a doença. Para especialistas, o percentual também se aplica aos jovens, que no Estado são cerca de 1 milhão ao todo.

O psicólogo especialista em saúde mental, Felipe Goggi, salientou que levantamentos recentes da OMS apontam um aumento mundial de depressão entre jovens. “No Estado não tem sido diferente. A depressão e doenças psicossomáticas têm crescido significativamente em crianças e adolescentes.”

Ele disse que a doença tem se manifestado em jovens indiscriminadamente, porém, tem identificado aumento expressivo no grupo que vai de 10 anos a 16 anos. “Os casos geralmente estão ligados ao discurso de frustração e baixa autoestima, bem como acúmulo de responsabilidades e aceitação social. A sexualidade também é um ponto que se apresenta.”

Segundo ele, a depressão tem acometido cerca de 65% meninas e 35% meninos na fase jovem. O médico psiquiatra Vicente Ramatis reforçou que o aumento de casos entre jovens, adolescentes e até crianças se deve a vários fatores, entre os quais o uso de álcool e drogas, como a maconha.

“Outro fator é a vida sedentária de muitas crianças e adolescentes, e a utilização exagerada dos eletroeletrônicos. Hoje, eles ficam muito tempo na frente do computador, com o celular na mão. Essa falta de atividade, de interação, agrava o problema.”

"Sem força até para sair da cama"

Uma dona de casa, de 25 anos, conta que luta contra a depressão começou ainda na infância, (Foto: Leone Iglesias/AT)
Uma dona de casa, de 25 anos, conta que luta contra a depressão começou ainda na infância, (Foto: Leone Iglesias/AT)

A luta de uma dona de casa, de 25 anos, contra a depressão começou ainda na infância, após presenciar dentro de casa o abuso de drogas por parte do pai e a violência contra a mãe. Os reflexos, segundo ela, se arrastaram durante os anos.

“Já tive vários episódios que a depressão tomou conta. Um deles, durou mais de quatro meses, sem que eu tivesse forças para sair da cama, fazer as tarefas domésticas ou e até tomar banho. O problema maior é lidar com o preconceito de muitos, que acham que se trata de preguiça ou relaxo. É uma doença.”

Ela revelou que passou por psicólogo, mas hoje encontrou no esporte uma ajuda. “Estou fazendo jiu-jítsu e tenho me sentido melhor.”

Médicos ensinam a perceber sinais

Longe de ser uma doença que atinge somente adultos, a depressão entre os jovens pode ser identificada, segundo especialistas, por uma série de sinais, como o isolamento, irritabilidade e mudanças de sono e no apetite.

O psiquiatra infantil Antonio Faria afirmou que muitos casos se manifestam cedo e acabam sendo “mascarados” na adolescência. “Muitos só procuram ajuda mais tarde, quando o quadro já está adiantado, pois acham que o comportamento é típico da adolescência, das alterações hormonais. Mas é preciso estar atento.”

Entre os sinais que podem indicar depressão está o isolamento social, a diminuição da frequência em que saem de casa, a irritabilidade e alterações do apetite, em que passam a comer mais ou menos. “Quando familiares passam a ter dúvida se aquelas mudanças são sinais de problemas devem buscar uma avaliação médica.”

No entendimento do psicólogo especialista em Saúde Mental Felipe Goggi, o estímulo excessivo de informações (inclusive tecnológica) e cobranças cada vez mais presentes na sociedade e no público jovem, com queima de etapas e fases, têm proporcionado adoecimentos mais precoces.

“Temos feito crianças de 'adultos mirins'. Com esse efeito, temos colhidos as consequências. O acesso tecnológico antecipado tem contribuído para sinais de ansiedade e agitação, que no futuro bem próximo pode criar um ambiente de esgotamento, tristeza, frustração e podendo desenvolver a depressão, na comparação do real x virtual.”

A psiquiatra geral e da infância e adolescência Fernanda Mappa também falou sobre alguns sinais e citou um caso que ela atende, de uma universitária de 20 anos. A jovem chegou ao consultório numa cadeira de rodas, devido fraqueza nos membros inferiores.

A suspeita inicial era de uma doença neurológica desmielinizante (perdendo forças nas pernas), mas na verdade foi diagnosticado que ela tinha depressão. Após ser afastada possibilidade de doença clínica, iniciou acompanhamento com psiquiatras.

Ela manifestou alteração de humor, labilidade emocional com choro fácil, queda acentuada de rendimento acadêmico, com saída da faculdade, alteração de sono e se isolando dos amigos. Com o tratamento, está melhor e, neste ano, retornou para a faculdade.
 

O que é depressão?

É um dos problemas de saúde mental mais comuns no mundo e acompanha a humanidade por toda a sua história. É um distúrbio afetivo que atinge o emocional da pessoa, que passa a apresentar tristeza profunda, falta de apetite, de ânimo e perda de interesse generalizado. É imprescindível o acompanhamento médico para diagnóstico e tratamento.

Números da depressão

  • Cerca 320 milhões de pessoas no mundo têm depressão
  • 11,5 milhões de brasileiros têm a doença
  • 230 mil pessoas são atingidas pela depressão no Espírito Santo

Sinais e sintomas

  • Humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade e angústia.
  • Desânimo, cansaço fácil, necessidade de maior esforço para fazer as coisas.
  • Diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades anteriormente consideradas agradáveis.
  • Desinteresse, falta de motivação e apatia.
  • Falta de vontade e indecisão.
  • Sentimentos de medo, insegurança, desesperança, desespero, desamparo e vazio.
  • Pessimismo, ideias frequentes e desproporcionais de culpa, baixa autoestima, sensação de falta de sentido na vida, inutilidade, ruína, fracasso, doença ou morte. A pessoa pode desejar morrer, planejar uma forma de morrer ou até mesmo tentar suicídio.
  • Interpretação distorcida e negativa da realidade: tudo é visto sob a ótica depressiva, um tom “cinzento” para si, os outros e seu mundo.
  • Dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento.
  • Diminuição do desempenho sexual (pode até manter atividade sexual, mas sem a conotação prazerosa habitual) e da libido.
  • Perda ou aumento do apetite e do peso.
  • Insônia (dificuldade de conciliar o sono, múltiplos despertares ou sensação de sono muito superficial), despertar matinal precoce (geralmente duas horas antes do horário habitual) ou, menos frequentemente, aumento do sono (dorme demais e mesmo assim fica com sono a maior parte do tempo).
  • Dores e outros sintomas físicos não justificados, como dores de barriga, má digestão, azia, diarreia, constipação, tensão na nuca e nos ombros, dor de cabeça ou no corpo, sensação de corpo pesado ou de pressão no peito, entre outros.

Tratamento

  • Pode ser feito em conjunto pelo psicólogo e o psiquiatra. Em alguns casos, é necessário o uso de medicamentos.

Fonte: Ministério da Saúde e especialistas.
 


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