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Defeitos aceitáveis
Martha Medeiros
Martha Medeiros

Martha Medeiros


Defeitos aceitáveis

Se você tem mais de dois anos de idade, sabe que ninguém é perfeito, nem mesmo papai e mamãe. E se tem de 15 para cima, está aprendendo a se adequar ao que o mercado afetivo oferece: pessoas bem-intencionadas, mas que tiveram uma criação diferente da sua, por isso a dificuldade de assimilar seus hábitos.

De fato, o mundo é bastante diverso. Então, já que ficou combinado que teremos que conviver uns com os outros apesar das dessemelhanças, procure ao menos apaixonar-se por aqueles que possuem defeitos que você adora.

Para mim, por exemplo, é indispensável que a criatura beba um pouco. Não antes de dirigir, claro, mas antes de voltar de táxi para casa. Que goste de um bom vinho, ou mesmo de um vinho mais ou menos. Ou de uma cerveja gelada. Que não fique bêbado nem se torne inconveniente, que não beba no meio da tarde de uma segunda-feira nem precise de um trago todo santo dia, mas que aprecie com moderação. Tomar refrigerante durante o jantar é que é um defeito imperdoável.

Concordo que tem muito maluco no trânsito, mas o contrário também incomoda: gente que não passa de 40 km/h. Que dirige com uma prudência que chega às raias do fanatismo. Se a cautela é tamanha, por que não troca o carro por uma bicicleta?

Não serei eu a exigir que seja um lorde para se vestir. Até prefiro que use camisa para fora das calças e nada engomado demais. O estilo dândi é um exagero de vaidade. E depilação é para moças.
Uma barba por fazer, o peito peludo, pernas idem, enfim, que se mantenha visível o parentesco com Neanderthal. Homem lisinho, lisinho? Só se for um nadador buscando aprimorar seu tempo para competir com o Michael Phelps.

Se ele lamentou o fato de a Playboy não ser mais vendida nas bancas, bom sinal. Se ele é atencioso com suas amigas, ótimo. Homem tem que gostar de mulher, de todas elas, mesmo quando está apaixonado só por uma: você sabe quem.

E tem que jogar futebol com os amigos. Tem que. É inegociável. Ou praticar qualquer outro esporte longe dos seus olhos. Surfe, golfe, tênis, peteca. Ficar em casa o tempo todo é que é grave.

Não vou reclamar se for ateu. Pode se empanturrar de carne à vontade. É um pouco atrevido? Atrevimento não é grosseria. Ser ambivalente dá trabalho, mas mantém a chama acesa.
Não ser louco por recitais de oboé não o fará perder pontos comigo (desde que seja maluco por cinema). E se for meio tarado, well, eis um defeito a ser celebrado diariamente. Ou noturnamente.

Mas o defeito mais aceitável de todos: que seja um homem excessivamente apegado. Não a dinheiro, nem ao trabalho, nem a nada que não seja o seu grande amor, que promete ter alguns defeitos aceitáveis também, ou a vida em comum durará apenas o tempo de um prolongado bocejo.

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