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Em 'Mais feliz', Zeca Pagodinho faz passeio pelas diferentes vertentes do samba

Música

Em 'Mais feliz', Zeca Pagodinho faz passeio pelas diferentes vertentes do samba


 (Foto: )
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O sambista Zeca Pagodinho não gosta de protocolos. O carioca de Irajá prefere a simplicidade. É no bate-papo informal que o sambista se abre mais, faz piadas, conta histórias e distribui o jeito gentil. Até por isso sempre opta em trabalhar criando esse ambiente. Foi assim ao atender à imprensa em almoço promovido no Bar do Zeca, no Vogue Shopping, na Barra da Tijuca, quando ofereceu aos presentes o famoso leitão que sempre serve aos amigos em Xerém, bairro de Duque de Caxias onde mantém uma casa. De um jeito similar, Zeca chegou até o repertório do mais recente álbum, Mais feliz, lançado em 17 de setembro nas plataformas digitais. “Na minha casa também sempre é assim. Uma panela cheia de sopa, de fava com leitão, igual a esse que vocês comeram”, afirma.

Para Zeca, não existe outra forma de fazer música que não seja numa grande roda de samba entre amigos. “Na minha casa, no meu quintal. A rapaziada vai toda pra lá. Muita comida, muita bebida e cada um canta duas ou três músicas”, conta. Na gravação do disco não foi diferente: “Vai todo mundo (para o estúdio), os compositores, o pessoal de batuqueiros, violeiros. Então, é sempre uma festa com bastante cerveja. Tem os dias da velha guarda (da Portela) botar coro, sempre colocam em duas músicas. Rola uma feijoada e quando acaba, dá saudade desse povo”. Esse foi o processo de criação, concepção e gravação de Mais feliz.

Chegar até as 14 músicas que compõem o repertório foi um desafio. Zeca Pagodinho ouviu mais de 200 canções até escolher as favoritas: “Vou passando (na roda de samba), vou ouvindo. Quando vejo que o povo empolgou muito, vejo que ali está um sucesso”. O repertório conta com duas regravações O sol nascerá (a sorrir), de Cartola e Elton Medeiros, gravada com Teresa Cristina, que virou tema da novela Bom Sucesso, e Apelo, de Vinicius de Moraes e Baden Powell, em que o artista é acompanhado dos músicos Hamilton de Holanda (bandolim) e Yamandú Costa (violão de 7 cordas). As demais são canções inéditas em gravação de estúdio, mas velhas conhecidas dos frequentadores dos sambas de Pagodinho.

Esse é o caso de Mais feliz, canção de Toninho Geraes (autor de Uma prova de amor) que abre e também dá título ao disco: “A música é muito boa. Eu já conhecia há uns dois ou três anos, acho que até mais”. A faixa também é responsável por dar o tom do álbum, um CD, em sua maioria, pra cima e que passeia pelas diferentes vertentes do samba. Resultado do momento em que vive Zeca Pagodinho. “Há quatro anos eu não gravava. Eu fico com vontade de gravar, os compositores, também. E é um repertório muito bom. Voltei a compor, fiz 60 anos. Tenho que estar feliz”, define.

Depois de 14 anos, o cantor voltou a incluir em seu repertório composições autorais. Duas das 14 faixas de Mais feliz são de Zeca Pagodinho: Enquanto Deus me proteja, com Moacyr Luz, e Nuvens brancas de paz, com Arlindo Cruz e Marcelinho Moreira. “Eu costumo dizer que (no processo de composição) alguém fala alguma coisa para mim. Vou ouvindo alguma coisa e escrevendo. Às vezes até me surpreendo. Foi assim que nasceu Enquanto Deus me proteja. Ela nasceu no Dia Internacional do Compositor e é a minha primeira parceria com o Moacyr Luz”, conta.

Sobre Nuvens brancas de paz, lembra: “Eu cheguei na casa do Arlindo cantando isso aí. Foi a última vez que estive cantando assim com o Arlindo, perto. Marcelinho tava lá e a música surgiu, como ela sempre surge. Surgiu e pronto. Eu nem lembrava mais dela. Depois que o Marcelinho falou. Pedi para o filho do Arlindo (Arlindinho) e ele mandou a música. E ela surgiu, está aí”.

Ter uma música composta com Arlindo Cruz no repertório também é uma forma de Zeca se aproximar do amigo, afastado dos palcos desde que sofreu um acidente vascular cerebral em 2017, e homenageá-lo. “O CD é dedicado a ele. É a primeira vez que ele não está comigo. Ele estava sempre comigo, como músico, como autor, como companheiro de estar ali. É bem difícil. Por isso dediquei a ele. Para mim, é ruim. Tem dois anos que eu não o vejo. Sou acostumado a chegar lá, sorrir, tomar cerveja, fazer samba. Eu não quero chegar e o ver assim. Tenho fé que ele vai melhorar. Milagres existem”.

Zeca Pagodinho diz que Mais feliz é um disco que reúne diferentes mensagens. Para ele, o repertório tem canção para todo tipo de situação: “Tem samba bom, romântico, feliz, pedindo paz. Tem recado para todo mundo. Quem quiser me ouvir, eu vou cantando”. Uma delas manda um recado para o Rio de Janeiro, estado que vem sofrendo com a violência. A música é Na cara da sociedade, de Serginho Meriti. “Essa música eu pedi ao Serginho Meriti para fazer. Estava em Curitiba e liguei para ele. Dentro de mais ou menos uma hora ele estava mandando mais de 10 músicas”, diz.

Na faixa, Zeca Pagodinho logo começa dizendo: “Vou aproveitar essa canção para pedir paz no mundo, no Brasil e, principalmente, no Rio de Janeiro. Muita paz”. O sambista diz que incluí-la no repertório foi uma forma de fazer a parte dele. “Porque a gente precisa disso, se todo mundo fizer algo para melhorar, estimular as pessoas, vamos mudar esse quadro. É uma cidade-fantasma. Está cheia de grades, botequim vazio, muita violência, muito assalto. Está difícil”, lamenta.

“Lembra dos tempos idos? Cadeiras na varanda/ Cidade maravilhosa, meu futebol, meu samba”, canta o artista na faixa. Situações que ele diz sentir falta no dia a dia. “(Sinto falta de) poder andar pela rua. Não só por causa de violência, por causa do assédio, que é um problema muito sério. Não dá para parar em lugar nenhum que logo aparecem 200 celulares. Aí não dá. Em Xerém tenho (menos assédio e mais segurança), ainda mais dia de semana. Dá para ir ao botequim de bermuda, ver os caras jogando sinuca. É bem diferente para mim”.

Como de costume, Mais feliz conta com convidados especiais. Além de Teresa Cristina, Yamandú Costa, Hamilton de Holanda e a Velha Guarda Portela, o álbum tem a presença de Xande de Pilares. O ex-vocalista do Revelação canta com Zeca Pagodinho Dependente do amor (Xande de Pilares, Gilson Bernini e Brasil do Quintal). “Sempre tem alguma participação (nos discos). E o Xande merece. É um cara bom, tem uma pegada boa de cavaquinho. O samba é muito bom. Teresa (Cristina) também. É nossa querida. Está muito bem na música. Eu queria fazer alguma coisa com o Hamilton e Yamandú, de novo, que eu já tinha feito outra. Precisava fazer alguma coisa com ele. Eu tinha outra música, mas o Rildo (Hora, produtor do disco) falou de fazer Apelo. Eles fizeram o arranjo lá mesmo no estúdio”.

A turnê de Mais feliz começa em dezembro. O sambista passará por São Paulo, em 7 de dezembro, Credicard Hall. No dia 13, é a vez do Rio de Janeiro receber o show no KM de Vantagens. A outra apresentação marcada é em Salvador na Concha Acústica em 9 de fevereiro. Mas a programação ainda vai crescer. “Não podem me olhar, que já estão me olhando como se eu fosse uma agenda”, diz, entre risos, ao ser questionado se com a idade diminuiu o número de shows. De acordo com Zeca, a única que mudou com a idade foram as questões relacionadas à saúde: “Muito exame. Opera olho, opera nariz, essas coisas que têm que lidar. Você vai enxergando menos. Show, eles não deixam eu parar”.


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